A estrada abriu-se em um abraço da saudade e, ao mesmo tempo, sinalizou reencontros enquanto o dia ainda dormia durante o avanço pelo tapete negro espichado por entre planos e elevadas passagens. A estrada já conhecia os passantes de outras épocas e sabia que fazia parte da história escrita pelas idas e vindas na aproximação das distâncias entre corpos e almas. Agora, um novo capítulo era escrito, antes imaginado tantas vezes, do mesmo modo desejado ser indefinidamente adiado. E tudo ao fim e a cabo se resumia a cumprir um ritual.
E tempo e Sol fazem sentir sua presença. Quase um século é uma longa estrada que uns estão prontos para findar, outros teimam em não querer vê-la concluída. Para uns descanso, para outros saudade. De todo modo, leva à estrada na memória em abraços e olhares pela porta da velha casa, junto à mesa de tantas refeições, pelo terreiro batido em pegadas antes firmes, depois vacilantes até se tornarem ausentes.
Se há uma espécie de quebra, interrupção da vida, lá fora a natureza abraça a saudade e reafirma a infinitude de muitas coisas. Alheios os galos-de-campina cantam como se o dia fosse igual aos anteriores e aos que estão por vir, assim como os pontinhos vermelhos das acerola maduras que vão soltando dos galhos do pé na cíclica construção da natureza. Sim, a vida segue, mesmo saudosa e as cercas dividem espaços e propriedades sem donos.