“Animus é originário do latim, e era usado para descrever ideias como alma racional, vida, mente, poderes mentais, coragem ou desejo. ...

A Inteligência Artificial e a sua possibilidade diante do Espírito

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“Animus é originário do latim, e era usado para descrever ideias como alma racional, vida, mente, poderes mentais, coragem ou desejo. No início do século XIX, animus era usado para significar "temperamento" e era tipicamente usado em um sentido hostil. Em 1923, começou a ser usado como um termo na psicologia junguiana para descrever o lado masculino das mulheres.”1

Termo da moda e altamente em voga, a inteligência artificial (AI), remonta a tempos mais longínquos do que imaginamos. Há quem diga até que é possível identificá-la ainda na Grécia e Roma antigas em máquinas e equipamentos em uso na época, porém, oficialmente se considera seu nascimento em 1936, com a Máquina de Turim, criada pelo britânico Alan Turing. Tratava-se de um dispositivo capaz de executar processos cognitivos, desde que os passos fossem fatiados em pequenas etapas individuais representadas por um algoritmo, porém o termo Inteligência Artificial (AI), foi criado em 1956, durante a Conferência Dartmouth.2

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Desde a criação de Turing, até os dias atuais, a inteligência artificial evoluiu e atingiu níveis de sofisticação jamais imaginados. Fruto da evolução de várias ciências, hoje está presente em nosso cotidiano, em utilizações que nem supomos, como por exemplo, na computação, na medicina, na indústria automotiva, só para citar alguns.

Algo dado como irreversível e que afeta profundamente nosso modo de vida sobre a terra, é também um conceito que nos interessa ver de perto, tanto por sua complexidade, quanto pelas dúvidas que inquietam os espíritos de quem deseja compreendê-la, para admiti-la não como prática e aplicação científica, mas como possibilidade.

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Alan Turing e sua Máquina Eletromecânica USP
Dito isso, vamos buscar compreender os conceitos de anima, inteligência e automação. Vale lembrar aqui o Filme Blade Runner, de Ridley Scott, lançado em 1982. Uma obra prima do cinema de ficção.

O filme mostra um mundo datado no futuro 2019, quando a centralização urbana, numa sociedade sem Estado e controlada pelas grandes corporações, exige instrumentos cada vez mais poderosos, para possibilitar a vida humana e sua expansão por outros sistemas e domínios. Para isso, são criados os chamados “Replicantes”, cópias perfeitas dos humanos, com força e inteligência superiores aos dos seus criadores e, justamente por isso, com prazo de validade de quatro anos, ou seja, com data de mortalidade definida, estratégia essa utilizada, justamente para evitar que sua superioridade física e de cognição se volte contra os humanos.

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Warner Bros Pictures
Aí é que vem a grande questão filosófica e teológica do filme: esses seres tomam consciência de si mesmos, consequentemente da limitação de suas existências e, daí, resolvem questionar o seu criador, desencadeando uma revolta.

Não nos alongaremos na descrição do enredo do filme, mas passaremos a comparar a sua alegoria ao que estamos vivendo no mundo atual: da antecipação, na película, dos hoje já popularíssimos Smartfones, até a criação de máquinas que, pretensamente, pensam e agem por si mesma.

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Nailotl M
Como já vimos, existem inúmeras interpretações acerca do termo “Ânima”, desde a visão milenar oriental, até as definições clássicas baseadas no latim. Numa definição capenga, trata-se do sopro próprio da vida que, no homem, se traduz em sua capacidade de pensar, processar informações e sensações e reagir, interagindo com o mundo.

As religiões atribuem a algo divino, imortal, independente do corpo material que a conduz, por fim, esse força, ou propriedade, estaria no terreno do que chamamos de Espírito: Toda essa digressão para dizer que a AI da conta de uma complexa “engenharia” para ler, interpretar e executar ações no mundo das coisas, ou seja, mecânica pura, sofisticada, porém, mecânica, daí se questionar o uso do termo, se chegando a afirmar que não existe Inteligência Artificial, porque ela só é possível, nos seres organicamente VIVOS.

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Prasanth Inturi
Jamais, a luz de Kardec, e das demais correntes que reconhecem uma “Ânima” em cada um de nós, um dia termos uma AI, que, “desmaquinada”, mantivesse sua essência e fosse habitar um mundo espiritual que lhes seja próprio.

Voltando a Blade Runner, vale lembrar a sequência final do filme, quando o prazo de validade do personagem Roy, se vence, e quando ele finalmente desfalece, surge uma pomba branca que se deduz sair dele e voa para o infinito, numa alegoria clara ao desprendimento de sua essência, ou seja: ânima!

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Warner Bros Pictures
Na ficção inteiramente cabível, além de poético, porém, na vida real e no mundo da Inteligência Artificial, não me parece haver pombas brancas voando ao infinito, quando as máquinas perdem seus prazos de validade e são definitivamente desligadas.

Esse atributo é exclusivamente dos humanos e demais seres organicamente animados, daí concluirmos que o homem é sim, incapaz de produzir inteligência artificial, o que ele pode e faz, e emprestar a sua própria inteligência, às máquinas que ele foi capaz de produzir para atender às suas necessidades.

REFERÊNCIAS 1. Fonte: https://pt.wikipedia.org/wiki/Anima_e_animus
2. O Dartmouth Summer Research Project on Artificial Intelligence foi um workshop de verão de 1956 amplamente considerado como o evento fundador da inteligência artificial como um campo.


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  1. Lembro-me desse filme, tb me assusta essa ideia de uma inteligência, criada nas vias de fato, não haver algo nebuloso por trás, sempre há.

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