O sujeito que teve a infeliz ideia de botar aqueles quiosques nas praias de Tambaú e Cabo Branco detesta o mar. Veja: com o estacionamento de veículos do lado da calçadinha (apesar da ciclovia) e o paredão formado pelas “ilhas” de quiosques, quem passa de automóvel ou de ônibus, ou mesmo quem caminha na calçada, não consegue enxergar direito a grande estrela do local - o mar.
Ao contrário do que acontece em todo lugar do mundo, optamos por esconder o mar, a maior atração da orla, exatamente o que temos de mais precioso para mostrar ao turista. Pode observar: há duas praias no trecho entre o antigo Largo da Gameleira e o final da Avenida Cabo Branco.
ALCR
O fato de morar há mais de quinze anos no Cabo Branco e de caminhar todos os dias, de manhã e de tarde, me permitiu fazer descobertas inquietantes, coisas que não são percebidas por quem mora noutro lugar e vem aqui apenas de passagem. Uma delas: com os quiosques, a iluminação artificial e a agitação normal dos bares e eventos, as aves marinhas desapareceram e os animais que precisam da beira-mar para sobreviver estão sendo mortos cruelmente, todos os dias.
Eduardo Santos
Agora, só se vê pombos e pardais na orla, aves típicas de ambientes sujos, retrato vivo do desequilíbrio ecológico. Junto com a prostituição, as drogas e a bebedeira sem fim, ratos, baratas e, na época chuvosa, caramujos africanos também tomaram conta do pedaço. Sem falar nas muitas “comunidades” de moradores de rua, que moram literalmente na areia, como aquele personagem da famosa canção de Dorival Caymmi.
ALCR
Pediria apenas uma coisa às autoridades competentes, todas elas: vamos descobrir o mar de Tambaú e Cabo Branco. Vamos devolver o mar aos olhos dos moradores e visitantes da cidade, ao convívio do chamado povo em geral.
E façamos isso urgentemente, antes que o nosso principal cartão postal se torne uma imensa fossa a céu aberto, algo como o antigo Mercado Central nos seus piores dias. Penso que é uma medida fácil de ser tomada, como foi fácil descobrir o mar de Manaíra...
PS - Para os antigos romanos, “a orla marítima é um bem de uso comum do povo, não podendo ser vendido ou comercializado, enquadrando-se no rol dos bens fora do comércio”.