Aumentou meu deserto. É como terminei e-mail de quatro linhas a Evandro Nóbrega, que me dá a notícia da morte de Valderi Claudino, no último dia 27. Participamos juntos, eu e Evandro, da edição da autobiografia desse médico vitorioso em sua vocação e em seus empreendimentos na área de saúde no interior de Minas, onde creio que se formou.
Fez seu nome ou sua obra noutro meio, entre mineiros da saga de Guimarães Rosa, e aposentando-se, recolheu-se à Paraíba. Morando em Tambauzinho, meu vizinho de bairro, continuou o mesmo Valderi que deixei na Casa do Estudante em 1953: recolhido em seu quarto, fora da algazarra que era a nossa vida.
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Na Casa todos nos preocupávamos com o futuro de cada um dos sócios. Não apenas o de François, de Itaporanga, que atraído pelas ofertas do Paraná, apareceu senador. O cego Titola (apelido de Wilson Braga), na cadeira de governador, me telefona de madrugada para saber onde estava Miroveu, que era o menos saliente de nós todos.
Acredito que foram muito poucos, pouquíssimos, os que se tornaram esquecidos. Os que não deram notícia, como Manuel do Rádio. Por que o apelido? Pela tática de venda usada no comércio de rádios receptores, a do freguês levar o rádio por experiência. Levando e devolvendo seguidamente até esgotar o número de lojas, Manuel nunca passou sem rádio. Havia dessas como exceção.
Ac. familiar
Rapazes vindos do interior, longe dos cuidados paternos, unidos solidariamente como se em família fosse. Itaporanga entrava com a maioria, seguida do Piancó, de Cajazeiras, de Patos e do Cariri.
Um dia desses estranharam a frequência de Wilson Braga em minha crônica, visado, naturalmente, por razões de caráter político e do seu próprio comportamento, às vezes brincalhão, às vezes chistoso. Longe da família, sem recursos, o que nos sustentava era a união, indissolúvel na vida e na lembrança. Valderi Claudino e todos que se foram continuam descendo e subindo a mesma ladeira Feliciano Coelho, a mais íngreme e a que mais nos treinou para a vida inteira.