Resolvi começar a caminhar no parque próximo de casa. Logo nos primeiros passos descobri que precisava andar em zig zag desviando dos cocôs de cachorro que tinham por toda parte. Não demorou muito para sentir a necessidade de caminhar não só em zig zag mas de máscara pois um cheiro de xixi era demais. Entendo as necessidades dos animais em marcar território, mesmo que para os animais confinados em apartamento não façam o menor sentido, mas o instinto animal prevalece!
Denniz Futalan
Tenho observado várias cenas. Foram elas que me levaram a pensar, — quem não é pet não é nada nesse mundo de hoje.
Comecei essa observação quando fui visitar uma amiga em um prédio desses grandes, com um apartamento por andar. Estou no elevador indo para o vigésimo andar. No décimo pára e entra uma senhora com seu pet de porte médio no colo, o cachorro devia estar pesando, a senhora começou a apertar o animal que deveria estar nas últimas para fazer suas necessidades, começou a soltar pum fedorento, e eu ali acuada, sem máscara, um vexame, a senhora sabia que se colocasse ele no chão poderia ser ali mesmo. Ela apenas comentou: só é permitido usar esse elevador com o cachorro no colo e de coleira. Para meu alívio chegou o meu andar.
Jay Wennington
Foi aí que fiquei pensando, pobre desses animais tendo que virar quase gente, andar todo dia de elevador, viver em sofá e ficar lambendo gente. Fui pesquisar sobre as raças que existem hoje e tem específicas para cada perfil de tutor. Será?
Outras situações me fizeram continuar na minha observação empírica. Estava na praia tomando banho de mar, quando vem uma pessoa com dois cachorros pequenos soltos da coleira, o tutor distraidamente caminhava apreciando a paisagem e as "fofuras" resolveram marcar território bem na canga da jovem que bronzeava seus costados ao sol. Não deu outra, foi bem nela. Eu que observava da água fiquei logo na espera, a próxima será a minha bolsa. Ainda bem que passaram direto. De outra vez foi a tutora com três cachorros, assim que chegaram na beira mar ela tirou as coleiras e cada um desembestou para um lado. Ela já não tinha mais fôlego, assoviando para chamá-los sem resultado, passaram por cima das cangas, latiram para as crianças pequenas nas piscinas feita pelos pais, que a essa altura já estavam com os filhos no colo. Ela se aproxima e diz, eles são mansos não mordem. Quem vai confiar?
Elina Volkova
Foi então que pensei! E se fosse fundada a sociedade protetora dos humanos sem pet. Precisamos de espaços nesse planeta habitado por animais de estimação. Vejam só, no meu bairro inauguraram duas lojas vizinhas, a primeira um hortifruti, loja pequena, mas aconchegante com tudo que necessitamos para o dia a dia.
Fido Petshop
Estava caminhando na praça quando vi uma jovem mãe segurando o seu filho no colo, confortável num saquinho tipo canguru, ele observando tudo com os olhos voltados para frente, observava alegre quem ia passando inclusive os pets. Foi quando se aproximou uma senhora com um cachorro no colo, a criança se animou, balançava as perninhas e sorria, a mãe parou para que ele se divertisse mais um pouco. A tutora do cachorro se aproximou e falou: que lindo os dois bebês com olhos azuis, iguais! De imediato procurei o outro bebê, aí entendi, o outro era o pet. A jovem mãe olhou para a senhora tão espantada como eu.
Urs Tudor-Alexandru
Não sei se é só uma impressão, mas os tutores vão ficando parecidos com seus pets, ou são os pets que vão ficando parecidos com seus tutores. Até no andar se parecem. Deve ser pela rotina de descer para as necessidades, caminham numa simbiose que se tornam quase um mesmo ser.
Pode parecer loucura da minha cabeça, mas observem, na calçadinha da praia tem vários grupos que se reúnem toda tarde. Eles fazem festas de aniversário e encontros de pets. Foi lá que observei também essa semelhança.
Não pensem que não gosto de animais de estimação, gosto sim, já tivemos muitos, mas a relação era diferente, os cachorros sempre fora de casa, não entravam nos quartos, nem subiam nas camas e sofás, nem lambiam a boca de ninguém. Mesmo com meus filhos pequenos e a brincadeira solta, lembrava para eles – a língua que coça o furico é a mesma que lambe sua boca. Hoje isso não tem a menor importância para quem tem seus animais, dormem juntos, lambem até os bebês e beijam na boca dos animais. Os pets têm depressão e fazem até terapias. É cuidar do corpo e da mente!
Bin Ziegler
Não quero aqui ofender ninguém, mas é humanização demais para minha cabeça!