Transcorria julho de 1984 quando a leitura de um artigo do amigo Hélio Zenaide me fazia cair o queixo. Então Secretário de Comunicação da Prefeitura de João Pessoa, Helinho escrevera n'A União, o jornal pertencente ao Governo da Paraíba, sobre a visita de entidades extraterrenas a um grupo de moradores de Sousa, a mais de 470 quilômetros de João Pessoa.
Artigo do próprio punho, na página de opinião do Jornal, a fim de que não restasse dúvida quanto à história e sua autoria. Mesmo assim, liguei em busca da confirmação daquilo que eu acabava de ler.
O Globo, 9.7.1984
O jornal carioca divulgou a coisa na edição do dia 9 do mês aqui já referido. E o titulista me deixava mal com meu amigo. O cara assim grafou no topo da matéria publicada no primeiro caderno: “Richelieu, agora bancário, paga os pecados no Sertão”.
Sem fotos, naturalmente, de tal encontro, o Departamento de Arte d’O Globo completou o estrago. Alguém, ali, fez o desenho de um disco voador pousado na Caatinga e com a rampa baixada para o desembarque de Richelieu em cima de um jumento. Jornalista de longo batente, Hélio não rompeu comigo. Sabia que o título nem a ilustração eram coisas minhas. E sabia, é claro, dos riscos que corria ao dar publicidade ao assunto.
Dizia o texto que encaminhei à Sucursal recifense d’O Globo, onde foi recebido por Roberto Tavares, então encarregado da coleta e do repasse à Sede, no Rio, daquilo que produzia a rede regional de correspondentes:
JOÃO PESSOA – Contatos com naves interestelares e seres extraterrestres, revelações de que o Cardeal Richelieu, a eminência parda da França do Século 17 está vivendo no interior da Paraíba e a construção de um hospital fazem parte de uma espantosa história que envolve um grupo de pessoas, entre as quais figuras de expressão no Governo e meios empresariais do Estado.
A história é contada pelo Secretário de Comunicação da Prefeitura de João Pessoa, Hélio Zenaide, um dos integrantes do grupo e homem que também já foi Secretário de Educação, Finanças e Comunicação do Governo da Paraíba.
O hospital está sendo construído em Sousa, município do Alto Sertão, para reparar um mal causado à cidade francesa de Montpellier, em 17 de agosto de 1603, quando um exército de encapuzados, sob o comando do Cardeal, invadiu La Maison de Route (A Casa do Caminho), um albergue-hospital, destruindo-o e matando pastores protestantes e todos os enfermos.
Hélio Zenaide garante que foi o assassino de Charles de Montebrun, General dos Hunguenotes (exército protestante), fundador de La Maison de Route. Chamava-se, então, Vicent de Medard e era, ao que diz, “um fanático católico a serviço da Igreja de Roma”.
Richelieu, afirma Zenaide, está encarnado em um bancário que vive em Sousa. O grupo aumenta a cada dia à medida que outros “invasores de La Maison de Route” são identificados por Cleofas, um ser que, segundo o mesmo Zenaide, “habita Antares, uma estrela da Constelação de Escorpião” e que desembarcou, a 17 de agosto do ano passado, junto com Charles de Montbrun e outras vítimas do massacre de 1603 de uma nave espacial no local onde está sendo construído o hospital-albergue.
A história é contada pelo Secretário de Comunicação da Prefeitura de João Pessoa, Hélio Zenaide, um dos integrantes do grupo e homem que também já foi Secretário de Educação, Finanças e Comunicação do Governo da Paraíba.
O hospital está sendo construído em Sousa, município do Alto Sertão, para reparar um mal causado à cidade francesa de Montpellier, em 17 de agosto de 1603, quando um exército de encapuzados, sob o comando do Cardeal, invadiu La Maison de Route (A Casa do Caminho), um albergue-hospital, destruindo-o e matando pastores protestantes e todos os enfermos.
Hélio Zenaide garante que foi o assassino de Charles de Montebrun, General dos Hunguenotes (exército protestante), fundador de La Maison de Route. Chamava-se, então, Vicent de Medard e era, ao que diz, “um fanático católico a serviço da Igreja de Roma”.
Richelieu, afirma Zenaide, está encarnado em um bancário que vive em Sousa. O grupo aumenta a cada dia à medida que outros “invasores de La Maison de Route” são identificados por Cleofas, um ser que, segundo o mesmo Zenaide, “habita Antares, uma estrela da Constelação de Escorpião” e que desembarcou, a 17 de agosto do ano passado, junto com Charles de Montbrun e outras vítimas do massacre de 1603 de uma nave espacial no local onde está sendo construído o hospital-albergue.
Visitei essa mesma edificação situada à margem da BR-230, entre Sousa e Aparecida, anos depois, já em pleno funcionamento, desta vez, para matéria destinada ao Jornal do Commercio, do Recife.
Eu e o fotógrafo fomos bem recebidos. Conversei com o pessoal da direção e com alguns internos – gente retirada das ruas e ali abrigada - todos solícitos. Mas, em nenhum momento, apesar da minha insistência, me revelaram a identidade atual do velho Richelieu. Perdi, sem dúvida, um bom papo. Outro fato a lastimar foi a notícia posterior de que “A Casa do Caminho” paraibana, que vivia de doações, passava por dificuldade financeira em razão da falta de apoio governamental.