Existe uma estranha ironia na condição humana, que nos exige aprender desde cedo a habitar o mundo, mas quase nunca aprendemos a habitar a nós mesmos. Aprendemos a ler mapas, a construir carreiras, a adquirir bens, a interpretar o comportamento dos outros e até a esconder aquilo que sentimos. Tornamo-nos especialistas em ocupar espaços externos,
Tristeza não é sobre o fim das coisas, mas sobre a beleza de elas terem existido.
Existe um tipo muito específico de silêncio que só a perda consegue instaurar. É um silêncio denso, quase palpável, que não preenche apenas a sala ou o quarto de hospital, mas reverbera nas dobras mais escondidas de quem fica. Nesses momentos, quando o mundo ao redor parece perder temporariamente a gravidade e o chão sob nossos pés vacila, a reação quase instintiva do ser humano moderno é o espanto, o protesto, a recusa. Fomos educados para conquistar, acumular, estender e vencer e, por isso, encaramos a morte como uma derrota pessoal, uma falha na engrenagem, um ladrão que surge sem avisar.
O jurista, professor e escritor Joaquim Falcão, carioca de fundas raízes pernambucanas, acaba de publicar o mais lúcido, cristalino e corajoso diagnóstico do Brasil de nossos dias. Trata-se de A Oligarquia dos Poderes e a Crise da Democracia, Editora História Real, Rio de Janeiro. É um livro precioso e indispensável para quem deseje ver em letra de forma aquilo que se percebe no ar, como um odor infecto, ou seja: o sentimento de que o país mergulha cada vez mais no poço fundo da corrupção e de que não há reais perspectivas de salvação à vista.
Mas não pense o precavido leitor que é uma leitura difícil e exigente. Ao contrário. Temos aqui mais um legítimo produto Joaquim Falcão, no seu estilo inconfundível, objetivo, até mesmo didático, em que a seriedade do assunto perde seu peso intrínseco para tornar-se acessível ao leitor leigo qual uma crônica. Entre outros, é este um mérito da obra e do autor que merece ser exaltado.
“A Somália é um paradoxo político: é um país unido à superfície e mortalmente dividido em profundidade. Trata-se do Estado-Nação mais homogéneo do planeta. Tem nove a dez milhões de habitantes, que falam quase todos a mesma língua e têm a mesma origem étnica. Mas tudo está dividido em clãs.”
Jeffrey Gettlemanin “O País mais perigoso do Mundo”; Courrier Internacional, edição Nº 160 de Junho de 2009
Vim ver quem era Sivuca na casa de Nathanael Alves. Ele voltara dos Estados Unidos, onde havia experimentado a fama internacional, e viera matar a saudade de sua Itabaiana na casa de Félix Galdino, vizinhos de sítio. Félix era vizinho de Nathanael, aqui em Tambauzinho, e, como era lá que nos reuníamos
Sivuca ▪️ Fonte: Sounds of David
todos os sábados à noite, arrastamos Sivuca para o nosso papo. Um papo que não se repetirá mais neste mundo. Como se vê, éramos Nathanael, Ednaldo do Egito, José Souto, Solha, às vezes Durval Leal, e o Félix já citado.
Dia desses, comentei com uma amiga que gosto do número 7. E de 8, 6 e 3. Ela gosta do número 4, por exemplo. Ou seja: gostamos de numerologia. Há quem diga que é crendice. Mas, afinal, como não ter um pouco disso no Brasil? O sincretismo, aqui, é cultural.
O romance Sertão com nome de mulher, de Andrea Mariano, nasce de uma intenção legítima: revisitar o sertão nordestino pela ótica feminina, deslocando o eixo tradicionalmente masculino das narrativas agrestes. Há, no projeto do livro, um desejo evidente de discutir pertencimento, violência simbólica, memória afetiva e resistência das mulheres em um espaço historicamente marcado pelo patriarcado. Contudo, entre a intenção estética e a realização literária, abre-se um deserto de fragilidades narrativas que impede a obra de alcançar maior densidade artística.
Em conversa com meu neto Arthur, ele, falando de animais, a sua mais recente paixão, referiu-se à jaguatirica como “o jaguatirico”. Para que ele pudesse, futuramente, fazer uso do normativo, disse-lhe que ele deveria dizer “a jaguatirica macho”, pois não existe o par opositor jaguatirico/jaguatirica. É importante frisar que não mencionei se era certo ou errado, mas o que era mais adequado, de acordo com a norma vigente.
O presidente mundial da Pepsi-Cola foi recebido pelo Papa em uma audiência especial, porque o assunto a ser tratado era a doação de uma altíssima quantia aos cofres do Vaticano. Ele explicou a Sua Santidade a preocupação com o mercado, que preferia a Coca-Cola. Pretendia fazer uma doação de 1 bilhão de dólares aos combalidos cofres da Santa Sé se a Igreja ajudasse a Pepsi-Cola a superar a rival. O bondoso Pontífice quis saber como seria essa ajuda, e ele respondeu:
Dona Camila e Seu Durvalino estavam ali muito perto das bodas de ouro. Criaram dois rapazes e uma moça que já estavam pelo mundo, como se diz, ganhando a vida com suas próprias famílias.
Perdão Bilac, mas não resisti. É que as câmeras do mundo inteiro não pegaram Ancelotti sem goma de mascar, uma vez sequer, à beira dos campos da Copa de 2026, competição ao fim da qual nossa Seleção amargou a décima-primeira colocação geral. Contratado pela CBF, em maio de 2025, para assumir
A poética etnomusicológica é uma metodologia epistemológica e pedagógica que integra a percepção artística à etnografia para reorganizar a produção musical, a pesquisa e o ensino. Ao fazê-lo, constitui um processo de descolonização da educação acadêmica no século XXI, desafiando o predomínio histórico de modelos de ensino baseados em paradigmas europeus e oferecendo uma base para o desenvolvimento dos saberes tradicionais e populares no contexto educacional.
No ano de 1961, o presidente dos Estados Unidos da América, John Kennedy, criou o Peace Corps. Esta entidade recebeu, no Brasil, o nome de Voluntários da Paz. Previa a integração dos EUA com países americanos. Originalmente, esses convênios previam, entre outras coisas, reformas de base, inclusive a reforma agrária.
A convivência entre amigos e a dinâmica das discussões nos revelam muito sobre a natureza humana. É intrigante observar como desavenças, muitas vezes por motivos triviais, podem levar à ruptura de laços que, em essência, deveriam ser fortalecidos pelo respeito e pela compreensão.