Que sorriso bonito o da pequena Rafaela. Ficou ainda mais fofo depois da brecha deixada pelo dente de leite espontaneamente caído e de...

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Que sorriso bonito o da pequena Rafaela. Ficou ainda mais fofo depois da brecha deixada pelo dente de leite espontaneamente caído e dedicado ao mourão com os dizeres: “Mourão, mourão, toma este dente podre e me dá um são”. Ao mourão, sim, pois símbolo de força e resistência bem fincado no terreno para o sustento das porteiras que

As tensões entre as interpretações jurídicas contemporâneas — especificamente no Brasil — destacam-se pela necessidade de adaptar a t...

ponderacao coerencia racionalidade direito principios discricionariedade
As tensões entre as interpretações jurídicas contemporâneas — especificamente no Brasil — destacam-se pela necessidade de adaptar a técnica da ponderação de princípios, impulsionada pelas contribuições do filósofo e jurista estadunidense Ronald Myles Dworkin (1931-2013) e do jurista e filósofo alemão Robert Alexy (1945-2026). Todavia, em contraste com o otimismo doutrinário, crescem as preocupações relativas ao uso abusivo dessa técnica, argumentando-se que a ponderação viabiliza um aumento excessivo da discricionariedade judicial, gerando prejuízos à segurança jurídica e
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à legitimação do Poder Judiciário. Para conter esses riscos, intensificou-se o esforço metodológico voltado a elevar a racionalidade da ponderação, cujas propostas se organizam em quatro tendências centrais: coerência, razão pública, decomposição analítica e predefinição de normas.

Estou aqui, arrumando a cabeça de meu pai neste caixão que colocaram de qualquer jeito no necrotério do hospital.

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Estou aqui, arrumando a cabeça de meu pai neste caixão que colocaram de qualquer jeito no necrotério do hospital.

A liberdade de expressão é um dos pilares fundamentais de qualquer sociedade democrática. Ela permite que indivíduos exprimam suas o...

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A liberdade de expressão é um dos pilares fundamentais de qualquer sociedade democrática. Ela permite que indivíduos exprimam suas opiniões, ideias e sentimentos sem medo de represálias. No entanto, essa liberdade não é absoluta e deve ser exercida com responsabilidade, respeito e empatia, especialmente em um contexto no qual as palavras podem ter

Poucas experiências intelectuais e afetivas são capazes de transformar tão radicalmente a nossa percepção da existência quanto o en...

pedro nava memorias
Poucas experiências intelectuais e afetivas são capazes de transformar tão radicalmente a nossa percepção da existência quanto o encontro fulgurante com a obra de Pedro Nava.

Ao romper a lacra do baú existencial em Baú de Ossos, o leitor não encontra apenas reminiscências de um tempo idos, mas é arremessado no centro de um furacão verbal de beleza assustadora.
pedro nava memorias
O autor opera uma autêntica ressurreição da memória, utilizando a precisão de sua formação médica combinada à sensibilidade transcendental de um poeta. Cada página resgata as ossadas de um Brasil ancestral, cobrindo-as com a carne pulsante e aquecida de uma linguagem refinada, na qual personagens familiares, casas centenárias e ruas esquecidas ganham uma vida quase espiritual diante de nossos olhos. Devorar este livro é aceitar um convite para uma paixão avassaladora e sem retorno.

A força magnetizante desta narrativa reside na virtuosidade com que Nava transfigura o cotidiano em mito, fazendo com que o som de passos em um assoalho antigo ou os sussurros nos corredores de Juiz de Fora e do Rio de Janeiro soem como acontecimentos de escala épica. O autor não narra apenas o seu passado; ele constrói uma catedral de sensações, onde os aromas, os objetos e as sombras de uma época ganham um relevo tridimensional que enreda o leitor da primeira à última linha, tornando impossível interromper a leitura, render-se a esta obra-prima é um privilégio raro e inesquecível.

pedro nava memorias
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Esta prosa aristocrática, marcada por uma sofisticação estilística hoje quase extinta, oferece um banquete estético de erudição e sensibilidade, no qual cada vocábulo desempenha um papel milimetricamente orquestrado. A profundidade com que os retratos psicológicos são traçados revela um observador genial da alma humana, transformando a memória individual em um grande espelho universal sobre o qual a nossa própria identidade é refletida e redescoberta com encantamento.

pedro nava memorias
Pedro Nava (1903–1984), médico, escritor e memorialista mineiro, nascido em Juiz de Fora. Sua produção literária ganhou destaque a partir de Baú de Ossos (1972), primeiro de uma série de livros de memórias em que entrelaçou lembranças pessoais, história familiar e observação da sociedade brasileira.
Ignorar esta leitura é privar a mente de um dos maiores tesouros já escritos, recomendar Baú de Ossos torna-se, portanto, um ato de devoção à arte suprema da escrita e uma urgência para qualquer um que deseje ser tocado pela beleza estética e pela emoção pura. Esse é o meu testemunho apaixonado de amor a uma obra monumental que nos transforma para sempre, garantindo que o leitor, ao fechar a última página, nunca mais olhe para o próprio passado com os mesmos olhos.

Eu confesso que, além de ter visto uma foto das estrelas numa revista velha, que guardei no armário de tralhas, também me motivei a es...

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Eu confesso que, além de ter visto uma foto das estrelas numa revista velha, que guardei no armário de tralhas, também me motivei a escrever sobre esse assunto vendo um post de um jovem fotógrafo profissional sobre Andrômeda, a galáxia que ele capturou nas suas lentes. Ele falava de uma forma tão entusiasmada e poética. A bela poética espiralada das galáxias irmanadas nos céus do universo interestelar.

Como já mencionamos algumas semanas atrás neste poderoso rotativo, Chico Palito é o mais célebre mentiroso de Santa Rita, cidade local...

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Como já mencionamos algumas semanas atrás neste poderoso rotativo, Chico Palito é o mais célebre mentiroso de Santa Rita, cidade localizada aqui nos limites da capital paraibana. Estou aqui, cometendo estes rabiscos, pois, em meu modesto entender, Chico Palito deveria ser alçado à condição de celebridade, tal sua criatividade, sua capacidade inventiva e a bossa de contar seus causos. Vamos, então, a mais três de suas fantasiosas narrativas.

Há palavras que usamos tanto que, de tão repetidas, quase deixam de nos provocar.

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Há palavras que usamos tanto que, de tão repetidas, quase deixam de nos provocar.

O amor frequentemente aparece envolto de ilusões românticas idealizadas pela cultura popular. Contudo, amar exige uma vulnerabilidade ...

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O amor frequentemente aparece envolto de ilusões românticas idealizadas pela cultura popular. Contudo, amar exige uma vulnerabilidade estrutural: implica expor a própria falta ao outro, renunciar ao controle onipotente e aceitar que o parceiro jamais preencherá totalmente as nossas lacunas existenciais. Não obstante, para muitos sujeitos, o ato de amar transforma-se em uma fonte incessante de angústia.

Mais de cinco décadas desde quando avistei pela primeira vez as esculturas de bronze em altos pedestais na Praça João Pessoa, ai...

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Mais de cinco décadas desde quando avistei pela primeira vez as esculturas de bronze em altos pedestais na Praça João Pessoa, ainda agora, ao passar pelo lugar, arrebatam-me as imagens refletidas de cada peça simetricamente esculpida. Eu olhava, mas não entendia aquelas estátuas.

Hoje é o aniversário dele. Meu filho caçula. Em setembro, na primavera, pari duas vezes, com espaço de 8 anos. Lucas veio primeiro. O...

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Hoje é o aniversário dele. Meu filho caçula. Em setembro, na primavera, pari duas vezes, com espaço de 8 anos. Lucas veio primeiro. O primeiro susto e amor incondicional. Depois chegou esse menino dos olhos de jaboticaba. Morando em São Paulo há cinco anos, trabalhando e enfrentando as feras de todas as forças brutas de que falou Caetano Veloso.

Aproveitei a releitura de Memórias Póstumas de Brás Cubas para trocar um dedo de prosa com o seu autor. “Trocar” não é bem o termo, p...

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Aproveitei a releitura de Memórias Póstumas de Brás Cubas para trocar um dedo de prosa com o seu autor. “Trocar” não é bem o termo, pois só quem falou foi Machado. Eu me limitei a fazer perguntas e a escutá-lo, com a respeitosa atenção que se deve aos mortos — sobretudo àqueles que continuam mais vivos do que muitos contemporâneos. Nossa conversa, além de instrutiva, serviu-me para matar o tédio de um dia sem graça.

Certa manhã, a vida encontrou o Tempo sentado à beira de uma estrada. Não havia relógio por perto, nenhum calendário, nenhuma pressa....

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Na apresentação do livro de Francisco Gil Messias , na Academia Paraibana de Letras, o professor Milton Marques chamou a atenção do ...

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Na apresentação do livro de Francisco Gil Messias, na Academia Paraibana de Letras, o professor Milton Marques chamou a atenção do leitor para o personagem Paulo Honório, personagem-narrador do romance S. Bernardo. O escritor estreante queria escrever um livro contando a sua vida, convocou alguns amigos “sabidos” para auxiliá-lo na missão de escrever um romance. Irritou-se com João Nogueira, um dos parceiros, que teria a missão de organizar a ortografia, a pontuação e a sintaxe do livro. O fato da irritação com o amigo era porque queria escrever um livro “em língua de Camões, com períodos formados de trás para diante.”

A cada vez que leio um novo livro de poemas – o que faço com alguma frequência –, convenço-me da resistência desse gênero literário...

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A cada vez que leio um novo livro de poemas – o que faço com alguma frequência –, convenço-me da resistência desse gênero literário e até mesmo de sua eternidade. Não importa que os leitores não sejam muitos, mas são tantos os que escrevem e publicam poemas que a sobrevivência da poesia parece estar assegurada mais pelos que produzem que pelos que consomem. Talvez seja um caso único na literatura. Mas antes assim.

A questão da criação a partir do nada é um problema que já intrigava o pensamento antigo. Parmênides sustentava que, do nada, nada po...

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A questão da criação a partir do nada é um problema que já intrigava o pensamento antigo. Parmênides sustentava que, do nada, nada poderia surgir; Platão imaginava um demiurgo ordenando uma matéria já existente; Aristóteles concebia um cosmos eterno.

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