Muito difícil encontrar alguém tão conscientemente provisório como eu. Ainda jovem entendi que quanto mais possuímos as coisas, mais somos possuídos por elas. Talvez a primeira vez tenha sido quando fui buscar com meu amigo Luiz Carrilho Neto o primeiro Puma que chegava na Paraíba. Era lindo; conversível, todo branco por dentro. Lembro que subíamos da lagoa em direção à praia quando ao lado do Liceu um Jeep velhíssimo abalroou o sonho da vida de qualquer jovem e destruiu completamente a traseira do Puma. Desceram 2 bêbados sem a menor noção do valor do prejuízo e um deles mandou: “— Probrema não, miníno. Passa lá na oficina de Alipito que nóis conserta”.
Maximalfocus
Em mim aquilo sempre tocou fundo. Na mansão dos meus pais haviam-se hospedado dois Presidentes da República, todos os artistas e vips que visitaram a Paraíba e por conta de uma maxidesvalorização da moeda eles perderam tudo. Decidi que jamais teria alguma coisa que pudesse ser tomada ou destruída, e passei a valorizar unicamente minhas amizades. Cargos e títulos não me tentam e a grana é toda para gastar e dar gorjetas, ajudando os que precisam sempre que posso.
Devaiah Kalaiah
Não consigo entender como as pessoas compram obras de arte e guardam em suas casas para seu exclusivo desfrute. Uma obra de arte é o presente que Deus dá à humanidade através do talento que distribui para poucos privilegiados. Na administração do meu (fraco) juízo, eu entendo que quem tem condições deveria adquirir essas obras e doar cada uma delas a museus para que todos pudessem admirá-las, ressalvado o direito do doador de admirar sua doação sempre que quisesse, apondo-se ao lado do quadro ou escultura o nome desse benfeitor para massagear seu ego e incentivar novas doações.
Sabe aquela coisa de guardar o melhor para dias especiais? Lá em casa sempre foi dia especial. Sei lá quantos dias ainda terei... .