Seria completa a edição redesenhada de A União desse novo 2 de fevereiro se o telefone houvesse me chamado logo cedo para o “Visse?” de Martinho Moreira Franco. “Visse?” assim como está escrito, apanhado no subjuntivo para a efetividade de uma obra nova aos nossos olhos. Um visse nada estranho à linguagem familiar ou de entre amigos. E vício só raramente evitado, que me lembre, das minhas relações, apenas pelo doutor Celso Mariz, escritor que adoçava a gramática: “Tens alguma novidade? Viste o filme do Vladimir sobre o patriarca?”!
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Era assim meu precioso amigo. Definia a página, apontava as chamadas de vitrine, a melhor foto, mas nunca tentou paginar. Arrumar, escolher as vestes, os tipos, não era com ele. Mas vinha dele, da estética de seu olhar, o aprovo definitivo.
Os amigos Paulo Melo, Martinho Moreira Franco, Aberlardo Jurema, Ipojuca Pontes e Gonzaga Rodrigues, em evento no restaurante do 'seu Mário' ▪ Cabedelo/PB ▪ 2019
ImagemAgenda do Abelardo
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Jornal A União (Paraíba), edição do dia 02.02.2022, com novo formato gráfico, em seus 129 anos de história.
Não fica só no visual. O verdadeiro leitor de jornal, o que demora tempo na reflexão, o que não lê por cima, não demora menos de uma hora para se inteirar do que lhe interessou. Levei mais de duas horas na edição do último domingo. O jornal me situando no jogo de interesses externos sobre a Ucrânia, nação de muitos donos, e, mais próximo de nós, no papel do novo Centro Tecnológico em que foi transformado o Colégio das Neves. E muito mais: querendo me ver livre para ler Hildeberto, Sitônio, as meninas de cabelos grisalhos, lindas meninas, e o noticiário me segurando. De braços abertos para cima, o papel a um palmo dos olhos, e o jornal me prendendo. Uma vontade danada de perguntar a Naná, a William por que não aderir ao tabloide ou ao jornal de Juarez Batista, do tamanho dos franceses e ingleses de hoje? Atenuaria o sacrifício dos meus braços. Mas vem a edição redesenhada, grande e leve, salvando um padrão clássico, histórico, que merece todo o respeito.
Só faltou mesmo o imprimatur do Martinho, que a missa de ano vai lembrar amanhã, e que daqui do meu íntimo estarei com ele.