O filme “Precisamos falar sobre Kevin” conta a história de Eva Katchadourian, mãe de um “garoto Columbine”, como ficaram conhecidos os meninos que assassinam colegas de escola. Seu primogênito, Kevin, assassinou friamente onze pessoas no colégio onde estudava. Eva levava uma vida tranquila, casada com um homem romântico e bem-sucedido. Porém, a maternidade a transportou para um mundo cheio de incertezas e regras.
Tilda Swinton (Eva) e John C. Reilly (Franklin) em Precisamos Falar Sobre o Kevin (2011)
Eva, a mãe de Kevin, se classifica no segundo tipo. Ela certamente nutriu durante a gravidez as idealizações e ilusões de uma mãe de primeira viagem. Quando percebe que seu filho tem um comportamento
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Essas famílias são o retrato da contemporaneidade. Elas vivem relações superficiais, com pouco diálogo, cada qual voltado ao seu mundinho. E Kevin, por ironia, parece ser a pessoa que mais assimila isso. A correria do dia a dia acaba assolando os laços afetivos. Há pais que se preocupam em proporcionar conforto físico, com regalias, superficialidades, mas não ofertam o principal: o acolhimento às emoções. Assim foi com Eva, que necessitava de ajuda, porém não soube encarar a realidade. Imagine o choque ao constatar que seu filho é um psicopata!
Essa é uma narrativa que, antes de tratar da psicopatia, aborda a incomunicabilidade no seio familiar. Da família que diariamente põe a poeira debaixo do tapete. De quem é a culpa? Da mãe? Do pai? Da sociedade ou do filho que já nasceu psicopata? Mais do que encontrar culpados, precisamos procurar uma solução. Cada caso é único. O estudo da psicopatia não é uma ciência exata.