Há uma palavra em coreano in-yun, que quer dizer providência ou destino. Ela se refere especificamente a relacionamentos entre pessoas, que talvez venha do budismo e da reencarnação.
O in-yun acontece até quando você passa por alguém na rua e suas roupas esbarram sem querer, isso significa que alguma coisa aconteceu entre vocês em vidas passadas.
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Podemos ter tido influência de um rei ou de uma plebeia da renascença, também talvez de um indígena migrante asiático do povo da Cultura Clóvis. É de se encher de orgulho ter um DNA vasto culturalmente com ‘nuances’ de miscigenação quase, inimagináveis, porém, presente na formação de cada personalidade que cultivamos em busca de um bom relacionamento.
É curioso pensar que possuímos conexões especiais com cada pessoa que cruza em nossas jornadas. Mas aí surge o peso do “E se?”. Se mudamos o nosso destino, existe como fugir do que, teoricamente, está traçado em nosso futuro?
Teo Yoo e Greta Lee em Vidas Passadas (Past Lives, 2023) ▪ Direção: Celine Song ▪ Imdb
O filme "Vidas Passadas" relata com qualidade a existência do in-yun entre um jovem casal que manteve acesa a chama da saudade e do amor, e conta a história de enlace espiritual dos dois por muitos anos, demonstrando que algumas travessias podem levar muito tempo. O filme cria um mundo adulto onde o que seus personagens poderiam fazer já foi feito, em que todos os sujeitos dramáticos já sabem muito bem “onde foram parar, e onde deveriam estar”. É um acerto de contas entre o passado e o presente.
A vida exige coragem da gente. E só há uma maneira de ser lembrado pelo que realizamos: é dentro dos outros. Se para você tudo isso faz sentido, fique atento em como você pretende deixar sua marca. A vida é muito curta para ser pequena.