Poema Sobre as Obras da Terra representa um dos momentos mais ambiciosos da produção poética de W. J. Solha. Longe de restringir-se à contemplação da natureza, o poema transforma a própria Terra em protagonista de uma vasta epopeia da inteligência, da matéria e da criação. A Terra deixa de ser mero cenário da existência humana para converter-se em sujeito ativo da história, fazendo do homem uma de suas manifestações mais complexas. Essa perspectiva constitui o eixo filosófico da obra e aproxima a poesia de uma visão cosmológica da realidade.
Um cordel não "em português", se assim posso dizer, mas português "da gema", vivido e vivenciado no coração da Amazônia. Assim é o cordel que hoje vos apresento, para não perder o tom português. Peço que "ultrapassem" minha digressão até chegar à parte em que falo sobre o referido cordel. Adianto que tudo, na minha mente, tem a lógica da "introdução", desta vez sobre essa linda forma de literatura, o belíssimo cordel, e que, sim!, correu tanto o mundo que agora tem um português escrevendo um sobre
O conto “Conversa de bois”, de Guimarães Rosa (Sagarana, 72ª. Ed, Rio de Janeiro, Nova Fronteira, 2017), no que diz respeito à construção de sua fabulação, fundamenta-se em três narrativas, uma genérica e duas específicas. Genericamente, o conto é uma fábula, no sentido primeiro dessa palavra, como narrativa que dá voz aos animais. Para que fosse alcançada a realização dessa fábula, o autor, de modo sutil se apropria de uma passagem da Odisseia, de modo que possamos conhecer de onde
Numa madrugada do ano de 1982, partimos de Teresina para Porto Velho, quase quatro mil quilômetros de distância. Ivan, Josafá, Mingo e eu, a bordo de uma caminhonete comprada na véspera. Tão ansiosos que nem emplacamos a possante; achávamos que a nota fiscal da concessionária bastaria. Não bastou.
Tempo, tempo, tempo...
Senhor digno e divino.
Ensina-me a bater à porta sem medo, sem culpa.
Ensina-me a descer sem arrastar ninguém junto. A morrer inteiro, mesmo quando o corpo já não mais cabe em si.
Existe uma pergunta que atravessa toda a existência humana e costuma aparecer apenas quando já estamos diante do abismo: se fomos livres para escolher quase tudo durante a vida, por que deixamos de ser livres justamente diante da morte?
Eu dançaria, de muito bom grado, no enlevo da melodia e na pulsação dos versos de Kledir Ramil, com a mulher que tenho comigo lá se vai quase meio século. Refiro-me ao Kledir da famosa dupla com Kleiton, autores e intérpretes de sucessos que fizeram o Brasil cantar de Norte a Sul, sobretudo, na primeira metade dos anos de 1980. Sim, falo dos irmãos Ramil, os dois gaúchos que estouraram, nacionalmente, combinando o regionalismo sulista com as baladas da época. Os mais adentrados hão de lembrar de “Deu pra ti”, “Vira Virou” e “Paixão”.
Silvino Olavo – ou simplesmente Sol – foi o poeta que recepcionou Mário de Andrade na Paraíba, com outros intelectuais de renome, quando o escritor de Macunaíma fazia a sua “viagem etnográfica”, patrocinada pelo Diário Nacional, jornal paulista que circulou de 1927 a 1932. Ele ajudou o folclorista fazendo contatos locais na Capital e em passeios pelas cidades da Parahyba e do Rio Grande do Norte.
O desenvolvimento tecnológico, a aceleração dos processos comunicacionais e a crescente valorização da competitividade têm contribuído para a formação de sociedades cada vez mais individualistas, marcadas pela fragmentação dos vínculos humanos e pela redução dos espaços de convivência. Nesse contexto, a educação artística, especialmente por meio do canto coral, emerge como uma importante prática de formação humana, capaz de promover a reeducação da sensibilidade, fortalecer os laços comunitários e contribuir para o desembrutecimento social. Também constitui uma experiência estética, ética e política que favorece a construção da empatia, da cooperação e do reconhecimento do outro.
A filosofia, desde suas origens, tem sido um espaço de reflexão profunda, onde as perguntas muitas vezes são mais importantes que as respostas. O que é, afinal, o conhecimento se não uma busca interminável? E nesse caminho, encontramos pensadores que desafiaram o status quo, que questionaram a essência do ser e da moralidade. No entanto, é essencial lembrar que a verdadeira sabedoria não reside apenas na acumulação de conceitos,
Há anos venho lutando para que se faça mais pela memória de Augusto dos Anjos. Quando tomei posse na Academia Paraibana de Letras, em 2020, levei uma muda do Tamarindo de Augusto, plantada por mim, com sementes de uma vagem que peguei embaixo de sua copa, no espaço que foi, outrora, o Engenho Pau d’Arco. Plantei a muda na APL. Ela floresceu, mas tivemos de mudá-la de lugar, por estar sufocada por uma buganvília e uma mangueira. Estamos esperando que ela dê sinal de vida.
Cá entre nós, um pai que põe o nome da filha de Emengarda não tem Jesus no coração. Não pode ter. A infeliz vai arrastar esse padecimento até o final de seus dias. Foi o caso que repasso para estas linhas.
Affonso Romano de Sant’Anna, poeta, professor, crítico literário e cronista, afirmava que o “cronista é crônico”, isto é, “doente do seu tempo”, mas que não se deve limitar-se à marcação cronológica , sob o risco de produzir textos datados.
Affonso Romano de Sant’Anna (1937–2025), poeta, cronista, ensaísta, crítico literário e professor mineiro, natural de Belo Horizonte. ▪ Fonte: YT Global
Há alguns meses, recebi o convite do jornalista André Cananéa para participar de um programa da Rádio Parahyba FM, E com vocês. Uma alegria! Ainda mais quando vi os nomes dos outros convidados: Ney Matogrosso, Everaldo Pontes, Marília Arnaud, meu amigo Nelson Barros, entre tantos. Tinha feito notas para escrever algo, mas o cotidiano engoliu minhas ideias, e o tempo foi passando até que li o texto de Nelson, “Música, sempre ela”, na edição de A União de 19/06. Senti-me representada, mas também desafiada a escrever uma crônica de uma trilha toda minha.
Certa vez, quando concelebrava uma missa com um padre, justamente no dia em que se tinha como texto para reflexão o Sermão da Montanha, de repente uma borboleta amarela pousou no alto da cruz de madeira posta ao lado do altar e executou sua típica coreografia. Depois de algum tempo, saiu borboleteando pela nave da igreja, encontrou uma janela aberta e foi embora. Todos, calados, contemplaram a visitante. Terminada a leitura da passagem bíblica, o padre ficou silencioso. Não comentou a passagem das Bem-aventuranças. Apenas disse: “Reflitam sobre a cena que acabamos de presenciar”. Prosseguiu com o rito da celebração. O sermão dele resumiu-se à contemplação da borboleta.
O abuso ou o emprego pouco vernáculo do gerúndio, também conhecido por endorreia, é mal antigo em nossa língua. Rodrigues Lapa dá como exemplo dessa prática o uso do gerúndio com o valor de atributo, em frases do tipo: “Recebeu uma caixa contendo (que continha) roupas”. Mas ele não se mostra satisfeito com a correção proposta pelos puristas; vê em “que continha” uma construção artificial, “estilisticamente inferior”, e pondera que “o uso do gerúndio é em certos casos preferível à oração relativa”.