Algumas pessoas me perguntam por que, na língua portuguesa, o nome dos numerais cardinais 11, 12, 13, 14 e 15 não possui a mesma lógica dos cardinais 16, 17, 18 e 19, em que se vê a associação do 10 mais 6, 7, 8 e 9. Respondo que, realmente, não se vê com nitidez, mas a lógica é – acreditem – exatamente a mesma, pelo menos até o 17.
Alguns empresários que disputaram a eleição de uma associação aqui na Paraíba decidiram criar um grupo de zap para orientar suas ações durante a campanha. Perderam a eleição, porém o grupo de zap continuou ativo, composto por pessoas que tinham perfis absolutamente diversos. Seguiram assim até que, um dia, alguns integrantes do grupo começaram a convidar os demais, com urgência, para uma manifestação que estavam fazendo naquela hora em favor de Bolsonaro. Mandavam fotos e vídeos, reclamando a presença de todos naquele ato.
“O combinado é o justo? E o justo é o combinado?” Semanticamente, essas frases fazem um malabarismo perigoso. “Combinado” é algo contingente, temporal, muitas vezes fruto de poder assimétrico, cansaço ou pura preguiça. “Justo”, por sua vez, carrega a pretensão de algo que transcende o mero acordo, pelo menos na tradição ocidental que ainda fingimos respeitar.
Quando a Paraíba, por ocasião do centenário de nascimento de Augusto dos Anjos, procura a maneira mais justa e expressiva de reverenciar a memória do poeta que se disse, liricamente, “a mais hedionda / generalização do
Augusto dos Anjos ▪️ Arte: Tonio
desconforto”, não poderia encontrar melhor direção que esta: expor as oscilações da crítica brasileira, há 72 anos, intentando percorrer as veredas inóspitas e solitárias do EU.
Estou com saudade do amigo Joe. Esse camarada só tem um defeito: quase não fala português. O pouco que aprendeu da “última flor do Lácio” deve-se ao casamento com Iracema, no tempo em que as Iracemas muito voavam para a América, como na canção de Chico. Casamento de conveniência, digamos assim. Ela precisava do green card e, ele, daquela morena de cintura fina e riso largo. Os dois tiveram um namorico em João Pessoa quando Joe por aqui pôs os pés pela primeira vez.
Dear God: o diário de Fever constrói-se como uma narrativa de forte densidade emocional e política, ancorada em um dos períodos mais sensíveis da história brasileira: a década de 1960. Mais do que um romance de formação, a obra se apresenta como um testemunho íntimo de uma consciência em conflito, onde o gesto de escrever ultrapassa a dimensão confessional e assume contornos de resistência.
O Espiritismo é uma doutrina de caráter científico, filosófico e religioso, revelada pelos Espíritos Superiores sob a coordenação do Espírito da Verdade e codificada por Allan Kardec no século XIX. Fundamenta-se em princípios que buscam explicar a origem, a natureza e o destino do Espírito, bem como sua relação com o mundo material e espiritual.
Nos dias em que a realidade se apresenta como um campo de batalhas entre conflitos e desigualdades, é comum nos sentirmos sobrecarregados. As atrocidades que permeiam a sociedade — guerras, crises sociais e discussões acaloradas — podem nos conduzir a um estado de angústia e impotência. No entanto, é precisamente nesse cenário que a filosofia diária se revela uma aliada poderosa,
TRADUTTORE TRADITORE (Tradutor traidor) — diz o aforismo italiano, em trocadilho... que não se repete em português, num dos melhores exemplos de que todo CONHECIMENTO É realmente APROXIMADO, como assegura o célebre ensaio de Gaston Bachelard.
Já faz um tempinho que fui dar uma espiadela em meu saldo bancário e descobri que o valor correspondente à minha aposentadoria não havia sido depositado. Mais um aborrecimento, dentre muitos que tenho suportado de nossa Previdência. O primeiro foi quando fizeram os cálculos para estipular o valor do benefício que me caberia e criaram novas regras desconsiderando anos e anos que contribuí com os cofres do governo. Vieram outros e finalmente esse que comecei
No natural da vida, o esquecimento, a ausência de ensaios. O passado pode ser presente e o presente já é passado, ou já é futuro? A primavera e o seu improviso de trazer flores nunca iguais, mas sempre condensando eflúvios e belos tons multicoloridos. As estações desse ciclo estão para nos recordar o que fizemos em cada etapa.
O poeta Murilo Mendes nasceu há 125 anos, precisamente no dia 13 de maio de 1901, e para lembrar da data retorno a seus livros carregando interrogações. A sua poesia sempre respondeu às minhas ansiedades e apontou caminhos místicos.
É padecer no paraíso! Só um homem pode ter inventado uma definição dessas, a exaltar-nos a esse lugar impossível de se chegar e minimizar a dor de ser mãe com a promessa desse lugar divino.
Escreve bem quem pensa bem. Uma das condições para isso é evitar erros lógicos, que denotam falhas no raciocínio e afetam a coerência. Tais erros comprometem qualquer tipo de texto, mas são especialmente nefastos naqueles (como o dissertativo-argumentativo) em que o rigor na articulação das ideias é fundamental.
Cada um tem sua própria maneira de encontrar a felicidade, e ela se molda ao tamanho de quem a sente.
Para uns, ela chega com o entusiasmo de um novo amor, aquele que vira o mundo de ponta-cabeça. Para outros, ela mora na quietude de uma tarde com os netos, entre o cheiro de bolo assando
Voam notas de rock'n'roll, e eu imito o velho balanço de corpo que tantas vezes rodopiou nas pistas de dança da Notorius ou de Arnaldo. Bruce Springsteen, “Dancing in the Dark”, e meu coração se aquece.