Há algum tempo, escrevi sobre Manelito Vilar, que havia falecido em 28 de julho de 2020, em plena pandemia. Intitulei meu texto, que foi publicado neste mesmo ALCR, de “Um herói paraibano”, e até hoje essa crônica apologética dedicada ao grande empreendedor na área do agronegócio em nosso Estado teve meu recorde de “curtidas” dos leitores: mais de trezentos polegares para cima. Fiquei surpreso com essa reação, não manifestada até então com tanta ênfase, mas depois compreendi a razão do entusiasmo: não foi exatamente o texto e sim o personagem-tema que mobilizou as mais diversas admirações e cumprimentos.
Acervo familiar
Claro que a afamada simpatia pessoal de Manelito também contribuiu para a calorosa acolhida do texto, mas ele só se tornou “herói” e exemplo por conta de seu empreendedorismo bem-sucedido, principalmente numa região carente desses personagens míticos.
Agora quero falar de outro herói empreendedor, desta vez de nossa cidade, que nos deixou recentemente. Refiro-me a Seu Dedé, proprietário e fundador do Supermercado Manaíra, hoje em acelerada fase de expansão comercial para outros bairros da capital e símbolo do absoluto sucesso de um negócio que começou modestamente e que cresceu na base do trabalho sem tréguas, do profissionalismo e, por que não?, de muita sorte, esse fator incerto mas determinante, não só nos negócios mas em tudo na vida, como sabemos.
Nascido em Serra Redonda, ele veio para João Pessoa muito cedo e já começou trabalhando com a venda de verduras no Mercado Central, tudo numa escala muito modesta. Depois é que
Acervo familiar
Seu Dedé partiu precocemente, aos 72 anos. Poderia, em tese, perfeitamente ter vivido mais 20 e continuado a crescer e a gerar empregos e riquezas. Mas teve tempo, felizmente, para ver o êxito de seu esforço e receber, em dezembro do ano passado, o reconhecimento público na forma da cidadania pessoense, concedida por nossa Câmara Municipal. É uma pena não ter chegado a inaugurar a nova filial do Altiplano, mas essas coisas são assim mesmo, sabemos: não temos controle sobre elas. Partiu também sem saber quem será o próximo presidente do Brasil. Não sei em quem ele votaria. Mas uma coisa sei: pouco importaria para ele quem vai governar o país a partir de 2023; empreendedores de sua estirpe não dependem nem precisam de benesses de governo nenhum, qualquer que seja. Acordam cedo e vão ganhar seu dinheiro trabalhando e descobrindo oportunidades – nem se lembram de que Brasília e suas mazelas existem.
Seu Dedé recebendo título de Cidadão Pessoense
Toda história de vitória pessoal dos mais modestos me empolga. Elas me fazem acreditar no Brasil. Há poucos dias, um adolescente indígena, de Baía da Traição, contra todas as expectativas, passou no vestibular de Medicina na Universidade de Brasília. Vibrei demais. Bato palmas para quem vence honestamente, sem falcatrua nem corrupção, superando as barreiras iniciais.
Seu Dedé trabalhou demais, de domingo a domingo, sem feriado nem fim-de-semana. É possível que tenha usufruído pouco do muito que conseguiu amealhar com o suor do rosto. Que agora descanse em paz esse também reconhecido herói paraibano, desbravador de caminhos. Ele merece.