Rastreando o tempo e os motivos que vieram justificar o renome secular de Castro Pinto, Flávio Ramalho de Brito toca, de passagem, em Santos Netto. Trata-se de um filho do grande Artur Aquiles, legendário do interesse público através de O Comércio, jornal do começo do século 20, que repercute até hoje. O filho, Santos Netto, foi colega de Faculdade e certamente o de amizade mais próxima de Augusto dos Anjos. Não deixa de ter influído na inserção dos primeiros versos do poeta no jornal famoso.
É nessa parte que o depoimento de Santos Netto nos leva a estranhar o completo despreparo do advogado e professor Augusto dos Anjos para o arranjo da vida. Depoimento a que vem se arrimar o infortúnio das vicissitudes. Tinha competência para a cátedra, tanto quanto João Ribeiro, mas não tinha padrinho.
Decadência da família com a perda do Engenho? Nem tanto por isso, creio. Os irmãos, do mais velho ao mais novo, souberam escapar ao declínio. Um deles tem anúncio qualificado no Almanack da Paraíba de 1909. Dona Carmem Coelho vai encontrar esse rico irmão do poeta no mais belo palacete de Tambiá. Odilon, advogado no Rio, financia-lhe o livro. Todos souberam superar, e bem, a decadência do Pau d’Arco. Todos souberam ser feras entre feras. O que soube Augusto?:
“Para iludir minha desgraça, estudo,
Intimamente sei que não me iludo.
Para onde vou (o mundo inteiro o nota)
Nos meus olhares fúnebres carrego
A indiferença estúpida de um cego
E o ar indolente de um chinês idiota.”
Intimamente sei que não me iludo.
Para onde vou (o mundo inteiro o nota)
Nos meus olhares fúnebres carrego
A indiferença estúpida de um cego
E o ar indolente de um chinês idiota.”