Tinha um cacoete. Sacudia a cabeça, fungava, e dava um berro de cabra. Muitos o consideravam louco, outros catimbozeiro.
Servidor público aposentado, vivia pelas ruas centrais, Ponto Cem Réis. Dizia ter sido chefe da casa civil do presidente Jânio Quadros. Puxava a miniatura de uma vassoura, símbolo marcante da campanha do folclórico Chefe da Nação Brasileira de mandato meteórico. Forças ocultas, como disse no discurso de despedida, não o deixaram continuar.
64 chegou, assanhou estudantes e camponeses, ameaçou, prendeu, inclusive, o tal da vassourinha flagrado a rodopiar o objeto-talismã entre os dedos. Nada adiantou o fungado, nem o berro. Levaram-no a lugares desconhecidos, varreram-no do mapa.
Gente fanática colocava o retrato de Jânio em moldura. Quando visitou nossa Capital, João Pessoa, a Rua da República ficou tomada por populares, maioria estudantes perfilados, bandeirinhas agitadas. À altura da Praça da Pedra, mandou ele parar o carro aberto que o transportava e, tal qual gosta de fazer o Papa, tirou uma criança novinha dos braços maternos, deu-lhe um porre no beijo de testa que o novinho adormeceu. Bafo de onça comprovado pelo discurso pastoso de língua e fala embrulhada feito perante as autoridades atentas.
Fiquei orgulhoso em ver na reportagem do finado “O Cruzeiro” – revista de circulação nacional – a foto de alguns trechos de nossa cidade. Decerto, muitos passariam a conhecê-la e admirá-la. Status de capital federal, por alguns dias. Valeu. Muito longe, a mil anos-luz da chegada dos zapzap e outras imediatas transações.
Outro dia, estava vendo excelente foto do saudoso Jânio da Silva Quadros trocando as pernas. Atropelando-se. Lembrei Jerry Lewis e escrevi esta crônica.