... no Grande Teatro do Mundo... ficaria muito longo o título, se bem que "perfeito". Coloco aspas, porque seria muita ousadia chamar um título de "perfeito". Na Espanha, sempre entrevisto ou encontro um fantástico professor, que me traz à mente a seguinte brincadeira: ao me apresentar pela primeira vez, eu teria dito "Olá, sou Denise", e ele responderia "Sou Perfeito" (note-se a letra maiúscula). Ao que pensaríamos: "ninguém na Terra é perfeito", mas ele é! Se chama Perfecto! Que interessante nome!
Existem livros que não se limitam a contar uma história: eles reabrem uma porta que o tempo julgava definitivamente fechada. Sarafim, Reino Encantado, de Hildeberto Barbosa Filho, pertence a essa espécie rara de obra em que literatura, memória, paisagem e existência se encontram numa mesma corrente subterrânea. O Sarafim não é apenas um lugar geográfico da infância do autor.
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É, sobretudo, um território interior, uma espécie de pátria íntima onde permanecem vivos os seres, os animais, os afetos, as paisagens e as primeiras descobertas que constituíram o homem antes que o homem se tornasse escritor.
A deusa Palas Atenas chega a Ítaca, para anunciar o retorno próximo de Odisseus, conforme se decidiu no Concílio dos Deuses, presidido por Zeus, no Olimpo (Odisseia, Canto I, versos 19-104). Telêmaco a recebe, sem saber que, sob a forma de Mentes, rei dos Táfios (εἰδομένη ξείνῳ, Ταφίων ἡγήτορι Μέντῃ, verso 105), se encontra a deusa de olhos glaucos. Após a recepção do estrangeiro, de acordo com o que prescreve a Lei da Hospitalidade, Mentes/Atena se apresenta como antigo amigo de Odisseus, que se orgulha de uma hospedagem recíproca de longa data (ξεῖνοι δ’ ἀλλήλων πατρώιοι εὐχόμεθ’ εἶναι ἐχ ἀρχής, versos 187-188).
Costumo ligar o televisor à procura de assuntos quase sempre ausentes da programação diária das emissoras nossas de cada dia, essas de canal aberto. O progresso tecnológico propicia isso: a navegação pelas ondas da Internet tendo-se como veículo uma smart tv, a “televisão inteligente” equipada com sistema operacional de conectividade de rede, via wi-fi. Quando essa inteligência eletrônica suplanta a minha, o que não raramente acontece, socorrem-me os filhos, ou o neto.
O tempo não é apenas aquilo que o relógio mede. É também a maneira como a vida se revela: às vezes depressa, às vezes devagar, quase sempre fora do ritmo que gostaríamos de impor a ela. Há momentos em que parece abrir caminhos diante de nós e outros em que nos mantém diante de uma porta fechada. Nesses intervalos, surge uma pergunta antiga:
AUTOSSABOTAGEM
A marcha da insensatez
Apresenta seus adeptos:
São pessoas ressentidas,
De autoestima dividida
E estranhos intelectos;
Aderem ao autoboicote
Com prontidão nunca vista;
Gays elegem homofóbicos,
Negros escolhem racistas,
Elas votam em misóginos,
Júnior Dalberto, o homem que continua falando pelos livros
Há pessoas que passam pela nossa vida e deixam lembranças; outras deixam livros. E existem aquelas raras, raras como Júnior Dalberto, que deixam os dois. Quando penso nele, torna-se impossível separar o escritor do amigo ou a literatura do homem, talvez porque,
Pode parecer estranho juntar num mesmo texto criaturas que nem parecidas são. Mas a culpa é de um ilustre cidadão de minha convivência; digo, amigo desde priscas eras que, em seus encontros etílicos pelos bares de nossa Filipeia, andou reclamando que um atrevido Rupornis magnirostris andou devorando um Serinus canaria do plantel
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deste meu indignado camarada. Em outras palavras, um gavião-carijó devorou seu canarinho cantador, deixando este meu amigo pê da vida. O pior é que ele ainda viu o assassino pegando o beco enquanto, muito satisfeito, batia as asas, lambendo os beiços — ou melhor, o bico — de tanta satisfação. No viveiro, só penas e um pouco de sangue, pois até as perninhas do pobrezinho o rapinante devorou.
Nunca pensei que a vida me reservasse tarefa tão difícil: a de saudar, em nome deste Instituto e por designação do presidente Jean Patrício, o sócio efetivo e querido amigo Sebastião Ferreira Filho.
Estamos vivendo num mundo altamente estressante, de cobranças infinitas e, portanto, inalcançáveis, diante de um contexto no qual a perda de saúde mental parece inevitável. De acordo com o último relatório da Organização Mundial de Saúde, o Brasil é considerado o país mais ansioso do mundo. Como podemos nos manter saudáveis em meio a tantos desafios?
Padre por vocação, poeta por necessidade para melhor se comunicar com o Cosmos, Dom Helder Câmara escreveu poemas que exaltam o pensamento cristão e, de modo todo especial, revelam as magnificências espirituais de Nossa Senhora, a quem chamou de rosa mística, digna de todos os louvores celestiais e humanos.
Terminamos o primeiro turno com um resultado acirrado entre os dois candidatos. Um resultado que surpreendeu por ter contrariado as pesquisas. Hoje, com a internet e todas as ferramentas digitais, os caminhos são outros.
O fato de o Prêmio Nobel ter se destinado a uma renomada poeta ressalta a preocupação da academia com a linguagem. Não que, na prosa, o trabalho com os signos esteja em plano secundário. Mas a poesia é por excelência o domínio em que o uso da língua ganha proeminência. A literatura renova nossa percepção do mundo ao renovar a linguagem com que o percebemos.
Há uma certa ingenuidade em acreditar que, em algum lugar da vida, existirá alguém que cuidará de nós melhor do que nós mesmos.
Aprendemos desde cedo a esperar. Esperamos pelos pais, amigos, pelo amor, filhos, por alguém que perceba quando estamos cansados, quando precisamos de um abraço, quando alguma
Os belos fractais inundaram as manchetes nas décadas de 80 e 90. De tão entusiasmada pelo tema, quando comprei uma pequena lancha, registrei-a na Capitania dos Portos como Fractal. Imaginei-a do alto, vista do espaço, a pequena embarcação flutuando como um fragmento no meio da imensidão do mar. Não se pode enfrentar uma grande onda de frente, nem se pode posicionar de costas para ela, senão seremos
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derrubados; o barco vai virar. O melhor é sair costurando na diagonal, movimentando-se como uma linha tangente, que vai circulando de forma espiralada, surfando sobre as ondas. Assim é a sabedoria dos moluscos e dos pescadores experientes nos mistérios marítimos e estelares.