A emancipação da mulher acompanha o progresso da civilização. (O Livro dos Espíritos, questão 822-a) Desde os tempos antigos pred...

A mulher, segundo o Espiritismo

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A emancipação da mulher acompanha o progresso da civilização.
(O Livro dos Espíritos, questão 822-a)

Desde os tempos antigos predomina-se na civilização oriental e ocidental valores masculinos, denominado Sistema Patriarcal: organização social na qual o homem é o provedor e, por isso mesmo, desfruta posição de privilégio e poder social, econômico e político, enquanto a mulher está relegada à submissão e invisibilidade, sendo mantida restrita à reprodução, à educação dos filhos e as atividades do lar. O Sistema Patriarcal privilegia também a heterossexualidade em relação a outras orientações sexuais.

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Virginie Demont-Breton
No contexto religioso oriental (Hinduísmo, Budismo e Xintoísmo), as mulheres são excluídas da frequência às igrejas ou templos e participação nos rituais religiosos, limitando a sua existência exclusivamente aos deveres domésticos. No que diz respeito aos cultos e práticas externas das religiões reveladas (Judaísmo, Cristianismo e Islamismo), vemos que a Torá, a Bíblia judaica, católica ou protestante e o Corão referem-se à mulher sob dois aspectos antagônicos: é um ser frágil, delicado e vulnerável, ou um ser ardiloso, malicioso e astuto. A mulher não tem direito ao estudo religioso e não pode exercer atividade sacerdotal/liderança religiosa. Os seguintes exemplos servem de ilustração.

Antigo Testamento: a mulher foi culpada da expulsão do homem do paraíso (que por sua vez culpa serpente). Judaísmo e Islamismo: a mulher adúltera deve ser apedrejada até a morte ou algo semelhante. Catolicismo: surgiu as figuras malignas das bruxas, sentenciadas à morte.
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Joanna d'Arc Frederic Theodore Lix (after)
Importa destacar que Jesus tratava as mulheres com respeito e compaixão, revelando-se como ardoroso defensor das mulheres, como confere estas citações extraídas do Evangelho segundo João:

As bodas de Caná: Jesus transforma água em vinho por solicitação de sua mãe. (João, 2: 1 a 11).

No final da Crucificação: Jesus é acompanhado de perto por Maria, sua mãe, Maria, esposa de Cleofas e de Maria de Madalena. Como sua mãe ficaria sozinha, Ele a coloca
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Célio Furtado
sob a proteção de João, que deveria recebê-la como mãe. E assim se deu. (João,19: 25 a 27).

Encontro com a mulher samaritana: Jesus encontra a samaritana à beira do poço de Jacob, localizado na Samaria. Pede-lhe água e, em seguida, estabelece com ela amoroso e esclarecedor diálogo, revelando-lhe, inclusive, ser Ele o Messias de Deus. Neste encontro, o Mestre Nazareno desconsidera duas tradições do Judaísmo: primeiro, por conversar com uma samaritana, pois os samaritanos eram desprezados e considerados hereges pelos judeus; segundo, aquela mulher estava excluída da sociedade porque foi apanhada em adultério. (João,4: 4 a 30 e 39 a 42)

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Steemit
Apoio à mulher adúltera: uma mulher teria sido apedrejada em praça pública, segundo a lei de Moisés, por ter sido pega em adultério. Se não fosse a incisiva intervenção de Jesus ela teria sido morta. Nesta passagem neotestamentária, de lição atemporal, Jesus impede o apedrejamento, quando com a sua autoridade moral afirma aos a apedrejadores: “quem estiver livre do pecado que atire a primeira pedra”. (João,8: 1 a 11)

Ressurreição de Jesus: Ele aparece, primeiramente, à Maria Madalena, três dias após a crucificação. (João, 20:1 a 18)

O Espiritismo não faz distinção de gênero porque considera que homens e mulheres possuem a mesma natureza espiritual e devem ser tratados com igualdade. Desde a sua origem, o Movimento Espírita tem sido marcado pela participação ativa das mulheres, como na divulgação doutrinária, assistência e promoção social, educação da criança, do jovem e do adulto, na literatura, na prática mediúnica, na
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Amélie Boudet (Mme Kardec)
CC0
liderança e gestão. Com sensibilidade, força e fé, muitas mulheres impulsionam a divulgação, o estudo e a prática espírita por meio de programa definido previamente nos planos elevados da vida. Como exemplo citamos, entre outras, Amélie Boudet, Joanna de Ângelis, Meimei, Yvonne do Amaral Pereira, Zilda Gama, Amélia Rodrigues, Auta de Souza. A Doutrina Espírita esclarece que a evolução intelecto-moral está destinada à mulher e ao homem, sem exceções. Segundo o processo reencarnatório, o Espírito habita ora um corpo masculino ora um corpo feminino. Em consequência, o Espírito reencarna na forma de mulher ou de homem, conforme as circunstâncias e as necessidades de aprendizado:

Os Espíritos encarnam como homens ou como mulheres, porque não têm sexo. Como devem progredir em tudo, cada sexo, como cada posição social, lhes oferece provações, deveres especiais e novas oportunidades de adquirir experiência. Aquele que fosse sempre homem só saberia o que sabem os homens.[1]

As experiências reencarnatórias permitem ao Espírito importantes aprendizados evolutivos, como este:

“[…] O imenso amor feminino é uma das forças mais respeitáveis da Criação divina.” [2]
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No corpo físico a sexualidade assume funções diferentes necessárias ao desenvolvimento antropológico, que permite a evolução intelecto-moral do Espírito, sem que com isso perca a igualdade essencial de filho de Deus. Além do mais não há tanta diferença entre ambos quando se considera os órgãos físicos da mulher e do homem: Os pesquisadores da Medicina de Gênero, ramo que nasceu em meados da década de 90, descobriram, surpresos, que as diferenças fisiológicas entre homens e mulheres vão muito além da aparência dos órgãos reprodutores:

O cérebro do homem é, em média, 15% maior e 10% mais pesado. Mas, no cérebro das mulheres, as conexões entre os neurônios são mais numerosas. Nos homens, a visão central e de longa distância é mais aguçada do que das mulheres, o que no tempo das cavernas facilitavam a caça. A visão periférica das mulheres, no entanto, é melhor, o que era essencial para proteção da cria, já que ela precisava
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Louis Gallait
ficar atenta a todos os movimentos ao redor do seu abrigo. Quanto à audição, as mulheres ouvem melhor, especialmente sons agudos, como o choro dos bebês. O paladar masculino é mais aguçado para distinguir sabores amargos e salgados. As mulheres se saem melhor na identificação dos doces. O coração masculino é 30%, em média, maior do que o feminino. O coração feminino bate 10% mais rápido do que o masculino, inclusive durante o sono. As mulheres são mais sensíveis a dor: Elas a sentem por mais tempo e em maior intensidade do que os homens. [3]


Em O Livro dos Espíritos, Allan Kardec inseriu perguntas aos Espíritos a respeito ao assunto e os Espíritos orientadores respondem com segurança, consolidando, assim, os ensinamentos de Jesus e os da revelação espírita, a respeito do papel do homem e da mulher, alertando que o princípio da igualdade entre ela e ele está assentado nas leis da Natureza, igualdade essa que é de essência espiritual e não de natureza externa, tendo em vista o papel social que cada um é chamado a desempenhar no processo evolutivo da Humanidade.

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Allan Kardec CEI
ESPIRITISMO: IGUALDADE DOS DIREITOS DO HOMEM E DA MULHER [4]

Questão 817. O homem e a mulher são iguais perante Deus e têm os mesmos direitos?
Resposta: “Deus não deu a ambos o conhecimento do bem e do mal e a faculdade de progredir?”

Questão 818. De onde procede a inferioridade moral da mulher em certos países?
Resposta: “Do domínio injusto e cruel que o homem assumiu sobre ela. É resultado das instituições sociais e do abuso da força sobre a fraqueza. Entre homens moralmente pouco adiantados, a força faz o direito.”

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Questão 819. Com que objetivo a mulher, do ponto de vista físico, é mais fraca do que o homem?
Resposta: “Para lhe determinar funções especiais. Ao homem, por ser o mais forte, os trabalhos rudes; à mulher, os trabalhos leves; a ambos o dever de se ajudarem mutuamente a suportar as provas de uma vida cheia de amargor.”

Questão 820. A fraqueza física da mulher não a coloca naturalmente sob a dependência do homem?

Resposta: “Deus deu a uns a força para protegerem o fraco e não para o escravizarem.”

Comentários de Allan Kardec: Deus apropriou o organismo de cada ser às funções que lhe cumpre desempenhar. Se deu à mulher menor força física, deu-lhe ao mesmo tempo maior sensibilidade, apropriada à delicadeza das funções maternais e à fragilidade dos seres confiados aos seus cuidados.

Questão 821. As funções a que a mulher é destinada pela Natureza terão importância tão grande quanto as conferidas ao homem?
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Nellie Mclung,
Resposta: “Sim, e até maiores. É ela quem lhe dá as primeiras noções da vida.”

Questão 822. Sendo os homens iguais perante a Lei de Deus, devem sê-lo igualmente perante as leis humanas?
Resposta: “O primeiro princípio de justiça é este: não façais aos outros o que não quereríeis que vos fizessem.”

Questão 822-a. Sendo assim, uma legislação, para ser perfeitamente justa, deve consagrar a igualdade dos direitos do homem e da mulher?
Resposta: “Dos direitos, sim; das funções, não. Preciso é que cada um tenha um lugar determinado; que o homem se ocupe do exterior o homem e a mulher do interior, cada um de acordo com a sua aptidão. A lei humana, para ser justa, deve consagrar a igualdade dos direitos do homem e da mulher. Qualquer privilégio concedido a um ou a outro é contrário à justiça. A emancipação da mulher acompanha o progresso da civilização. Sua escravização marcha com a barbárie. Além disso, os sexos, além disso, só existem na organização física. Já que os Espíritos podem encarnar num e noutro, sob esse aspecto não nenhuma diferença entre eles, devendo por conseguinte, gozar dos mesmos direitos.”
REFERÊNCIAS 1. KARDEC, Allan. O livro dos espíritos. Tradução de Evandro Noleto Bezerra. 4. ed. 13 imp. Brasília: FEB, 2023. Q. 202, p. 131.
2. XAVIER, Francisco Cândido. Ação e reação. Pelo Espírito André Luiz. 30. ed. 2 imp. Brasília: FEB, 2013. Cap. 12, p. 176.
3. UTSUNOMIA, Katsui, Evandro. A medicina revela a mulher de verdade. Revista VEJA. São Paulo: Abril, n. 1.998, p. 79, mar. 2007.
4. KARDEC, Allan. O livro dos espíritos. Tradução de Evandro Noleto Bezerra. 4. ed. 13 imp. Brasília: FEB, 2023. Q. 817 a 822-a, p. 353-355.


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