Dona Creusa Pires, de quem tenho o privilégio de ser filho, dizia que o melhor da festa é esperar por ela. Tinha razão. Quando jovens, na expectativa de qualquer evento, programamos com deleite a roupa que usaremos, com quem encontraremos e muita coisa mais. Só que, caminhando para os 80 anos, o melhor da festa para mim é não ir a nenhuma festa, ficar em casa. Porém esta é outra história. A história de uma viagem. A viagem do meu coração.
Antes da pandemia Covid eu já havia pensado em voltar ao Caminho de Santiago de Compostela, onde fui absolutamente feliz duas vezes.
Jon Tyson
A segunda vez que fiz o Caminho de Compostela foi um alumbramento. No meu encantamento fui acompanhado por mãe Leca, Paula Ângela, Ceiçinha e Ana Maria. Nem precisava andar. As companheiras me elevavam num pisar de nuvens.
Mas vamos ao que importa.
Terça-feira embarco sozinho. Um pit spot em Lisboa para participar da belíssima procissão das velas em Fátima, na noite do dia 12 de maio, e em seguida meu destino será León, na Espanha. Pretendo fazer os últimos 300 quilômetros do Caminho. Planejei percorrer 30 kms em média por dia, o que resultará em 10 dias de caminhada. É muito forte, porém estou me preparando há alguns meses. Pus mais um dia de reserva, porque nessa época chove bastante e o percurso é muito irregular. Alguns dias subirei até 1.500 metros. Não me preocupo com as subidas; o risco está nas descidas, porque se forçam muito os joelhos e há fundado receio de um escorregão nos trechos de barro.
Les Argonautes
Darei notícias e prometo rezar por todos.
Ultreya y suseya!