Maquiada a capricho, os cabelos vastos arrumados, soltos, em ondas bem acentuadas, livres. O olhar voltado para o verde aguardado. Um verde que poderia tomar outra tonalidade, dependendo da coloração do diálogo previsto, da confirmação do enlace previsto.
Ela mordiscava as unhas compridas, nervosa, deixara cair o estojo de apetrechos que lhe pertencia. Todos acorreram, ela se abaixara, apanhara um volume, embrulho guarnecido por um papel feminino, talvez um presente
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Destinos. A demora já arrancava suspiros da moça que aguardava o quase noivo. Namoro bem firme, ele bem de vida, criador de gado. Segurava o humor para não desabar em choro. Seria ignorado pelos que estavam com ela à espera.
Enfim, o expresso estacionou na rodoviária. Ela somente olhos ansiosos para a escada de desembarque. Ele desceu enigmático, um semblante fechado e esboçou tímida alegria, muito formal que a deixou hesitante. Por quê? Quando ele a enlaçou pela cintura, foi tocado por alguém, às costas. Ao virar-se desabou tudo. Era uma mulher tensa, raivosa, fumegante. A noiva ficou sem saber como agir. Entregou o presente ao pretenso futuro marido. A estranha, muito endurecida em seu rancor, estraçalhou o pacote e sacudiu a gravata ao chão, pisoteando-a.
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Sequer elas se olharam. A noiva apanhou a gravata, guardou-a na bolsa e saiu a se assoar, pálida pelo susto, pelo inesperado. A outra acendeu um cigarro, tomou direção contrária, vitoriosa. O homem que se fora era um perfeito namorado para ambas. Ele jamais pensaria em casar-se com ninguém. Nem com uma, nem com outra. Um farsante vivo.
Foi quando o verde se tornou negro, profundamente escuro qual um túnel.