A autonomia pessoal por meio da educação erudita inclui aspectos culturais e sociais. Por exemplo, a música, ao longo da ancestralidad...

Desembrutecimento: Autonomia e transformação social

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A autonomia pessoal por meio da educação erudita inclui aspectos culturais e sociais. Por exemplo, a música, ao longo da ancestralidade chinesa, desempenhou um papel decisivo tanto nas práticas educacionais voltadas para a valorização do pertencimento quanto na formação da identidade individual e coletiva. Nos dias atuais, na China, a educação por meio da arte e da tecnologia e a prática esportiva de rendimento contribuem para mudanças sociais e o desembrutecimento humano, que se refletem tanto no Ocidente quanto no Oriente, de maneira digna.

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Confúcio Monica Ninker
Na antiga China, a música sempre foi uma arte fundamental da educação. Durante as dinastias, como a Tang (618-907 d.C.) e a Song (960-1279 d.C.), o acesso ao ensino era reservado à elite intelectual e imperial e influenciava a formação espiritual e filosófica dessa classe social. Um dos responsáveis pelo processo de formação para o desenvolvimento da erudição foram os ensinamentos do filósofo chinês Confúcio (552-479 a.C.), que defendia que a música era essencial para a formação ética da pessoa.

Sua obra mais conhecida é Os Analectos. Esse livro é uma coleção de aforismos, nos quais são abordados os ensinamentos para a prática da sabedoria, coragem e outras virtudes. Para Confúcio, a benevolência é a mais importante das qualidades que um ser humano pode vivenciar. Na perspectiva confuciana, a musicalização é um meio para estimular a harmonia interior e a disciplina pessoal. Portanto, era praticada não só como um aprimoramento das habilidades artísticas, mas como uma atividade de amadurecimento do caráter e das boas práticas morais.

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Mao Tsé-Tung CC0
A Revolução Chinesa no século 20 e a chegada do regime comunista em 1949 impulsionaram a educação musical na China. Naquela época, as transformações sociais que priorizaram o bem-estar social e os desafios enfrentados para o desembrutecimento coletivo e pessoal passaram por uma mudança de valores culturais significativos. Logo após, a Revolução Cultural de 1966 a 1976, sob a liderança de Mao Zedong (1893-1976), a música foi instrumentalizada como uma ferramenta de propaganda política.

O regime de Mao promoveu a arte musical de forma revolucionária, e compositores e escritores como Li Qiang (1959) e Wang Zhiwen (1906–1947) desenvolveram a ideologia comunista e buscaram unir os chineses de forma a reforçar a identidade socialista. Essa fase restringiu as expressões musicais mais diversificadas e a liberdade criativa em várias manifestações artísticas. No entanto, com as reformas econômicas e culturais que começaram na década de 1980, a China gerou uma mudança no modo como a música era abordada nas escolas e universidades. Durante esse período, foram incorporados estilos musicais mais diversificados, incluindo influências ocidentais.

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Conservatório de Pequim @china-admissions
No século 21, a educação musical na China influencia as mudanças econômicas, culturais e as leis trabalhistas desse país. As escolas, as universidades e o Conservatório Central de Pequim formam artistas com conhecimento erudito influenciado pela cultura dos seis continentes. Nos dias atuais, a China potencializa a criatividade em todos os setores do conhecimento, bem como a inovação tecnológica. A globalização tem permitido que os estudantes chineses envolvam-se com vários estilos, desde o jazz até a música erudita ocidental. Essa formação tem potencializado valores como a disciplina, a perseverança, a colaboração e o respeito entre todos.

Por exemplo, ao aprender a tocar um instrumento, o aluno chinês precisa lidar com os desafios da prática constante, o que fomenta o senso de autoconfiança. A partir disso, a música é uma forma de resistência e afirmação de identidade entre as gerações, que buscam formas de se expressar e conviver com o desafio de desembrutecer as tensões entre tradição e modernidade. Um dos resultados disso é a crescente popularidade da música K-pop e das plataformas digitais, porque muitos jovens têm compartilhado suas habilidades de formas inovadoras, o que impulsiona a sua emancipação pessoal pela música. Um dos exemplos desse fenômeno é o pianista erudito chinês Lang Lang (1982), que adquiriu reconhecimento mundial e se apresenta como concertista com quase todas as orquestras em todos os continentes.


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  1. Jose Mario Espinola4/4/25 00:17

    O que seria do ser humano se não existisse a música?
    Tenho me perguntado, coincidentemente esta noite.
    Música é essência da vida.
    O título de Kleber, neste excelente artigo, não poderia ser mais feliz: a ausência da música embrutece o homem.
    A sua presença suaviza a personalidade.
    Parabéns, Kleber! Escreve tão bem quanto joga xadrez!

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