A Revolta do Quebra-Quilos, deflagrada em 1874, espalhou-se pelo Brejo e Agreste paraibano como reação popular à adoção do sistema métrico francês — imposto pelo governo imperial e mal recebido pelos feirantes, acostumados a medidas tradicionais como palmos, braças, varas, cuias e arrobas.
Hoje, dia em que rabisco estas linhas, é sexta-feira (para mim, o melhor dia da semana, porque é véspera de sábado) e acordei num cipoal de conjeturas, diria até que minha alma andou vagando pelos recantos sombrios da metafísica. Fiquei pensando em invenções que a humanidade não dá valor, nem liga para elas. Estão aí em nosso cotidiano e não são devidamente reconhecidas. Querem ver uma? Aliás, duas? Vejam: o garfo e a colher. São duas ferramentas complementares, pois não comemos um bife com colher e nem tomamos sopa com um garfo. E, diante do que vou apresentando, creio ser conveniente fazer um questionamento: o que seria de nós se esses dois utensílios não existissem? Que caos seria? É só imaginarmos Angelina Jolie, aquela criatura linda que só, comendo macarronada com as mãos. Penso no entorno daqueles lábios tentadores e imagino a região toda suja de molho de tomate, com uns restinhos de queijo ralado ali colados para depreciar mais ainda essa visão sombria. E vocês, já pensaram? Até desanimei!
A incapacidade crônica de dizer 'não' está intimamente ligada à compulsão por agradar. Essa dificuldade refere-se especificamente à paralisia psíquica que acomete o sujeito no momento em que ele precisaria impor um limite claro ao outro. O medo de contrariar, de decepcionar ou de provocar a raiva alheia faz com que o indivíduo concorde com situações que o prejudicam, aceite tarefas abusivas e permaneça em posições de exploração afetiva, profissional e familiar.
O poeta se impõe por si. Não pelo anúncio, mas pela obra.
Pode ser múltiplo, exercer os mais variados ofícios, habitar diferentes territórios da existência. Mas há nele uma singularidade que não se improvisa. Algo incomum entre os mortais: a capacidade de tocar o invisível e dar-lhe corpo pela palavra.
A posse do professor e escritor João Batista de Brito na Academia Paraibana de Letras é um momento para relembrar. Foi uma noite em que a poesia, o cinema e a teoria literária ganharam uma maior dimensão para marcar a chegada dele à casa do pensamento paraibano. Leitor profícuo e tradutor do inglês para a língua portuguesa, João Batista reuniu, na sexta-feira, dia 25 de agosto, antigas e novas revelações da arte de escrever. Uma noite engalanada, enriquecida com os dois discursos, do empossando e do poeta Hildeberto Barbosa Filho, que falou em nome dos demais acadêmicos.
Foi aprovado esta semana, no Congresso, o fim da escala 6 x 1. Ou seja, a partir de dezembro, o trabalhador terá dois dias de descanso, frente a cinco de trabalho, sendo que um caia no domingo. Não é pouca coisa. Um dia a mais para o lazer, para a convivência familiar, para ficar na rede, ir à praia, cuidar do jardim e/ou dos filhos. Tratando-se da classe trabalhadora, sabemos que esse lazer está difícil. A carestia e a luta pelo pão de cada dia não deixam brecha para consumir cultura, lazer ou simplesmente descansar. Mas, mesmo assim, é um ganho histórico para quem trabalha a semana toda.
“Estou com o presidente; é preciso legalizar o porte de armas. O mundo está muito violento, e a gente tem que se defender das ameaças que sofre todo dia. Não que eu vá sair por aí dando tiros; só farei isso em caso de necessidade. E convenhamos que eles são muitos. Ontem, por exemplo, notei um sujeito olhando fixamente para as pernas de Odete, minha mulher. Ela tem, de fato, pernas bonitas e gosta de usar uns vestidos curtos para mostrá-las. Até já brigamos por causa disso, mas eu cedi depois de ela dizer que não era justo que eu, por um ímpeto machista, buscasse ‘suprimir’ uma parte do seu corpo.
Existe uma forma de desaparecer sem sair do lugar. Acontece quando continuamos caminhando pelas ruas, frequentando os mesmos cafés, cumprimentando conhecidos e participando das conversas. Mas, de alguma maneira, deixamos de ser percebidos. Estamos presentes e não somos notados. Somos lembrados para algumas coisas, mas raramente desejados para outras.
É linha da vida que se abre cheia de tracinhos salteados, ora sem interrupções. A velocidade une os intervalos do asfalto, do concreto. As imperfeições somem; agora tudo é apenas uma sequência perfeita. À frente, novas curvas, quebra-molas, buracos, cidades e destinos. Pelo retrovisor, é só uma olhadela rápida no passado, uma conferida, talvez uma cautela necessária para avaliar a rota, os marcadores, os atos do roteiro.
O mais produtivo dos nossos autores aldeãos lançou recentemente mais duas produções: Sarafim, Reino Encantado e Nunca mais quero tudo, ambos com o selo da Ideia Editora, sinônimo de qualidade. Os livros têm pouco mais de cem páginas cada um, como costumam ser as reuniões de poemas, mas diferenciam-se em alguns aspectos.
Entre o final da década de 1990 e os primeiros anos do século XXI, eu costumava frequentar, em Campina Grande, o Encontro para a Nova Consciência, uma iniciativa que demonstrava ser possível aproveitar o Carnaval para alguma coisa além de ressacas, confissões constrangidas e promessas de abandonar a bebida na quarta-feira de cinzas.
O artigo Tendências do pensamento brasileiro, do filósofo e professor Octavio Ianni (1926–2004), foi publicado em novembro de 2000, na revista Tempo Social (v. 12, n. 2, p. 55–74), da Universidade de São Paulo (USP). O texto apresenta um panorama analítico da tradição intelectual dedicada à formação social, política e econômica do Brasil. A tese central de Ianni é que o Brasil se distingue por ser um país que “se pensa contínua e periodicamente”, sobretudo em conjunturas críticas ou em momentos de ruptura histórica. Para o autor, o conjunto de interpretações nacionais e estrangeiras constitui tanto um esforço sociológico de explicação das forças sociais quanto uma complexa narrativa ficcional e metanarrativa produtora de significados sobre a identidade nacional.
Não sei se melhor seria envelhecer por igual, física e mentalmente — o descenso em harmonia com o corpo e a mente —, ou ter o juízo a andar sem obediência ao fôlego e à disposição das pernas e dos pés.
... no Grande Teatro do Mundo... ficaria muito longo o título, se bem que "perfeito". Coloco aspas, porque seria muita ousadia chamar um título de "perfeito". Na Espanha, sempre entrevisto ou encontro um fantástico professor, que me traz à mente a seguinte brincadeira: ao me apresentar pela primeira vez, eu teria dito "Olá, sou Denise", e ele responderia "Sou Perfeito" (note-se a letra maiúscula). Ao que pensaríamos: "ninguém na Terra é perfeito", mas ele é! Se chama Perfecto! Que interessante nome!
Existem livros que não se limitam a contar uma história: eles reabrem uma porta que o tempo julgava definitivamente fechada. Sarafim, Reino Encantado, de Hildeberto Barbosa Filho, pertence a essa espécie rara de obra em que literatura, memória, paisagem e existência se encontram numa mesma corrente subterrânea. O Sarafim não é apenas um lugar geográfico da infância do autor.
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É, sobretudo, um território interior, uma espécie de pátria íntima onde permanecem vivos os seres, os animais, os afetos, as paisagens e as primeiras descobertas que constituíram o homem antes que o homem se tornasse escritor.