26.10.26
Vem de longe a presença dos diplomatas na Academia Brasileira de Letras. De muito longe mesmo, da própria fundação da Casa de Machado d...
Vem de longe a presença dos diplomatas na Academia Brasileira de Letras. De muito longe mesmo, da própria fundação da Casa de Machado de Assis. E não poderia ser diferente, pois, de modo geral, o pessoal do Itamaraty sempre cultivou as letras, confirmando o incontestável fato de que constitui o segmento mais culto e intelectualmente preparado do serviço público brasileiro. Acredito que nos outros países deve ocorrer fenômeno semelhante, já que os requisitos para ingresso na carreira diplomática, seja onde for, são muito exigentes, requerendo dos candidatos uma sólida formação jurídica e cultural.
26.10.26
25.10.26
O letramento político é definido como o processo de aquisição de conhecimentos necessários à manutenção e ao aprimoramento da democra...
O letramento político é definido como o processo de aquisição de conhecimentos necessários à manutenção e ao aprimoramento da democracia. Compreendê-lo exige o conhecimento de documentos relacionados ao funcionamento do Estado, bem como dos mecanismos democráticos, que envolvem partidos políticos, eleições e instituições, além dos direitos e deveres dos cidadãos e dos fundamentos de uma sociedade democrática. Um dos principais teóricos brasileiros que estuda o letramento político é Rildo José Cosson Mota, pesquisador da área da educação e da formação para a democracia. Em seu livro Letramento Político: A Perspectiva do Legislativo (2019), o autor analisa a formação política dos cidadãos, o funcionamento das instituições legislativas e as práticas educativas voltadas ao fortalecimento da democracia.
25.10.26
25.10.26
Há acontecimentos que , se fossem inventados por um escritor, seriam devolvidos pelo editor sob a acusação de inverossimilhança. A re...
Há acontecimentos que, se fossem inventados por um escritor, seriam devolvidos pelo editor sob a acusação de inverossimilhança. A realidade, porém, não se submete às exigências da ficção. Quando resolve fazer humor, não conhece limites. Às vezes, supera tanto a imaginação que o escritor precisa jurar que tudo aconteceu exatamente como está contando.
25.10.26
25.10.26
Atrás de mim, olhando pelo retrovisor, na Avenida Epitácio, isenta de tráfego, estira-se uma vastidão solitária que o sol forte da ma...
Atrás de mim, olhando pelo retrovisor, na Avenida Epitácio, isenta de tráfego, estira-se uma vastidão solitária que o sol forte da manhã só faz ressaltar. Não me contive e pedi ao taxista para acostar o carro. Desci e, apoiado à porta, deixei o espírito se espraiar livre numa transição inopinada de tempo e paisagem.
25.10.26
24.10.26
O romance O Ronco da Abelha , de Paulo Vieira, encontra na chamada Revolta do Quebra-Quilos um dos episódios mais expressivos da histó...
O romance O Ronco da Abelha, de Paulo Vieira, encontra na chamada Revolta do Quebra-Quilos um dos episódios mais expressivos da história social do Nordeste oitocentista. A escolha desse acontecimento como matéria narrativa não é casual. O episódio contém elementos capazes de alimentar uma literatura de forte tensão: a presença de um Estado que procura regular a vida cotidiana, a reação de comunidades rurais diante de novas práticas administrativas, a violência como instrumento de repressão e a distância entre as decisões tomadas pelos centros de poder e a experiência concreta das populações submetidas a elas.
24.10.26
24.10.26
A Gil Messias, que me trouxe Antigonick , um verdadeiro φιλοδῶρον , um presente de amigo. Encontro-me numa situação de terceira ord...
A Gil Messias, que me trouxe Antigonick, um verdadeiro φιλοδῶρον,
um presente de amigo.
Encontro-me numa situação de terceira ordem, após a leitura de
Antigonick, de
Anne Carson (tradução de Julia Raiz, 1. ed. Rio de Janeiro: Bazar do Tempo, 2026), ganhadora do Nobel de Literatura deste ano. Explico-me. O texto original,
Antígona de Sófocles, constitui a primeira ordem; a “tradução” de Anne Carson é a segunda ordem; a tradução para o português, a terceira ordem.
24.10.26
23.10.26
Inicio fazendo uma autocrítica: uma leitura de como me vejo diante do espelho. Vejo-me um jovem velho que observa as coisas se r...
Inicio fazendo uma autocrítica: uma leitura de como me vejo diante do espelho.
Vejo-me um jovem velho que observa as coisas se repetirem ao longo do tempo, principalmente porque guardo uma patologia grave: a de lembrar, de ter uma memória seletiva das informações.
23.10.26
23.10.26
Uma crônica que sonha ser (um) conto Os primeiros sussurros do mangue já se ouviam nas margens dos pequenos afluentes do Rio Sanh...
Uma crônica que sonha ser (um) conto
Os primeiros sussurros do mangue já se ouviam nas margens dos pequenos afluentes do Rio Sanhauá. O borbulhar da lama, os primeiros deslocamentos dos seres do manguezal, que se agitam aos primeiros raios de sol, faziam-se presentes, como em todo amanhecer. O movimento lento das marés, a embalar os cascos vazios das canoas. E os ventos leves a espalhar pelo ar os ecos de todos os sons que se faziam ouvir baixinho pelos moradores das casas mais próximas do rio. E assim mais um dia amanhecia na pequena comunidade junto ao rústico porto.
23.10.26
23.10.26
Na minha próxima visita a Pilar, a cidade paraibana que quase me viu nascer, irei buscar a origem daqueles postezinhos de ferro fundido...
Na minha próxima visita a Pilar, a cidade paraibana que quase me viu nascer, irei buscar a origem daqueles postezinhos de ferro fundido instalados nas duas praças principais e, ainda, à entrada do Grupo Escolar Dr. José Maria, cuja farda enverguei em três anos do Curso Primário.
23.10.26
22.10.26
Um dos tipos de vaidade , digamos assim, “abstrata”, e que facilmente reconhecemos em uma pessoa, é a soberba. Você percebe na criat...
Um dos tipos de vaidade, digamos assim, “abstrata”, e que facilmente reconhecemos em uma pessoa, é a soberba. Você percebe na criatura que ela acredita ser melhor do que os outros, que ela está acima de tudo e de todos, que trata com desdém e desconsideração os demais e que realmente carece de humanidade e de sensibilidade.
22.10.26
22.10.26
Viver em paz — não porque a paz seja ausência de conflitos, mas porque é nela que ainda podemos escolher o que fazer com eles. A guerra ...
Viver em paz — não porque a paz seja ausência de conflitos, mas porque é nela que ainda podemos escolher o que fazer com eles. A guerra pode ocupar o território, as notícias e os pensamentos; a paz, por sua vez, precisa ser construída dentro de cada pessoa e entre todas elas. É uma escolha cotidiana: não transformar toda diferença em ameaça, nem toda discordância em inimigo.
22.10.26
22.10.26
Quantas vezes hoje você disse "tudo bem" apenas por hábito, quando, no fundo, sentia um vazio absoluto? Quantas vezes sorri...
Quantas vezes hoje você disse "tudo bem" apenas por hábito, quando, no fundo, sentia um vazio absoluto? Quantas vezes sorriu para uma piada sem graça no trabalho, expressou um entusiasmo diplomático que não existia ou fingiu uma comoção apenas para se alinhar ao tom da sala? Sem perceber, gastamos uma energia descomunal performando a nossa própria existência. Vestimos o figurino da polidez, decoramos o script das expectativas alheias e subimos ao palco social todos os dias com o pavor silencioso de sermos descobertos como fraudes. Mas e se você, de uma hora para outra, simplesmente resolvesse parar de fazer parte desse teatro que a sociedade exige?
22.10.26
21.10.26
A Revolta do Quebra-Quilos, deflagrada em 1874, espalhou-se pelo Brejo e Agreste paraibano como reação popular à adoção do sistema mé...
A Revolta do Quebra-Quilos, deflagrada em 1874, espalhou-se pelo Brejo e Agreste paraibano como reação popular à adoção do sistema métrico francês — imposto pelo governo imperial e mal recebido pelos feirantes, acostumados a medidas tradicionais como palmos, braças, varas, cuias e arrobas.
21.10.26
21.10.26
Hoje, dia em que rabisco estas linhas, é sexta-feira (para mim, o melhor dia da semana, porque é véspera de sábado) e acordei num cipo...

Hoje, dia em que rabisco estas linhas, é sexta-feira (para mim, o melhor dia da semana, porque é véspera de sábado) e acordei num cipoal de conjeturas, diria até que minha alma andou vagando pelos recantos sombrios da metafísica. Fiquei pensando em invenções que a humanidade não dá valor, nem liga para elas. Estão aí em nosso cotidiano e não são devidamente reconhecidas. Querem ver uma? Aliás, duas? Vejam: o garfo e a colher. São duas ferramentas complementares, pois não comemos um bife com colher e nem tomamos sopa com um garfo. E, diante do que vou apresentando, creio ser conveniente fazer um questionamento: o que seria de nós se esses dois utensílios não existissem? Que caos seria? É só imaginarmos Angelina Jolie, aquela criatura linda que só, comendo macarronada com as mãos. Penso no entorno daqueles lábios tentadores e imagino a região toda suja de molho de tomate, com uns restinhos de queijo ralado ali colados para depreciar mais ainda essa visão sombria. E vocês, já pensaram? Até desanimei!
21.10.26
21.10.26
A incapacidade crônica de dizer 'não' está intimamente ligada à compulsão por agradar. Essa dificuldade refere-se especificame...
A incapacidade crônica de dizer 'não' está intimamente ligada à compulsão por agradar. Essa dificuldade refere-se especificamente à paralisia psíquica que acomete o sujeito no momento em que ele precisaria impor um limite claro ao outro. O medo de contrariar, de decepcionar ou de provocar a raiva alheia faz com que o indivíduo concorde com situações que o prejudicam, aceite tarefas abusivas e permaneça em posições de exploração afetiva, profissional e familiar.
21.10.26
20.10.26
O poeta não se anuncia. Revela-se. O poeta se impõe por si. Não pelo anúncio, mas pela obra. Pode ser múltiplo, exercer os mais ...
O poeta não se anuncia. Revela-se.
O poeta se impõe por si. Não pelo anúncio, mas pela obra.
Pode ser múltiplo, exercer os mais variados ofícios, habitar diferentes territórios da existência. Mas há nele uma singularidade que não se improvisa. Algo incomum entre os mortais: a capacidade de tocar o invisível e dar-lhe corpo pela palavra.
20.10.26