Há uma diferença básica entre artigo de opinião e reportagem. Nesses tempos árduos, vale a pena repetir que um jornalista deve, por dever ético, evitar transformar a reportagem em um texto moldado para comprovar seus pontos de vista. Os fatos são soberanos e devem ser apresentados com clareza a fim de subsidiar um debate honesto. A ausência de viés no texto oferece ao leitor a possibilidade de examinar os fatos como eles se apresentam, sem que o jornalista ceda a paixões de ocasião e a ideias preconcebidas.
Sim, soa idealista, mas alguns de nós preferem se manter fieis à ética profissional.
Sou amazônida e ambientalista, mas ao escrever sobre a exploração de petróleo na foz do Amazonas suspendi o julgamento e examinei todos os aspectos dessa questão essencial para a segurança energética do Brasil e que, por sua magnitude, tem gerado atrito entre membros do governo.
Ao escrever a série de reportagens, busquei informações sólidas. Li dezenas de textos durante três meses, viajei até o Oiapoque e chequei tudo com pesquisadores nas universidades, cientistas e profissionais independentes.
São textos longos, exigem atenção, mas são a bênção do jornalismo independente: você escreve o quanto precisa e da forma que deseja, a fim de contribuir para que a sociedade venha a conhecer os variados aspectos de determinado assunto.
A última reportagem da série será publicada hoje à noite. Explica detalhadamente o que está em jogo na exploração de petróleo na Margem Equatorial. No final, há um conjunto de links complementares e fontes para conhecer melhor um assunto essencial para o futuro do país. Meu trabalho é perguntar e pesquisar. A opinião deixo para o leitor.
Obrigada aos que leram e apoiaram este projeto.
A versão final de toda essa pesquisa, muito mais completa, estará no meu livro, a ser publicado em 2024.
As reportagens estão disponíveis nos links abaixo.