Há um estranho paradoxo em nosso tempo, porque nunca estivemos tão conectados digitalmente, e ao mesmo tempo nunca tenha sido tão fácil sentir-se sozinho.
Acordamos, e antes mesmo de perguntar ao corpo se ele descansou, perguntamos ao telefone o que aconteceu no mundo. Há mensagens, notícias, vídeos, opiniões, fotografias de vidas
O que “Pão”, de Guilherme Arantes, revela sobre as nossas buscas essenciais
Há canções que passam pelos ouvidos e há aquelas que se instalam na gente como quem chega para ficar. “Pão”, de Guilherme Arantes, pertence à segunda categoria. É uma obra que não grita, não exige e não se impõe; aproxima-se com cuidado, quase como quem pede licença para tocar no que temos de mais íntimo. No fundo, trata-se de uma composição sobre o essencial: aquilo que sustenta mais do que o corpo e que, silenciosamente, nos mantém vivos por dentro.
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Nesse cenário, o pão deixa de ser apenas alimento para se tornar símbolo, presença e cuidado — o mínimo que se transforma em máximo diante da escassez. Ao longo da vida, cada um de nós é desafiado a redefinir o significado desse alimento que tanto buscamos.
Por mim, quem estaria na Academia Brasileira de Letras seria Caetano e não Gilberto Gil, como representante da MPB. Não que Gil não mereça, isso ninguém discute, tal a sua importância como compositor e renovador de nossa música popular, mas é que Caetano é mais escritor, mais intelectual, mais pensador, isso também não se discute, creio eu. Caetano é mais literário, em suma. Mas pouco importa esse negócio de ABL para ambos, pois os dois estão além dessa mundanidade, ícones que são da cultura brasileira, de meados do século passado até agora. A propósito, não consigo imaginar Caetano de fardão.
Marília Arnaud construiu um percurso literário marcado pela precisão da linguagem e pela capacidade de transformar sentimentos em imagens, lembranças em matéria literária e silêncio em música.
— Devagar! Tiquinho, você ainda mata sua avó de susto!
Dona Severa ainda não se acostumara com os dez anos de correria de Tiquinho. O neto querido era seu maior tesouro, entregue a ela logo após o parto que tirou a vida de sua filha.
O pequeno entrou correndo na cozinha, esbaforido, como de costume, e foi logo perguntando:
Nos distanciamos um do outro e, assim, passou-se uma vida – a bem dizer, duas – com o velho exemplar da Antologia Nacional entre as relíquias da amiga.
PAZ
A paz é o retorno do que se recorda,
de que existe algo como um impulso,
que te joga longe, além da revolta,
e te diz que há vida, mesmo no absurdo.
ENCONTRO
Tenho encontrado algumas casas
onde posso deitar na terra,
sentir as raízes dos homens;
o distrato com as causas perdidas.
Os que partem, os que festejam,
os passos aleatórios,
o anonimato de algumas vozes
são o feixe das vidas que apreendo
— o nome das casas.
É no reboco, no desmantelo das tintas,
que estão as histórias,
o emaranhado do tempo das mãos,
o limite dos segredos das paredes.
Tranco a porta quando
encontro estas casas,
busco em seu silêncio
a traição das verdades transitórias
e se algum nome se confunde com o meu.
A morte de um grande poeta nunca é apenas um acontecimento biográfico. Ela representa o silenciamento de uma consciência que aprendeu a traduzir em linguagem aquilo que a maioria apenas sente. Quando desaparece um escritor da estatura de Alexei Bueno, não se extingue somente uma voz singular da poesia brasileira contemporânea; encerra-se uma biblioteca viva, uma inteligência estética moldada por décadas de leitura, reflexão e fidelidade ao mais elevado conceito de literatura.
Em carta a João Condé, aquele da coluna “Arquivos Implacáveis”, publicada, originalmente, no jornal A Manhã e, depois, na revista O Cruzeiro, Guimarães Rosa revela alguns segredos de seu primeiro livro, Sagarana, que veio a público no mesmo ano da famosa coluna (1946). Pincemos duas dessas “revelações” do autor de Grande sertão: veredas, sobre os contos “Traços biográficos de Lalino Salãthiel ou A volta do marido pródigo” e “Conversa de Bois”.
Já escrevi sobre o tema. Se eu estiver em qualquer ambiente com cinco, dez, quinze pessoas e chegar um bêbado ou um doidinho, com certeza eles irão colar em mim. Adoro.
Me sinto esquisito; muitos me acham esquisitíssimo, simplesmente porque reajo. Reajo feliz e perguntando; reajo quando algo não fecha, não bate no meu juízo, nem a pau. Procuro lógica, busco um denominador comum para um sentimento que me atinge quando querem que eu seja de outro planeta.
Eis que me bate uma inveja imensa da Noruega. Isso é coisa muito condenável? “Ééé, siiim! É um dos sete pecados capitais”, responde aquela que me atura há quase 50 anos. Percebo, então, que me arrisco a ir para os quintos do inferno com tripa e tudo, a não ser que eu me ajeite antes de bater as botas. Mas, não adianta. Morro, mesmo, de inveja da Noruega.
Durante dois anos e meio, um grupo de oficiais do Exército, da Força Pública de São Paulo e alguns civis percorreu o país motivado pelo sonho de transformar a nação. Esses dignos e honrados revolucionários engrossaram as fileiras da chamada "Coluna Prestes", numa das mais extraordinárias marchas armadas do país.
Nos dias contemporâneos, a filosofia ressurge como uma aliada essencial na busca por compreensão e sentido em meio a um mundo em constante transformação. Filósofos como Sérgio Mário Cortela, Leandro Karnal, Clóvis Barros Junior e Luiz Felipe Pondé têm contribuído de maneira significativa para o debate público, instigando a reflexão sobre questões que permeiam a existência humana.
Não pense o estimado leitor e a querida leitora que ocupo espaço deste abalizado blog para maledicências. Nada disso. Para mim, a vida de cada um é a vida de cada um; já ouvi isso sei lá onde. Ninguém tem que se meter, nem ficar de leva e traz com o que não é da sua conta. Mas tem coisa que não dá para ficar guardada no baú de nossos segredos. É o caso que vou contar aqui. Nem seria justo esconder de quem me prestigia com sua leitura uma pantomima dessa qualidade.
A identidade se refere à parte do nosso ser responsável pelo entendimento de quem somos, de modo a nos diferenciarmos e nos constituirmos como sujeitos. Porém, isso ocorre quando passamos a analisar o outro de forma a validar ou invalidar aspectos alheios.