O uso de textos humorísticos é um bom meio de ensinar a língua. Ao contrário do cômico, que está na situação, o humor está na linguagem; resulta de desvios em determinados padrões semânticos, estruturais e de pensamento. Seu objetivo é revelar o ridículo ou o absurdo que há em pessoas, fatos, situações.
Vejamos alguns recursos capazes de promover o efeito humorístico (as frases foram retiradas do blog pensologoeisisto.blogspot.com). Um deles é a paronomásia, ou seja, o emprego de palavras que se assemelham
Outro recurso é a paródia, como nesta passagem: “Em briga de marido e mulher, vez por outra um dos dois mete a faca.” A conhecida sentença que nos instrui a não interferir nos conflitos conjugais é trocada por outra em que se aponta, bem realisticamente, uma possível (e nefasta) consequência desses conflitos.
Paronomásia e paródia podem vir juntas, como na frase “Os opostos se atracam.” O objetivo da sentença original (“Os opostos se atraem”) é afirmar a conciliação entre elementos antagônicos. Na versão paródica prevalece a antítese, ou seja, o reconhecimento de que é mesmo impossível harmonizar os opostos. Em “A cerveja que desce... arredonda”
Outro recurso capaz de levar ao humor é a inversão de palavras. Por exemplo: “O maior desafio dos casados é impedir que a fase do ‘só nós dois’ termine em ‘nós dois sós’.” A inversão do clichê que celebra a privacidade do casal alerta para uma das armadilhas do casamento, que é levar à solidão a dois. Além da inversão, concorre para o efeito pretendido a mudança de classe morfológica (do advérbio “só” para o adjetivo “sós”).
Na área das figuras de pensamento, um conhecido recurso é a ironia. Ela consiste, como se sabe, em dizer o contrário do que se pensa: “Não falem dos médicos. Quando eles nos matam, não sabem o que estão fazendo.” A ignorância dos médicos é apresentada como argumento para que não os critiquem, quando na verdade ocorre o contrário: por lidarem com a vida humana,
Também a reconversão do sentido figurado ao literal pode ter efeito humorístico. Expressões como “viver de nariz empinado” ou “empurrar com a barriga”, que indicam respectivamente arrogância e desleixo, já não chamam a atenção. Podem no entanto “ser percebidas” em frases do tipo: “Depois que fez plástica, vive de nariz empinado” e “Arranjou uma gravidez indesejada. Agora vai ter que empurrar com a barriga.” A associação entre plástica e nariz, bem como entre gravidez e barriga, sugere o emprego literal daquelas expressões, o que soa engraçado.
Uma das vantagens de levar o humor para a sala de aula, além de dar à classe alguma diversão, é despertar os alunos para as várias possibilidades que possui a linguagem de criar novos sentidos. Ao desafiar a lógica e propor imprevistas associações entre os signos, os textos de humor nos despertam para a inadequação de certos comportamentos e o absurdo das convenções, que muitas vezes tolhem a nossa liberdade e entorpecem o nosso espírito.