Já tentei ser um intermitente da própria vida. Quem nunca? Quem não tentou não tem consciência da precariedade que é viver e, também, do quanto é bom enamorar quando cada crepúsculo se interpõe à porta. A poesia, a real, aquela que nos desinstala, (des)conserta, expõe o primeiro e derradeiro grito, mostrou-me que há mistérios que não podemos mensurar. É assim que misturo meu sangue ao de outros.
O pensamento do filósofo, crítico de arte e escritor francês Denis Diderot (1713–1784) está inserido no Iluminismo, que teve início no final do século XVII e se estendeu até 1789, com a Revolução Francesa. Esse movimento defendeu o uso da razão, da ciência e da liberdade individual contra o absolutismo dos reis, que governavam sem restrições
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parlamentares ou constitucionais, criando leis, impostos e exercendo a justiça de forma soberana e irrestrita, bem como contra os poderes econômicos e ideológicos das instituições religiosas, frequentemente associados à alienação e à miséria dos povos.
Nesse processo, o ceticismo configura-se como uma atitude crítica voltada à superação da ignorância e do dogmatismo. Diderot compreendeu o ceticismo como uma postura epistemológica ativa, capaz de interromper a aceitação passiva de discursos autoritários e de incentivar o exercício da autonomia intelectual.
No final do mês de março foi lançado livro Paraíba – Muito Além do Sol e do Mar -, sem dúvida uma obra preparada com esmero para exaltação da cultura, das paisagens naturais e históricas da nossa terra. Livro com destacável apresentação e impecável acabamento gráfico. Entretanto, seu conteúdo tem deslizes evitáveis com apurada revisão de subsídios históricos.
Vez por outra nos deparamos com boatos que prognosticam o fim do mundo. Em 2012, por exemplo, um deles apareceu com muita força. Dizia-se que naquele ano o mundo infalivelmente ia se acabar, e os que mais se frustraram com a não realização desse vaticínio foram os desencantados com a espécie humana. Embora soe absurdo, o alarme sobre o fim dos tempos ainda impressiona muita gente. Basta ver quantos se prepararam para o desastre.
Comecei a perceber isso no meio de uma terça-feira qualquer. Eu estava no ponto de ônibus quando vi uma senhora com um carrinho de feira cheio de sacolas e, de repente, minha garganta apertou. Não era tristeza, tampouco nostalgia. Não era nada que eu soubesse nomear. O sentimento ficou ali por uns segundos,
Há relatos que atravessam séculos sem levantar a voz. Histórias que chegam como quem não quer dizer nada, mas que, à medida que avançam, parecem responder silenciosamente às contradições do nosso tempo — especialmente quando se trata de família, dignidade humana e aquilo que chamamos de essência.
Noventa anos de vida plena não é para qualquer um. Mesmo nestes dias em que a longevidade tem se expandido a olhos vistos. E mais raro ainda é chegar aos noventa com uma biografia limpa e admirável, sem máculas de qualquer espécie. Aí, sim, é caso para se celebrar efusivamente, não só na família e entre os amigos, mas também na própria comunidade, esta sempre tão carente de exemplos edificantes.
O que não falta aqui na capital das acácias é farmácia e academia de letras. Uma para cada esquina e para todos os gostos. Mas, como o mercado farmacológico não é do interesse deste cronista, fiquemos com essa proliferação acadêmica.
Alô, tudo bem, tio?
Tio... Que voz é essa, quem será? E contive a pergunta para evitar as suspeitas de leseira, tão comuns em interlocutores de minha idade. Ouvi, então, o que jamais poderia suspeitar na vertigem destes dias, em que só as mangas de Livramento, burgo insulado ali à beira do Gargaú, insistem em manter seu tempo e a delícia original dos seus sabores, mesmo em fim de safra.
Paraíba, início do século XX. O aspecto arquitetônico e urbano colonial da cidade é pouco a pouco substituído por uma arquitetura de características neoclássica e eclética. Casarões com jardins frontais e com porões que os elevavam do nível das ruas, praças ajardinadas com coretos (com direito a retretas) e esculturas alegóricas homenageando seus homens públicos eram parte das transformações urbanas que caracterizavam o período.
Priorizar-se significa cuidar primeiramente de si, para depois ir ao encontro do outro. Não se trata de egoísmo, mas da consciência de que tudo começa em nós. Como saberei respeitar o próximo, se não sei me respeitar? Como poderei amar o outro, se desconheço o autoamor? Como cuidar de alguém, se não sei o que é cuidar, uma vez que não cuido de mim? Como estabelecer limites, se desconheço a mim mesma, se não enxergo os meus próprios passos?
Há algo em nós que não pede licença ao céu nem se ajoelha diante de absolutos exteriores. Esse algo pulsa. Não vem de fora. Não desce como revelação. Ele nasce no centro opaco da carne pensante, no silêncio onde a consciência aprende a respirar. A isso chamamos imanência: não como conceito frio, mas como experiência viva, uma chama que não se separa da matéria que a sustenta.
As rochas que o leitor verá, em fotos, mais adiante, têm uma grande história, bem anterior à construção do Partenon, o templo que se encontra à sua frente. Trata-se do Areópago (Ἀρειος πάγος) ou Colina de Ares, seu significado em grego.