O 4 de novembro, afinal, está sendo levado em conta. Não como feriado vinculado à data herdada do registro histórico de assentamento da pedra inicial da cidade. Mas ao ser invocado como referência e motivação para a abertura do Museu da Cidade e anúncio da conversão do Palácio do governo em museu do Estado. Deste último falaremos depois.
A fundação da cidade, mesmo que resulte do trucidamento quase completo da nação autóctone, guarda um sentido mascarado na catequese, na doação das primeiras casas, na elevação dos templos, nas dunas materiais e espirituais sobrepostas secularmente à nossa formação.
Quando governador, Ernani Sátyro foi ao Instituto Histórico e falou sobre a prevalência do pedreiro de 4 de novembro ao do Tavares que concertara a paz de agosto. Mas na hora de comemorar, prevaleceu o dia da Santa. E fica difícil deixar o manto azul da Senhora das Neves para engolir a poeira do ouvidor Leitão. Ou indo a detalhe, transferir nossas honras e devoções à colher de pedreiro do mestre Manuel Fernandes, “mestre das obras d’el rei”, responsável pelo assentamento da pedra de partida.
Mas isso é de somenos. Importante é que se instala o museu que os governos vêm devendo secularmente à cidade, de costas para o mais precioso dos seus capitais, que é o histórico. E mais que histórico: o artístico, o dos seus altares a que se tem rendido o olhar universal de cultores como Mário de Andrade, Alceu Amoroso Lima e, de forma privilegiada a quem estuda o Barroco dos trópicos, o de Clarival do Prado Valadares, autor de “Nordeste Histórico e Monumental”.