“Compreender as coisas que nos rodeiam é a melhor preparação para compreender o que há mais além.”
Hipátia de Alexandria
Hipátia de Alexandria
A talentosa matemática, filósofa e astrónoma Hipátia (ou Hipácia; em grego: Υπατία, transl. Ypatía) nasceu em Alexandria, no Egito, no final do século IV, início do século V d.C. Falar dela é evocar uma das primeiras mulheres a fazer contribuições significativas na história da ciência e da filosofia.
Ensinamentos de Hipátia em AlexandriaR. Bone, S.XIX
Hipátia de Alexandria, filha de Theon de Alexandria — ele próprio um matemático e astrónomo e o último membro atestado do Museu daquela cidade —, viveu numa época em que as mulheres não partilhavam o
Hipátia(atr.) Alfred Seifert, S.XIX
Mulher de mente aberta, Hipátia aceitava e tratava com igualdade todos os seus alunos, independentemente das suas crenças religiões, origens e características como irmãos, sendo educada, tolerante e racional. Sua natureza liberal desencadeou uma série de ciúmes, resultando em inimizades.
O léxico histórico Suda, uma enciclopédia do século X do mundo mediterrâneo, descreve-a como sendo “extremamente bela e bela de forma... na fala, articulada e lógica, nas suas ações, prudente e de espírito público, e o resto da cidade deu-lhe as boas-vindas adequadas e concedeu-lhe respeito especial”.
Hipátia, em litogravura do século XIX. ▪ Fonte: Wikimedia
Quando lhe perguntavam por que jamais se casara, respondia ser casada com a verdade. Defensora do racionalismo científico grego, Hipátia sofreu uma intensa hostilidade. Como pagã, Hipátia nunca terá proclamado a sua aversão ao cristianismo.
A Morte de HipátiaFrench Sch., S.XIX
Hipátia foi imortalizada na parede do Museu do Vaticano pelo pintor renascentista Rafael Sanzio, no seu quadro Escola de Atenas. Voltaire e Bertrand Russell comentaram com apreço o seu trabalho.
Hipátia representada no painel Escola de Atenas, de Rafael Sanzio, concluído em 1510 ▪ Stanza della Segnatura, Museu do Vaticano.
O historiador grego Socrates Scholasticus escreveu que ela “fez tais conquistas na literatura e na ciência, que ultrapassou de longe todos os filósofos do seu próprio tempo”. Hipátia foi igualmente tema de um romance da autoria do clérigo e escritor anglicano Charles Kingsley (Hypátia, 1853).O seu percurso fascinou ainda cineastas e realizadores, e é inclusivamente retratado no filme “Ágora” (no original), lançado em 2009, dirigido pelo cineasta chileno-espanhol Alejandro Amenábar, no papel interpretado pela atriz e modelo britânica Rachel Weisz.
A emérita Professora de Filosofia Kathleen Wider propõe que o assassinato de Hipátia marcou o fim da Antiguidade Clássica, e o académico norte-americano Stephen Greenblatt observa que o assassinato “efetivamente marcou a queda da vida intelectual na Alexandria”.
A par desse notável conjunto de capacidades e reconhecidas aptidões (Neoplatonismo, Filosofia Moral, Educação e Ensino, Sincretismo, Empoderamento Feminino), combinando espiritualidade e ciência, Hipátia de Alexandria aplicava a matemática e a astronomia à filosofia como forma de compreender o universo e o lugar nele ocupado pelo indivíduo.
MS'Art
Apesar da destruição dos seus livros, na tentativa de apagar a sua obra e a sua existência, a vida de Hipátia sempre será uma inspiração. Sabe-se que parte desse acervo incluía comentários sobre vários pensadores importantes, como a ”Arithmetica” de Diophantus, o ”Almagesto” de Ptolomeu e o trabalho de Apolónio sobre estruturas cónicas. A história de Hipátia de Alexandria, essa figura incontornável, luz brilhante, perdura até hoje e renascerá indelevelmente de cada vez que forem exaltados os valores da Verdade, da Liberdade e da Igualdade.