Existem profissionais que de tão dedicados ao ofício terminam se confundindo com ele. São pessoas que se entregam ao que fazem de maneira tão plena e profunda que se tornam sinônimos de suas respectivas profissões. Este é, sem dúvida, o caso do paraibano Fernando Teixeira, que está para completar oitenta anos de vida e já celebra agora sessenta anos de carreira no mundo do teatro e do cinema, orquestras onde toca vários instrumentos.
Fernando – que não conheço pessoalmente – é antes de tudo um ator, um homem do palco, da cena, sem prejuízo de sua competente atuação também nos bastidores, como diretor, por exemplo.
Pode-se afirmar, sem nenhum demérito para ele, que seu reconhecimento é maior na aldeia, ao contrário do que vem acontecendo com outros colegas seus, como Everaldo Pontes e Zezita Matos, cujas oportunidades, principalmente na televisão, lhes proporcionaram renome e prêmios para além dos muros tabajaras. Mas como disse, isso não lhe diminui absolutamente, são apenas circunstâncias da vida, sobre as quais, sabemos, quase sempre não temos controle. Para ele, suponho, o importante é viver o teatro e o cinema, independentemente de tudo o mais, como costuma acontecer com aqueles e aquelas verdadeiramente vocacionados. Os que se preocupam mais com fama e sucesso normalmente são os menos comprometidos com o ofício e os menos aptos para exercê-lo.
Sempre fiel ao palco aldeão, Fernando Teixeira tem tido, ao longo dos anos, expressiva atuação no cinema, em curtas e longas-metragens, e já atuou em novela da Globo, a exemplo de Velho Chico,
No teatro como no cinema, a exterioridade dos atores e atrizes tem muito a ver com a fiel caracterização das personagens. É o que se chama de verossimilhança.
Soube que o ator está escrevendo a autobiografia, pretendendo publicá-la no próximo ano. Isso é muito bom, em todos os sentidos. Primeiro, porque dará ao público o conhecimento, em primeira mão, de uma vida humana e artisticamente rica, que merece ser compartilhada, em seus detalhes, para engrandecimento de todos. Segundo, porque conferirá perenidade a um testemunho valioso – e autêntico – sobre um importante paraibano e sua época, de muita valia para os estudiosos futuros de nossa vida cultural.
Vita brevis, ars longa. A vida é breve, a arte é longa. Que a vida e a arte do nosso conterrâneo sejam igualmente longevas. Da plateia, aplaudo ambas.