Se a paz escapa
Não é Deus
Se a fome reina
Não é Deus
Se miséria vive
Não é Deus
Se a inundação
O estrago do furacão
A devastação do incêndio
Não
Definitivamente
Não é Deus
Na verdade
Ele está do outro lado:
Do lado dos que sabem que não é ele
Ainda assim ele luta
Pra combater a dor do planeta
Ligar a luz que dá cor à vida
(Salvar uma formiga é um milagre)
Sua vida é curta
Mas é vida
Compreender
O nascer do sol
No mar
Tocar a mão do nada
Na angústia do desapego
Tudo isso é ele na existência)
Deus é justamente
O vazio que há em mim
Para caber nele o universo
Do nada
Nada veio
Nem virá
Do antes
Agora
A projeção da ilusão
Se projeta
Amplia
Ultrapassa
Transformação
Do sempre
Em futuro
Daí a morte
E sua necessidade
De ser
Daí fluirmos
Do Eterno sempre
Em sua magia
Magia de eternidade
E transformação
Porque ser eterno não é ser imortal
A luz ainda viaja
Pelo espaço como ilusão
Quando a estrela já está morta...
Quem há de ir mais longe
A cor, a dor, a essência,
Ou tão somente a ilusão do brilho?
Mas ela é documento
É registro
É prova...
Como se a lua fosse
Queijo
E eu
Trapezista
Das esquinas
Como se o sol derretesse
A cera do meu cérebro
E minhas ideias não pudessem mais voar
E a lua
No trapézio
Do meu cérebro
Fosse um quadro de
Rembrandt
A lua e o homem no cavalo a
Resvalar as minhas memórias
Em um nascente colorido
E cheio de saudades
Uma Dama
Na janela
Um beijo pro futuro
E a guerra de todos os mundos
Tudo isso
É a saudade
Do meu Pai
Tem Gal e Dylan
Nos tempos
De minhas memórias
E Dilma viva
Numa falésia
Ela e o mar (meu a-mar)
Havia mar espraiado
Como dor
Ao longo do entardecer
E as cores que quiz
Porque estava feliz
Como a luz
Não sei se a luz
É feliz
Mas sei que brinco com ela
Sem ela
Sem tempo
Sem a cor do mar de Jacumã
A luz não pode viver
Sem meus olhos
Ela a luz
E guardo assim
Ela
A cor do amor e do mar
Dentro de mim
Água guia
Trânsito e
Chão
E a planta
Parece
Expandir-se em si
As cores se desenham
As partes se fazem
É temporada de flores
Uma única
Nada
E tempo
A luz marca presença
E ri porque
As vidas continuam
Um Céu azul
É um furo no futuro
E o universo
Reverso caos
Passa devagar
Imperceptível
Alhures
Ela Diva
Cor
Esplendor
(Passa)
Mas ela Habita
Não só o holofote
Puro brilho
Dá-se o desfrute da pobreza
Da escuridão
Da miséria
Mas ela é brava e brota
Aos borbotōes
E invade o que era nada
Ela miseravelmente
Também morre
Pra viver
Senhoras e senhores
Esse milagre contínuo
Que agora me deixa escrever...
Vida!
A mutação Divina
Sobre o caos
Ordenamento
Luz
Caleidoscópio