Penso que nasci no lugar errado. Detesto o clima dos trópicos, esse forno de siderúrgica que não respeita estação do ano, e o “barulho crônico”, praga onipresente no cotidiano das bandas de cá.
Nunca tive na vida um lugar que oferecesse verde, água doce, frio e silêncio, “sonho de consumo” que não consegui desfrutar. No entanto, me vi na contingência de me conformar por aqui.
Para preservar a saúde, já apresentando sinais de fragilidade, optei, na reta final da vida, por ficar em “off”, construir uma espécie de “universo paralelo”,
P. Souto
Diante do absurdo que é a própria existência, como bom seguidor de Albert Camus, procurei apenas viver o absurdo que me cerca, sem me deixar iludir pela esperança do indivíduo religioso ou do militante político.
No esforço constante para construir meu precário universo paralelo, escolhi o Facebook como minha única janela para o mundo. Digo "única janela" porque jamais utilizei smartphones, nem por empréstimo, desde quando a novidade apareceu. Meu “binóculo” tem sido o micro de mesa, que chamo de “salada paraguaia”, geringonça que já nasceu sem "griffe".
Para me manter como mero observador do cotidiano, descobri uma maneira de quebrar o isolamento: garimpar imagens da João Pessoa do passado — o que, pelo visto, dá prazer aos amigos e seguidores do Facebook e, claro, satisfação a mim mesmo (muitas vezes, tenho tido gratas surpresas com o que consigo encontrar).
P. Souto
De agora em diante, com a capacidade de reação bastante reduzida, mas consciente de que o que vivi nestas sete décadas é o que me faz valorizar o que hoje sou, é “cumprir tabela” e aguardar o tsunami. Socraticamente.