Biografia da autora
Natural de João Pessoa, Paraíba. É filha de Adeci (Nena) Bessera Venâncio e mãe de Ana Carolina Venâncio. Mestre em Letras e professora de Língua Portuguesa nos estados da Paraíba e Pernambuco.
Annecy Venâncio
É membro da Academia de Cordel do Vale do Paraíba – ACVPB, do Coletivo Marias da Poesia, do grupo Mulherio das Letras e da Confraria dos Bibliófilos da Paraíba, CBP.
Autora do livro Lonjuras (2019) e dos folhetos de cordel:
“Lonjuras” (2019/2023); “Um Conto de Era uma Vez” (2020);
“Carta ao Mestre Paulo Freire” (2021); “Nenhuma mulher merece ter seu direito negado, cordel coletivo”, (2022); “Mulherio das Letras”, (2022); “Manoel José de lima – Mané Caixa d’água”, (2023); “Retalhos Diversos”, (2023); “Corpo Violado”, (2023); “Morena do Sol e o Cangaceiro”, (2023).
Diz a ciência que a vida de uma borboleta passa por quatro estágios: ovo, larva (lagarta), pupa (ou crisálida) e imago (fase adulta). O que ocorre na passagem das primeiras fases para a última é uma verdadeira transformação.
O livro de Annecy Venâncio, Borboletei, ora apresentado, é fruto de muita maturação. Dos primeiros escritos, passando pela experiência profícua de textos em cordel, é possível constatar sua maturidade literária.
[...] Ter em mãos seus poemas em versos livres, numa linguagem e estética poética tão inovadoras, é muito gratificante. É uma poesia forte, determinada e consciente do papel que exerce enquanto mulher, educadora e poeta, capaz de vencer o medo e ir em frente, em busca dos seus sonhos, quando assim o diz em “bati as asas da coragem,/deixei para trás o casulo,/expulsei todo o medo”.
[...] E isso está marcado em suas palavras quando, como num brado, diz: “Minhas asas são fortes!/Carrego gratidão./Sou mulher de paixão,/vivo de metamorfose,/meu voo é inspiração!”
BORBOLETEI
“Bati as asas da coragem,
deixei para trás o casulo,
expulsei todo o medo,
vesti-me de bem querer.
O que fui é lembrança,
ciclo da maturação.
Morri algumas vezes,
despertei em outra fase.
Minhas asas são fortes!
Carrego gratidão.
Sou mulher de paixão,
vivo de metamorfose,
meu voo é inspiração!”
CENAS FOTOGRAFADAS
“Foi ali mesmo, na estrada de pedra.
Debaixo da roseira.
Foi naquela igreja,
naquela capela, que gravei
os nossos nomes.
Foi num café, em meio à história,
na antiga memória do Sanhauá...
Foi bem no momento de um
suave beijo da lua com o mar.
Foi na praça de Iemanjá,
Onde o Sol nasce primeiro.
Foi na areia que o mar acariciou.
Foi no olhar do seu louco desejo,
foi ali que o meu coração te encontrou.
De tantas histórias, cenas fotografadas,
gravei o teu jeito, e juntei ao meu.
Cruzei os nossos dedos em oração...
Foi ali que o meu amor se tornou teu!”
(Para Raniery Abrantes)
CONVITE
“Um vinho.
Um beijo.
Poemas...
E, se você aceitar,
o resto fica em segredo!”
A BORBOLETA, SOB O OLHAR DO POETA RANIERY ABRANTES
Foi num dia bem formoso,
que a Borboleta surgiu.
Implodiu o seu casulo,
enfrentou o desafio.
Abriu asas pelo mundo,
tendo o céu azul ao fundo,
e o Universo coloriu.
Ela, enfim, borboletou!
Seu poema é o mais viçoso.
Às margens do Sanhauá,
fez um voo gracioso.
Abriu asas pelo mundo,
tendo o céu azul ao fundo,
cenário maravilhoso.
Um jardim se revestiu,
logo cedo se aflorou.
Num canteiro, solitária,
ela, meiga, a flor beijou.
Abriu asas pelo mundo,
tendo o céu azul ao fundo,
e a magia se espalhou.
A vida borboletou!
Até mesmo o passarinho,
se encantou com o voo dela.
Ela sentiu seu carinho,
abriu asas pelo mundo,
tendo o céu azul ao fundo,
junto com o seu canarinho.
Ela traçou o seu caminho,
com sorriso, e alegria.
Enfrentou o preconceito,
fez nascer a poesia.
Abriu asas pelo mundo,
tendo o céu azul ao fundo,
de frente, com maestria.