As caixas das lembranças perdidas no ar reabertas, as figurinhas coladas nas páginas do álbum reavivado, os jornais com o seu nome assinando alguma matéria esquecida e desimportante pelo tempo que já ocorreu e que ganha novo valor. É quase como uma ficha dos antigos orelhões a fazer uma ligação sensorial com o cheiro de uma flor que se joga através dos galhos pelo muro de um residência agora super vigiada por câmeras e cercas eletrificadas, com o cheiro do mar no inverno ou da batida da água da chuva na terra quente e seca.
Fragmentos das memórias que soltam por dentro dos olhos pinicados, em pequenos pedaços, que são reconstituídos pelo arqueólogo indivíduo a usar
David Lung
Da infância solta uma roupa, as luzes do parque de diversão de uma festa, o tênis velho e surrado que protegia os pés no intervalo das aulas, um olhar que sumiu e virou poeira cósmica. Coisas que renascem e ressurgem à nossa frente sem evocação aparente. Mas estamos ali num flash maravilhados pela possibilidade de reviver o que já se foi. Percebê-las é manter chamas vivas e esquentar o presente e entender que futuro precisa ser colhido e ser reconsumido quando deixar de ser novidade. Melhor, ser nova a captura atual do pretérito. O que se chama manter viva a lembrança.
Ryan Doherty
A insignificância aparente de algo pode ser o maravilhamento de alguém. É o estalo dos dedos, o ruído da canção longínqua, a força da luz indireta da luz lunar na calçada de cimento, o tabuleiro de um jogo antigo cuja caixa meio rasgada só reforça a fragmentação da mente. Cada peça tem um valor. Pois, somos um inteiro feito de muitos pedaços construídos durante a vida.