Apareço hoje por aqui dando uma passadinha pela sétima arte e já vou pedindo licença aos amigos que a fazem e aos que a analisam, por isso mesmo mais capacitados do que eu. Estou me referindo a gente da cepa de meus camaradas Mirabeau e João Batista.
Mirabeau Dias e João Batista de Brito
Licença supostamente permitida, cometerei a ousadia de elencar os dez melhores filmes que assisti investido da autoridade de quem teve no cinema uma de suas grandes paixões. A moçadinha de hoje é carente desse entendimento. Não conheceram as grandes salas e só frequentaram cinemas de shopping centres, salinhas confortáveis mas acanhadas, sem a magia daqueles anfiteatros com mil e tantos lugares, aquela telona enorme se abrindo para exibição de “Atualidades Atlânticas”, um noticiário cinematográfico que chegava com semanas de atraso e antecedia às exibições. Como era bom o “Canal 100”! As partidas no Maracanã tomadas de ângulos que a TV de hoje é incapaz de mostrar e com aquela música que até hoje está aqui agarrada à minha memória afetiva. Tudo antes do filme começar.
Então, sem mais delongas…
LAWRENCE DA ARÁBIA de 1962 e lançado aqui no ano seguinte. É para mim o épico dos épicos, dirigido por David Lean num tempo em que o mundo digital ainda não viera à luz. Uma constelação que além do protagonista Peter O’Toole estava lá Alec Guinness, impecável interpretando o rei Faiçal e mais: Omar Sharif, Jack Hawkins, Anthony Quinn, Anthony Quayle e uma mais uma tropa da melhor qualidade. A caminhada pelo deserto para se tomar Aqaba é memorável. Detalhe: não aparece mulher nesse filme.
Depois para mim vem A PONTE DO RIO KWAI, de 1957 novamente Alec Guinness e agora com Willian Holden dividindo o protagonismo. Sessue Hayakawa no papel de Coronel Sato nos trás a dimensão da guerra e até onde a necessidade de se cumprir uma missão pode afrouxar um coração e permitir brotar algo parecido com amizade. Direção dele novamente, David Lean.
Agora viria FORREST GUMP. De 1994, dirigido por Robert Zemeckis. Um “caba” meio aluado do Alabama que em suas andanças (na verdade, corridas) pelo mundo testemunha eventos notáveis da história norte-americana nos períodos conturbados do século passado, Tom Hanks faz o papel de Forrest.
Não podia me esquecer do simbolismo marcante de AMARCORD, 1973 e dirigido por Federico Fellini. Nada mais do que um conto com fumos de autobiografia que se passa no vilarejo de Borgo San Giuliano. Uma metáfora da Itália fascista na década de 1930.
É um faroeste: RASTROS DE ÓDIO, de 1956, com a direção de John Ford e o eterno cowboy John Wayne no papel de Ethan Edwards que sai em busca da sobrinha (interpretada por Natalie Wood) e sequestrada pelos comanches. Final eletrizante e o ponto alto da parceria Ford/Wayne.
Subindo nas preferências A NOVIÇA REBELDE. Um musical aparentemente água com açúcar (até que pode ser visto assim), mas é um libelo à liberdade dos austríacos que acabavam de ver sua terra ser anexada à Alemanha. A cena da família Von Trapp cantando “Edelweiss” (flor símbolo da Austria) em desafio as autoridades da Gestapo é uma cena emblemática. O fime é de 1965 e dirigido por Robert Wise.
Aí tomo a liberdade de juntar num filme só O PODEROSO CHEFÃO I e II; 1972 E 1974, respectivamente, e dirigido por Frans Ford Coppola, A saga da família Corleone desde o começo do século XX. A trama bem conduzida, um elenco de primeira qualidade, só poderia dar no que deu. Sempre estou revendo e tentando achar algum detalhe que me tenha escapado.
TESTEMUNHA DE ACUSAÇÃO de 1957 com a direção de Billy Wilder a trama sofre reviravoltas a cada cena e é difícil eleger a melhor interpretação entre Charles Laughton, Tyrone Power e Marlene Dietrich.
E agora o favorito. Fiquei mais de 10 anos sem ouvir a trilha sonora (Ennio Morricone) para não pagar vexame, vulgo chorar. O filme é uma declaração de amor ao cinema. Da paixão que provocava na minha geração e em algumas antes da minha. CINEMA PARADISO de 1988 com direção de Giuseppe Tornatore é uma obra prima. Quem assistir e não chorar tem algo de errado no coração. Só pode ser.