O relógio em seu tic-tac perceptível das horas escuras da madrugada se faz presente. Dialoga com o silêncio das coisas inanimadas que ganham vida durante o dia. À noite, o relógio marcha incontrolavelmente enquanto a corda lhe estira a vida, a pilha lhe conceder energia. Tic-tac que traz a névoa matutina, que levanta o Sol feito uma corda esticada até o outro lado do mundo e que libera o aparecimento da irmã Lua rasgando o mar e as nuvens. Tempo a desvendar o imperturbável andar da vida.
Srikanta
Tic-tac que controla tudo. E para não se sentir prisioneira a melhor medida é agir de modo a ignorá-lo. Pois, qualquer tentativa de pô-lo em cabresto resultará em inutilidade. O tempo é a égua solta no pasto a cavalgar livremente pelas veredas, é o barco a seguir o fluxo dos ventos e das marés despreocupadamente no litoral, é música que atinge as maiores distâncias devido à sua suavidade. Melhor admirar o que ele produz a desafiá-lo com as voltas do relógio.
Thom Holmes
E mesmo quando o tempo para nós finda, num tic com ou sem tac... Ele segue e nos deixa no meio do caminho, calculando a mesquinha temporalidade individual. O tempo do nosso mundo é uma partícula indivisível do todo percurso descomunal do início sem fim do tempo.