As árvores artificiais de Singapura, chamadas de Supertrees, fazem parte do complexo Gardens by the Bay. Funcionam como jardins verticais. Um projeto muito ousado, ecológico e de uma enorme beleza.
O mais recente romance de Tony Belloto, Vento em Setembro (Editora Companhia das Letras, 2025), começa narrando os preparativos da iniciação sexual de Alexandre, filho mais novo de um truculento e rico fazendeiro do interior paulista. O orgulhoso e confiante pai prepara uma orgia na casa da fazenda, uma festança para dezenas de convidados homens, abastecida fartamente pelas melhores bebidas e comidas, sem falar no pequeno exército de prostitutas arrebanhado dentre as melhores do interior
GD'Art
e da capital de São Paulo. Como cereja do erótico bolo, Laura, a mais bela de todas as meninas recrutadas e reservada para o noviço a ser iniciado nas artes de Eros. As coisas não correm conforme o planejado pelo fazendeiro, mas eu não vou contar, evidentemente.
Em Duna, de Frank Herbert, se o imperador Shaddam IV tivesse se aliado à Casa Atreides, teria neutralizado seu maior risco político e, ao mesmo tempo, fortalecido a estabilidade do Império. Leto Atreides era leal, popular e governava com legitimidade; tudo o que um líder deveria querer ao seu lado, e não contra si.
15 de novembro de 1967.
Hospital e Maternidade Sinhá Carneiro.
Pombal, alto sertão da Paraíba.
Enquanto aguardava o efeito da injeção que levaria Ione ao parto — um tanto atrasado — em que nasceria Andréia, o médico, Dr. Atêncio Bezerra Wanderley — meu amigo, tio de minha mulher, o homem mais culto que conheci — e de quem fiz esse busto de bronze (abaixo), depois que se foi, disse-me:
Eu era rapazote quando ouvi falar nisso pela primeira vez. A roda formara-se na calçada de seu Antônio Leal da Fonseca, ele bem mais alto do que todos nós, a gravata solta ao vento e seus olhos esverdeados dando um brilho incomum às suas palavras.
“Erguendo-se do mar de areia dourada
Um farol de pedra, a fachada esculpida
Qaṣr Al-Farīd, de uma rocha sagrada
Único palácio, a solidão assumida (...)
Sentinela do tempo, em Al-‘Ula paira
Guardião de segredos que o vento sussurra
Contra o céu azul, sua sombra paira
Um poema de pedra, que a história murmura.”
“Sou uma Sombra! Venho de outras eras,
Do cosmopolitismo das moneras...”
Descendo das cianobactérias e das arqueas,
Sou arqué, origem de aqueus, vi-os
Arquearem o belo dorso em Tróia,
Tombarem, feito uma imensa sequoia...
A obra Zé, A Velha e Outras Histórias, de Aldo Lopes de Araújo, inscreve-se na tradição da narrativa regional brasileira, mas ultrapassa o mero regionalismo ao tocar dimensões universais da experiência humana. O livro constrói um mosaico de personagens simples — homens e mulheres anônimos — que, embora enraizados em um espaço geográfico específico, tornam-se arquétipos das tensões entre tempo, memória e sobrevivência.
Entre as metas para os primeiros meses de 2026, estabeleci arrumar uma gaveta por dia. Essa é uma atitude simbólica para me encorajar a mudar o rumo das coisas que não quero mais para minha vida. Preciso de leveza. Estou exausta de carregar tantas tralhas, físicas e emocionais. E isso não é fácil.
Nem os ministros do STF escapam do julgamento do povo. Enquanto eles julgam com base na Constituição, o povo os avalia pelo que deixam escapar além dos votos ou acórdãos que produzem e, ultimamente, muito mais por fatos que extrapolam seu ofício.
“Os lírios não nascem da lei”
Carlos Drummond de Andrade
A violência contra a mulher não é apenas doméstica. Ela é cultural. A Lei Maria da Penha olha para as relações familiares ou domésticas, mas a violência é muito mais ampla. Está em todas as relações sociais, sem distinção: é a violência motivada pelo olhar de desvalorização sobre a mulher. Nem a religião se salva. Basta ver o papel de segunda categoria que lhe está reservado, sem falar no mito que a desqualifica como ser humano e a reduz à tentação e ao pecado.
Não estou certo de que tenha sido uma cigarra aquilo que me despertou aos primeiros raios do sol. O som, bem parecido e com idêntico volume, proveio da calçada oposta à minha, onde há duas algarobas. Cigarra, até onde sei, não canta em fevereiro nem em março. É bicho de primaveras e inícios de verão.
No dia 10 de março de 1980, os paraibanos foram surpreendidos, por volta das sete horas da manhã, com uma notícia impactante: falecia o ilustre paraibano José Américo de Almeida. Morria ali o corpo físico de um ser, para emergir e consagrar a imortalidade do brasileiro-paraibano para história nacional, em várias vertentes: humanista, cultural e política.
Podas e faxinas
Necessito podas,
mais um pouco de luz
e lembretes.
Distante de mim mesmo,
me assusto,
mas é porque já passou tanto tempo.
Ainda que necessário seja
medir essa distância,
também desconstrói.