Já em meado do século XIX o presidente da Província da Paraíba, Sá e Albuquerque falava da expansão do café pelo do Brejo, cultura que há décadas se adaptou ao clima e às sombras das serras, mesmo que as terras férteis da região proporcionassem bom cultivo de cana-de-açúcar.
Pela hegemonia econômica no Brejo, havia uma boa disputa por maior posição na produção entre o café e a cana, visto que a região nunca foi adaptável à pecuária.
Pela hegemonia econômica no Brejo, havia uma boa disputa por maior posição na produção entre o café e a cana, visto que a região nunca foi adaptável à pecuária.
Para ficar somente com Serraria, meu patrimônio de orgulho e admiração, porque em suas terras
Milo Miloezger
Em 3 de maio de 1852, o presidente Sá e Albuquerque, em mensagem à Assembleia Legislativa, afirmava ser o café arábica cultivado com excelente qualidade na vila de Bananeiras e outras localidades. Acreditava que logo a cana seria substituída pelo café porque seu cultivo exigia menor participação de trabalhadores e “com a extinção do tráfico (escravos) o que tem de tornar ainda mais raros os braços no campo”, além do mais, o mercado para o açúcar estava reduzido.
Cultivados junto com a pimenta do reino, os cafezais sadios e viçosos afortunaram famílias durante décadas no começo do século XX, mas, em anos seguintes depois de 1930, a praga causou a devastação de 600 mil pés de cafeeiros nos municípios de Serraria, Bananeiras, Areia e Alagoa Nova. Então, começa o declínio da produção devido aos cerococus que se alastraram pela plantação, mas por volta de 1950 e anos consecutivos, percebíamos restos de plantios enfezados em áreas de algumas fazendas ou sítios.
Rodrigo Flores
Na propriedade rural do coronel João Mendes, o café foi sua principal atividade. Uma atividade seguida pelos filhos à medida em que ganhavam uma nesga de terra como dote paterno.
Assim foi com Misael Mendes, herdeiro do gosto do pai Joca Mendes pela política e pelo café que cultivava em grande escala. Nos hectares de terra que recebeu no sítio Tapuio, trabalhou com essa cultura durante toda a vida e ampliou a atividade ao tempo que a sua reserva monetária crescia. Fez fortuna, se tornou um barão do café mesmo sem as insígnias comuns aos “barões” no centro-oeste do País. Teve poder aquisitivo para colocar os filhos em colégio, notadamente em Bananeiras, ou na Capital, onde somente os abastados tinham essa possibilidade, a exemplo das famílias Bezerra, Lucena, Ramalho, Rocha, Duarte, Carvalho.
Mamãe torrava grãos em caco de barro, esperava esfriar, pilava com mãos ágeis, e preparava “café donzelo” para a degustação, que até nós, crianças, tomávamos.
Christian Joudrey
Bem recente, entusiasmado, o empreendedor rural Geraldo Espínola, dono do Engenho Baixa-Verde, manifestava o desejo de retornar o cultivo de café, uma atividade que dividia a hegemonia com a cana-de-açúcar no município, em cuja fazenda nasceu o professor Hermano José. Sobre este pintor, os cem anos do seu nascimento foram comemorados timidamente.
Mesmo que seja atrativo para o turista, Geraldinho usará o cultivo de café para mostrar como os antepassados de Serraria fizeram fortuna ao utilizar as potencialidades das terras férteis, como se deu com os seus familiares e com meu bisavô João Mendes.
Como parte de um projeto de incentivo ao turismo, no Engenho Baixa- Verde começou a brotar, gradativamente, a retomada do cultivo do café que vem se juntar a outras etapas econômicas que compuseram a história do engenho e seus arredores, já consolidadas.
Engenho Baixa Verde - Serraria /PB
Não será apenas para turista ver, mas certamente motivará outros produtores a fazer o mesmo, de modo a encher os terraços das antigas casas de fazendas utilizados para a secagem de grãos.