São três grandes monólitos entre os limites que separam São Bento do Sapucaí e Campos do Jordão, lá no Vale do Paraíba, interior de São Paulo. Um ao lado do outro. O maior deles, o que fica no meio, dependendo do ângulo em que é visualizado apresenta o formato de um baú; daí, segundo alguns, a denominação: Pedra do Baú. De um dos lados dessa pedra está a Bauzinho, por ser menor e ter formato parecido e da outra banda, a menor das três, que é a Ana Chata e não sei quem foi essa Ana que mereceu tal “homenagem”. Há lendas de amor e tragédias em torno desse nome e seu respectivo apodo, mas não vem ao caso nestas linhas.
Pedra do Baú (Sao Bento do Sapucai - SP) Marcello Toldi
Pedra do Baú (Sao Bento do Sapucai - SP) violetflower
cai0c
A Pedra do Baú, sempre exerceu certo fascínio nas almas dos jordanenses. Como não podia deixar de ser, em minha família também. Muitas lendas, muitas histórias de destemor, de bravura de gente que enfrentou até onça antes de se arriscar naquele alpinismo rudimentar.
Para meu avô, homem que era homem de verdade tinha que enfrentar e escalar aquele paredão. Se não o fizesse... Bem, não poderia ser considerado homem com agá maiusculo. Seus filhos, Augusto (meu pai), Tasso e Orlando receberam seus diplomas de macheza. Escalaram a pedra. Faltavam os netos. Não sei como está a situação nesse quesito dos meus quatro primos por parte de pai. Vou procurar saber se tiveram sua formatura. Como já faz mais de quarenta anos que meu avô foi falar com Deus, meus filhos e os deles (primos) estão dispensados desse vestibular. Além dessa cobrança ter perdido sua força, hoje está fácil subir na Pedra. Perdeu a graça de outrora. Bem, e eu?
Rafael Vianna Croffi
Meu pai à frente da trinca. Segura aqui, põe o pé ali, cuidado que aqui está liso, melhor não olhar para baixo... Nem sei quanto tempo levamos, mas chegamos. A visão lá de cima é algo esplendoroso, inesquecível. Aqui, presos ao nosso cotidiano, nem desconfiamos como é bonito esse mundão de Deus. Como é!
Mas tínhamos que voltar, e na volta vir de ré. Aí a coisa quase que pegou. Em um trecho eu tinha que fazer um movimento com meu braço esquerdo, justamente aquele que a ortopedia não recomendava, pois costumava terminar em luxação. Empaquei. Vai chamar os bombeiros que daqui não saio. Não houve jeito, tive que arriscar e o braço não desencaixou. Ufa!
Foi assim. À noite um abraço de meu avô, lhano e com fumos de chancela. Como se ele estivesse entregando meu diploma de homem, de agá maiusculo, como ele gostava de dizer e me colocado de um dos dois lados em que ele dividiu a humanidade: a dos homens que escalaram a Pedra do Baú.