Dedico à professora Neide Medeiros,
devota de Graciliano.
Penso — e, mais que penso, sinto — que o Nordeste e o nordestino geralmente são vistos pelos brasileiros de outras regiões, com ênfase nos cariocas e nos paulistanos metidos a cosmopolitas, de forma estereotipada. Nem preciso ressaltar — mas fá-lo-ei — o caráter negativo dessa imagem, pois ele já vem intrínseco à própria definição da palavra estereótipo como “concepção baseada em ideias preconcebidas sobre algo ou alguém, sem o seu conhecimento real, geralmente de cunho preconceituoso ou repleta de afirmações gerais e inverdades”. Isso diz tudo — ou quase.
Recentemente, em Salvador, um repórter estava fazendo uma entrada ao vivo diante de um hospital quando um cachorro de rua se aproximou. O animal brincou com ele, afastou-se e depois voltou carregando um pedaço de pano, deitou sobre o pé do jornalista e ficou ali. O repórter não podia brincar muito porque estava cobrindo uma notícia triste, mas deu o máximo de atenção que podia. O suficiente para a cena chamar bastante a atenção nas redes digitais. O corte da reportagem
GD'Art
viralizou e chegou até a dona do cachorro. Descobriu-se que o cãozinho estava desaparecido havia mais de um mês e que sua família o procurava. O que começou como uma interrupção banal de uma reportagem terminou com o cachorro reencontrando sua tutora. O próprio repórter resumiu a experiência dizendo que um pequeno gesto de cuidado pode transformar completamente o dia e a vida de alguém.
Nascida por volta de 1507 a.C., Hatshepsut (que significa “a primeira das nobres senhoras”) era uma princesa legítima, filha do rei Tutmósis I e da rainha Ahmose. Após a morte de seu pai, o trono passou para o seu meio-irmão e marido, Tutmósis II, que viria a falecer por volta de 1479 a.C. após um curto reinado. Como o seu enteado Tutmósis III era ainda criança (teria cerca de 2 ou 3 anos de idade), Hatshepsut assumiu o papel de faraó-regente, governando por quase 22 anos (de 1479 a 1458 a.C.).
Apesar de encravada numa garganta de serras do meu mundo particular, num dos vales mais profundos ou mais misteriosos da minha paisagem infantil, vivi, já velho, o estouro da barragem do Camará, esquivando-me por aqui, sem correr atrás, salvo para abraçar os familiares no estrago que o rio fez na Rua do Tacho, em Alagoa Grande, onde sobrevivia um querido tio gago de 96 anos. A torrente grossa levou-lhe a calçada.
Quem imaginaria que um dia o bicho gente voaria para lá e para cá nas asas de um passarão de metal movido a hidrocarbonetos? Incrível! E, por mais que eu decole e pouse, não perco o encantamento. Geralmente, grudo o nariz na janelinha, abro os olhos e viajo.
Existem livros que procuram explicar um poeta. Existem outros, mais raros, que procuram devolver-lhe a complexidade. A Sombra e a Quimera: escritos sobre Augusto dos Anjos, de Chico Viana, pertence a essa segunda categoria. Não se trata simplesmente de mais um estudo sobre o autor de Eu, mas de uma reunião de ensaios que procuram desmontar algumas imagens cristalizadas em torno do poeta paraibano e, ao mesmo tempo, revelar a extraordinária riqueza formal, temática e psicológica de sua poesia.
Desconheço um escritor brasileiro que brinque mais com as palavras do que Guimarães Rosa, demonstrando um profundo conhecimento de nossa língua. Atenção para o que eu afirmo: desconheço, não é que não possa existir. E o sentido de brincar, não é o da ludicidade pela ludicidade,
Estava discutindo com amigos sobre feriados, festas e outros que tais nestes tempos escuros. De repente, ante um comentário idiota, me bateu a obrigatoriedade de nós, homens, respeitarmos mais as mulheres. É que, em nosso mundinho masculino, não atinamos para a oceânica maravilha que são as mulheres. Só que, às vezes, elas também não têm conhecimento do quanto são fantásticas.
Sempre gostei de pensar. E deixo meu pensamento solto para refletir sobre o que algumas frases me dizem e mergulho em perguntas como quem abre uma fresta na janela do tempo para pensar.
Na minha vida, há frases que me fizeram pensar e crescer, e muitas delas saíram de dentro de casa, da casa da minha mainha. Meu pai, o Neguinho Durval, gostava de nos educar e de nos mostrar ensinamentos por meio de frases, pedindo para a gente parar e pensar sobre elas.
Não são muitas, são 15, no máximo, as palavras da língua portuguesa iniciadas com o dígrafo “lh”. Vamos lá: lhe, pronome pessoal oblíquo átono e as contrações das quais resultam lha, lhas e lho, lhos. Depois, temos esquisitices como lharamba, dança popular bem antiga, e lheguelhé, algo ou alguém reles, insignificante. Também, lheismo, embora, originalmente, isso diga respeito a leismo, fenômeno linguístico do espanhol, ao que eu me informo.
Na janela se debatiam as gotas de chuva, e elas tinham o seu sentido de permanência no vidro. Primeiro se chocavam no mesmo ponto e, atordoadas, escorriam até o peitoril da janela. Mas não foi assim com a lágrima de sangue no calor interno daquele quarto.
A pequena tela acima — com o retrato que fiz do Hamlet menino — não sei que fim levou. É fruto da cena que trago aqui, de meu romance "A angústia de Hamlet, segundo seu amigo Horácio, paraibano", que encerrou minha "História universal da angústia", Ed. Bertrand Brasil, 2004, e saiu em edição solo pela Arribaçã, no ano passado.
Melancolia
— Sempre esta melancolia,
estas sobras de um dia triste.
Estou assim, hoje.
Procuro alguma coisa atrás das coisas.
Não tenho pena das sobras...
É nelas que permaneço inteira.
Eu que
me sinto tantas.
Ser tantas
também é uma forma de inteireza.
E o medo?
E o fracasso?
Sempre senti uma vontade genuína de construir relações de verdade. Em um mundo onde o ódio e o rancor ganham espaço com tanta facilidade, o que eu busco é bem mais simples: conversas honestas, interações sem máscaras e a liberdade de ser quem eu sou, sem a obrigação de agradar a todo mundo ou me encaixar nas expectativas dos outros.
Santana, um bairro na Zona Norte de São José dos Campos. Foi onde ocorreu o fato que vou relatar. Comecemos por minha casa. Ficava na Av. Princesa Isabel, 1610. Vamos agora à barbearia do senhor Cincinato, que já ficava um pouquinho mais ao norte. De casa até lá, não mais que 1,5 km. Localizada na Monteiro Lobato, rua que desembocava na Paróquia de Sant’Ana, atravessando a Rui Barbosa, essa, a via principal que conectava o centro da cidade à Ponte Velha do Rio Paraíba.
... queremos um mundo colorido, onde haja sempre espaço para o vermelho, o azul, o amarelo, o verde, o cinza...
Edison Borba, Apresentação dos 40 anos da publicação do livro Flicts
Há livros que nos cativam pela beleza do texto, outros pela ilustração; existem aqueles que se caracterizam pela ousadia do projeto gráfico; quando escritores e artistas plásticos conseguem reunir esses três elementos, o leitor se sente recompensado. Ler livros bons e bonitos ainda é um dos maiores prazeres para os amantes da literatura.