Pois é, existem diplomas e diplomas, medalhas e medalhas, títulos e títulos. As pessoas sabem disso, sem que ninguém precise explicar a diferença entre uns e outros. E isso é bom, pois prova que a inteligência pública para intuir certas verdades muitas vezes é subestimada pelos que se julgam mais espertos que os outros. Circulando por aí, sabemos, tem muito diploma, muita medalha e muito título cujo recebimento diminui mais que engrandece os seus agraciados. E também, ao contrário, muito diploma, muita medalha e muito título cujo não recebimento só aumenta a estatura dos não contemplados.
Nesse sentido, os exemplos são muitos. Começo com os perseguidos em nome da justiça, os punidos arbitrariamente pelas ditaduras,
Ravi Levi
Vem-me ao pensamento a perda da presidência da República por José Américo, quando do golpe getulista que instaurou o Estado Novo, em 1937. O paraibano, candidato ao cargo máximo do país, era tido como o favorito nas eleições que se avizinhavam. E eis que Getúlio, sem querer deixar o poder, instala a ditadura, cancela o pleito e manda José Américo para o ostracismo. Pois bem. Essa presidência imerecidamente perdida só fez aumentar o brilho da biografia do “homem de Areia”, valendo mais que muita presidência conquistada por outros, sabe-se lá por que meios. Para mim, José Américo foi, de direito, presidente da República; apenas não tomou posse, como Tancredo, mas isso é um mero detalhe; na minha cabeça, no currículo do autor de A Bagaceira consta com todo destaque a chefia do executivo brasileiro. Ele e Epitácio foram os dois paraibanos que chegaram lá, quem quiser que discorde.
Arq. Nacional
O grande Ulysses Guimarães, do alto de sua experiência, gostava de dizer que o bom não é ser, é ter sido. Em muitos casos, digo eu, modestamente, melhor é não ser e não ter sido.
Drummond, o imenso poeta, quando jovem, aos dezessete anos, foi expulso de um colégio de Nova Friburgo (RJ) sob a alegação de “insubordinação mental”. Veja só que galardão extraordinário, suficiente para envaidecer a inteligência de qualquer um. Muitos anos depois, o mineiro já consagrado como um dos maiores poetas do Brasil de todos os tempos, o mesmo colégio quis prestar-lhe uma homenagem. Drummond educadamente recusou. Considerava-se já devidamente homenageado com a antiga expulsão.
Alice Vergueiro
Sartre recusou o Nobel e Bob Dylan não foi receber o prêmio. São atitudes antes de tudo corajosas, sem entrar no mérito das mesmas. As reviravoltas da vida costumam transformar os perseguidos e condenados de ontem em heróis da atualidade. E vice-versa. Haja responsabilidade nas nossas costas. O futuro é sempre incerto. E muita vez é não sendo que se é mais.