Por indicação de um amigo comum, tomei-me de curiosidade e fui procurar nas redes sociais que hoje fazem parte de nosso dia-a-dia, a entrevista que o engenheiro Paulo Bezerril Júnior, um dos muitos nordestinos migrados para o sul, dera, há pouco dias, a um site especializado que se edita em São Paulo, cidade que o acolheu e onde ele fez valer sua competência e capacidade de trabalho, tornando-se figura exponencial no meio profissional em que milita.
Cheguei às páginas do site do Instituto Água Sustentável e lá estava o programa “Porque o mundo precisa de água”, no qual o apresentador e professor Everton de Oliveira conversa com Paulo, que fala de seu livro “Um Saneador de Cidades –
A obra — destaca o site da entidade — “retrata a memória profissional do autor – uma vida dedicada à Engenharia Sanitária e Ambiental”. Ele fala sobre a seção paulista da ABES e destaca parte da história do saneamento em São Paulo e no Brasil onde atuou desde 1969. Bezerril aborda também a modernização institucional dos recursos hídricos no estado e no país, entre outros assuntos do setor. Nela, nos dá detalhes dessa verdadeira odisseia vivida como integrante de equipes de profissionais de seu quilate, dedicadas ao estudo da água e sua complexidade operacional no dia-a-dia de nosso país, principalmente.
O entrevistado também discorre sobre as experiências vividas nesse trabalho, relatos que ele transformou em livro autobiográfico, experiências essas que se constituem em um retrato em preto e branco da luta e das dificuldades que técnicos como ele enfrentam, para tornar realidade uma situação merecedora de uma atenção muitas vezes difícil de obter.
Com o conhecimento de cátedra, Paulo fala da água como um bem social de valor incomensurável, que muitas vezes não recebe as atenções devidas. Sua visão globalista se faz presente, de logo, ao nos mostrar as diferentes qualidades de água à nossa disposição,
Paulo Bezerril Jr.
Com um enfoque ambientalista que ousei considerar símile do pensamento universalista do Professor Aziz Ab'Saber (geógrafo de grande importância no nosso panorama cultural), Paulo defende, com muita propriedade, o uso da água com a racionalidade que a sua importância dicotômica (solo/água) requer. Ele nos conduz a um mundo diferente do qual vemos apenas uma parte: a água consumível, como potável. Acentua que esse pensamento, de certo modo considerado como canhestro, tem permitido, por um lado, o aparecimento de visões apocalípticas, como o futuro desaparecimento das águas na superfície do planeta ou seu crescimento em tal volume que todas as terras serão inundadas. Para o entrevistado e memorialista, são visões que não se coadunam com a realidade da vida, pois a própria natureza promove o balanceamento de suas forças, como ouso inferir, lembrando o aforisma de Lavoisier: “Na natureza nada se cria, nada se perde, tudo se transforma”.
Para Paulo Bezerril, a sociedade humana tem que aprender a balancear o uso desse bem, adquirindo consciência de que há outras disponibilidades de facilitação que podem contribuir de forma marcante para a desoneração dos sistemas atualmente em voga, que demandam custos financeiros crescentes, dados os investimentos sempre exigidos para conferir maior
Nick Moore
Esse retrato nos mostra, infelizmente, o quanto ainda estamos atrasados neste campo. Paulo nos conta das dificuldades que o grupo operante que ele integrou teve que enfrentar para fazer valer as realidades com as quais se deparavam. Foram anos de choques.
É uma dura realidade, lamentável.
É o que entendi da entrevista desse amigo distante, pondo-me, agora, à espera de uma obra, que, decerto, fará jus àquela consideração do Professor Cláudio Rodrigues, ao afirmar ser o apanágio do escritor, se não me falha a memória, algo como “li e gostei”, como manifestação do leitor.
Fico, então, na expectativa de repetir essa expressão, com um abraço pessoal, para esse amigo que em breve estará entre nós, trazendo o fruto de suas recordações.