A autonomia pessoal por meio da educação erudita inclui aspectos culturais e sociais. Por exemplo, a música, ao longo da ancestralidade chinesa, desempenhou um papel decisivo tanto nas práticas educacionais voltadas para a valorização do pertencimento quanto na formação da identidade individual e coletiva. Nos dias atuais, na China, a educação por meio da arte e da tecnologia e a prática esportiva de rendimento contribuem para mudanças sociais e o desembrutecimento humano, que se refletem tanto no Ocidente quanto no Oriente, de maneira digna.
Confúcio Monica Ninker
Sua obra mais conhecida é Os Analectos. Esse livro é uma coleção de aforismos, nos quais são abordados os ensinamentos para a prática da sabedoria, coragem e outras virtudes. Para Confúcio, a benevolência é a mais importante das qualidades que um ser humano pode vivenciar. Na perspectiva confuciana, a musicalização é um meio para estimular a harmonia interior e a disciplina pessoal. Portanto, era praticada não só como um aprimoramento das habilidades artísticas, mas como uma atividade de amadurecimento do caráter e das boas práticas morais.
Mao Tsé-Tung CC0
O regime de Mao promoveu a arte musical de forma revolucionária, e compositores e escritores como Li Qiang (1959) e Wang Zhiwen (1906–1947) desenvolveram a ideologia comunista e buscaram unir os chineses de forma a reforçar a identidade socialista. Essa fase restringiu as expressões musicais mais diversificadas e a liberdade criativa em várias manifestações artísticas. No entanto, com as reformas econômicas e culturais que começaram na década de 1980, a China gerou uma mudança no modo como a música era abordada nas escolas e universidades. Durante esse período, foram incorporados estilos musicais mais diversificados, incluindo influências ocidentais.
Conservatório de Pequim @china-admissions
Por exemplo, ao aprender a tocar um instrumento, o aluno chinês precisa lidar com os desafios da prática constante, o que fomenta o senso de autoconfiança. A partir disso, a música é uma forma de resistência e afirmação de identidade entre as gerações, que buscam formas de se expressar e conviver com o desafio de desembrutecer as tensões entre tradição e modernidade. Um dos resultados disso é a crescente popularidade da música K-pop e das plataformas digitais, porque muitos jovens têm compartilhado suas habilidades de formas inovadoras, o que impulsiona a sua emancipação pessoal pela música. Um dos exemplos desse fenômeno é o pianista erudito chinês Lang Lang (1982), que adquiriu reconhecimento mundial e se apresenta como concertista com quase todas as orquestras em todos os continentes.