Venho de uma família de ativistas culturais do interior da Paraíba, cujos irmãos e meu pai eram músicos e minha mãe locutora de uma di...
Poética Evocare: A voz da poesia em performances artísticas
E se você estivesse sozinho, sentindo-se abandonado e triste? E se até seu violão chorasse e seu samba pedisse para a mulher amada vi...
Benvinda
Mais um ciclo que termina e, com ele, a perspectiva de um novo tempo que possa trazer a esperança de outras e diferentes realizações....
Em busca do estado de poesia
Mais um ciclo que termina e, com ele, a perspectiva de um novo tempo que possa trazer a esperança de outras e diferentes realizações.
Antes de começar este texto, li vários outros, cada um trazendo um olhar diverso para o tema Natal. E, claro, para quem escreve, o mome...
Então é Natal!
Minha história com a escrita vem da infância. Desde criança, já mostrava aptidão para criar narrativas, quer na escola, nas atividades...
A escrita como porta-voz da poesia
Tem se intensificado a realização de eventos literários em que as pessoas se reúnem para dizer poemas, apresentar, debater e ler tre...
Saraus poéticos: uma tradição que se renova
POEMA-FLOR Minha poesia é flor, muitas vezes, simples, inofensiva. Mas não se engane: uma flor não é só cheiro, cor, delicad...
Uma flor não é só cheiro
Minha poesia é flor, muitas vezes, simples, inofensiva. Mas não se engane: uma flor não é só cheiro, cor, delicadeza.
SONHO DE RIO corre no curso de todo rio intermitente a vontade de ser nuvem novamente sou um rio que seca e, vez por out...
Sonho de rio
corre no curso de todo rio intermitente a vontade de ser nuvem novamente sou um rio que seca e, vez por outra, enche
Hoje é véspera de São Pedro, data simbólica para minha família, porque é aniversário do meu irmão mais velho, Hermes Filho, que se foi ...
Entre fogos e saudades
DO MEU SÃO JOÃO Eu tenho uma fogueira acesa dentro do coração. Enquanto ela queima, trago à memória Imagens de...
Do meu São João
Eu tenho uma fogueira acesa dentro do coração. Enquanto ela queima, trago à memória Imagens de um tempo em que se acreditava nos poderes das simpatias das noites de São João.
Não tenho medo de altura e nem de andar de avião, no entanto, diante de uma ameaça de incêndio ou de uma turbulência um pouco mais for...
É fogo!
DA INUTILIDADE DA POESIA Uma flor qualquer no chão encontrada pode ser motivo de um poema, de uma quadra. A poesia tem ...
A poesia tem dessas coisas
Uma flor qualquer no chão encontrada pode ser motivo de um poema, de uma quadra. A poesia tem dessas coisas inusitadas, com cara
Após sentir fortes dores no ombro e recorrência de febre, fui a um ortopedista que, para obter um diagnóstico mais preciso, solicitou q...
Da Ressonância
DO OBLÍQUO Gata-lobo na janela uiva para a lua que, bela, ilumina os olhos de ressaca dela.
Gata-lobo na janela
Gata-lobo na janela uiva para a lua que, bela, ilumina os olhos de ressaca dela.
POÉTICA A menina azul traz na ponta da língua a palavra que queima dentro de si. A menina azul acende o farol da poesi...
Lassidão
A menina azul traz na ponta da língua a palavra que queima dentro de si. A menina azul acende o farol da poesia que se reflete em seus olhos de jade e rubi.
Dentre os itens da minha lista de metas para o ano de 2024, te...
Pausa digital
Houve um tempo em que minha mãe se incomodava muito com a algazarra feita por filhos, netos e agregados nos dias em que todos se reunia...
Casa vazia
Há um trecho de um poema de Cora Coralina que diz assim: “Ajuntei todas as pedras Que vieram sobre mim Levantei uma escada muito al...
Entre pedras e livros, a Festa Literária de Paraty
Os versos falam sobre transformar as dificuldades em algo positivo; sonhar e buscar realizar esse sonho. Pensar assim é ter coragem de enfrentar os percalços da vida, como ela fez, produzindo doces para sobreviver, mas realizando seu sonho de escritora, ao colar, nos saquinhos de papel que serviam de embalagem, seus poemas encantadores.
Ousadia foi a palavra que me veio à cabeça, ao me meter na aventura de ir a Paraty conhecer a festa literária mais importante do Brasil. Participar desse evento era um desejo antigo a que me dei o luxo de realizar.
Há atividade para tudo quanto é gosto. Da programação oficial, formatada em 20 mesas temáticas, que acontecem numa tenda-auditório climatizada, com reprodução das falas num ambiente com telão que fica ao lado (esse sem ar-condicionado, mas pelo menos com acesso gratuito), até a programação de inúmeros outros espaços privados a que chamam de casas, com suas peculiaridades e que competem entre si pelos ávidos participantes itinerantes, que vão de uma a outra, em busca de novidades.
Encontramos muitos lugares alternativos em meio a um areal (único local plano, mas cheio de lama), ao lado do rio que corta aquele pedaço da cidade histórica, feita de pedras desiguais e escorregadias, em que até quem tem nariz empinado precisa andar olhando onde pisa, sob pena de escorregar e ir ao chão da dura realidade.
No entanto, gostei muito da experiência. Ter o nome na programação oficial, através da participação em uma casa parceira, poder lançar um livro na FLIP e estar em uma coletânea de textos de autoria feminina encheram-me de orgulho. Fiz questão de marcar presença e colocar à venda, numa mesinha branca, forrada com toalha preta, meus três livros de poesia. E as pessoas, curiosas, paravam, folheavam, perguntavam de mim e alguns até compravam.
Além da mesa 19, cujo tema foi “Só então pude falar”, composta pelo escritor mais lido do momento, Itamar Vieira Júnior, Miriam Espodito e a simpática Glicéria Tupinambá, vi, com muito apreço, a mesa 15, que trouxe falas sobre o artista em destaque, Augusto de Campos, vivinho da silva, com seus 92 anos, um gênio do que ouso chamar, com todo respeito que merece, de poeta do virtual, visual e sinestésico, reverenciado por André Vallas, Ricardo Aleixo e Simone Homem de Melo.
A experiência foi boa. É preciso vivê-la, se você escreve e gosta de literatura. Juntar pedras e construir com elas escadas é ainda o que mais precisamos aprender a fazer. Se voltarei lá um dia? Quem sabe? Talvez. Por que não?
Há anos que deixei de ir ao cemitério no Dia de Finados. Justificava que aquilo era bobagem, pura vaidade para dar satisfação aos outro...
Hodie mihi, cras tibi
Neste ano, no entanto, mudei de pensamento e fiz diferente: comprei flores, acendi velas e andei por entre as alamedas estreitas da “última morada” de minha cidade, Pocinhos, parando em vários túmulos para ver fotos e ler epitáfios.
O PRESENTE O pacote chegou de manhã. Nenhuma referência ao remetente. Abri-o, mecanicamente. Bem na frente, um bilhete: “Antes de...
Arco-íris
O PRESENTE
O pacote chegou de manhã. Nenhuma referência ao remetente. Abri-o, mecanicamente. Bem na frente, um bilhete: “Antes de morrer, ele me pediu para devolver as cartas que você lhe escreveu”. Nós nos conhecemos na quermesse. Era a primeira vez que aparecia na cidade. Vinha a trabalho, de passagem. Seus beijos, os únicos que experimentei na vida. Desse modo foi até a correspondência cessar, sem que ele voltasse uma vez sequer. Lembrei, com amargura, das últimas palavras que dissera a mim, num sussurro, por ocasião da despedida: “Talvez eu tenha encontrado quem procurava”. Toquei fogo no embrulho e fui tomar café.