Leio, nas páginas do Abelardo Jurema, nota registrando a realização do festival do Bode Rei, nas terras do Roliúde Nordestino, criações do espírito irrequieto do amigo que já se foi do nosso convívio, criações essas que nas mãos de quem verdadeiramente sabe o que é turismo canalizaria alentados grupos, no mínimo, para se deliciar das delícias culinárias produzidas com partes dos súditos desse monarca, cuja realeza, quem sabe, logo também será transformada, no gostoso picado, que o pernambucano chama de sarapatel, que tanto nos delicia.
Esse registro levou-me a alguns recônditos memoriais e me permitiu resgatar na memória eletrônica quase infalível que vem substituindo muitos dos neurônios que gradativamente abandonam o nicho que ocuparam por um considerável lustro de vida, o texto que se segue, registro de tempos que já se foram e de projetos irrealizados, como muitos outros que envolveram esse amigo.
@willsleal
Pediram-me amigos comuns um depoimento sobre Wills Leal, nestes seus setenta anos de uma vida, bem vivida.
Comecei a escrevinhar, mas o projeto se tornou falho, por causas que já nem lembro quais, que o tornaram inconsistente.
Agora, no limiar de nossa caminhada terrena, remexendo na memória eletrônica que me tem salvo de muitas descortesias, encontro os primeiros esboços daquela que seria minha homenagem a um amigo com quem trilhei muitas veredas da vida, em caminhadas que cimentaram uma amizade duradoura.
Nos conhecemos na década de ’60, do Século passado, quando ambos trilhávamos os primeiros caminhos de uma vida, de certa forma centrada no jornalismo de nossa terra, como alunos das grandes escolas informais de então, as redações dos jornais O Norte e A União. Estreitamos essa amizade ao ingressarmos no Curso (pioneiro) de Jornalismo, na então Faculdade de Ciências e Letras do Instituto Nossa Senhora de Lourdes e a partir daí começamos a definir nossos caminhos de vida, que embora distintos, muitas vezes se cruzaram, pois nunca deixamos de ser os jornalistas que sempre queríamos ser.
@willsleal
Seguimos nossa vida, com Wills se dedicando fundamentalmente ao estudo do cinema como arte e técnica e, mais adiante, ao turismo, onde pontuou, fazendo aflorar sua imensa capacidade criadora, ao se revelar um mestre naquela atividade que o professor Ronald de Queiroz Fernandes intitulava de “indústria sem chaminés e sem fumaça”.
Entendendo as peculiaridades dessa indústria, logo se tornou um dos baluartes do processo de definição da filosofia de trabalho e consequente consolidação das diretrizes que se deveriam adotar para tornar o turismo na Paraíba a realidade que hoje parece ser, aliando sua capacidade cultural e sua inquietude intelectual a uma criatividade “sui-generis”, que nos deu criações como a “Roliúde Nordestina” e o “Festival do Bode Rei", marca e evento que se tornaram diferenciais importantes para o turismo paraibano, em qualquer ponto do mundo.
@festadoboderei_
Este é o depoimento, atrasado em mais de 10 anos, mas, acredito expressando uma realidade, um retrato talvez pouco nítido, de um personagem que merece lugar de destaque na história vivencial de nossa cidade e do nosso Estado, que, como acontece amiúde, tem memória curta e egoísta.