Na sexta-feira (23) nossa conversa foi sobre discos. Vou tomar como referência a indústria fonográfica de meados da década de 1970. Pode ser uns anos antes. Pode ser uns anos depois. Era o tempo dos discos de vinil. Era por meio deles que consumíamos música. Eram eles que, no caso dos colecionadores, formavam nossos preciosos acervos domésticos. No Brasil, os discos rodavam em 33rpm. 45rpm, só nos singles importados vindos quase sempre dos Estados Unidos ou da Europa.
Banfield
Os discos de 10 polegadas, muito populares no início dos anos 1950, tinham uma circulação restrita duas décadas mais tarde. Abundavam no mercado na época em que os discos de 12 polegadas ainda não eram tão populares. Para citar somente um exemplo, o clássico As Canções Praieiras, de Dorival Caymmi, era um disco de 10 polegadas. Tinha quatro faixas no lado A e mais quatro no lado B. Nos anos 1970, a indústria recorria ao formato para lançar coleções – de música popular brasileira, de clássicos – vendidas em banca de revistas.
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Essa conversa foi motivada por um texto de Mauro Ferreira. Numa retrospectiva de 2022, o crítico do G1 aponta os melhores EPs do ano. Um EP está mais para o velho compacto duplo de vinil do que para o LP ou álbum. O EP, como assinala Mauro, é “ideal para o artista sem repertório e/ou recursos financeiros para gravar álbum, mas também indicado para ouvintes sem paciência para escutar uma sequência de oito ou mais músicas”. Ressalte-se que o consumo de EPs se dá massivamente em serviços de streaming. O EP se afirma enquanto o CD físico agoniza.
⏤ Texto publicado originalmente no Jornal da Paraíba ⏤