Dez páginas, apenas e tão somente dez páginas em corpo 10 dos velhos magazines de linotipo!... E que páginas!
Há prefácios assim. Esse de meus frequentes retornos é assinado pelo professor José Pedro Nicodemos à edição feita para publicar pela Universidade Federal da Paraíba, através de sua editora, sob recomendação de um conselho editorial dirigido por Francisco Pontes da Silva.
Há prefácios assim. Esse de meus frequentes retornos é assinado pelo professor José Pedro Nicodemos à edição feita para publicar pela Universidade Federal da Paraíba, através de sua editora, sob recomendação de um conselho editorial dirigido por Francisco Pontes da Silva.
Leitor, de ordinário, preguiçoso, salvo quando a leitura não depende de mim, mas de seu próprio fascínio, tenho ficado muitas vezes no prefácio. Às vezes, não raro, sem me queixar do que foi deixado mais adiante.
Um parênteses, não posso omitir: derrotado pelos novos de maioria esquerdista a que eu pertencia, chocado, sentindo-se traído pelo que eu lhe devia, apurado o pleito, quando o vi descer as escadas que ele construíra, acudiu-me a lembrança de ir a sua casa restituir o livro que o acompanhava onde mais demorasse. A API era a sua segunda morada. Eu não tinha certeza de ser recebido, mas pressenti ser esta a minha obrigação, já que não podia devolver os favores recebidos nos dias de iniciação.
Bati palmas, veio D. Ester, que me recebeu de rosto bondoso como sempre, e o resultado é que o livro propiciou-me a graça do perdão.
Mas corramos ao prefácio que reli há pouco, a cada frase, a cada palavra ressurgindo não só o estilo mas, sobretudo, o homem castiço que conheci em professor Nicodemos. Não fomos próximos de amizade, mas muito de admiração. Repórter nos anos de Pedro Gondim, que trouxera para o governo, além de Serraria e adjacência como o general Edson Ramalho, mas alguma prática de ideias novas, sem manietar-se aos remanescentes de 1930 até ali presentes em todas as gestões. E entre os novos, os "estranhos", o secretário de Educação Pedro Nicodemos.
Há outra página sua que muda tudo o que li e ouvi sobre os "voluntários da pátria" à guerra do Paraguai: eram negros esses vo luntários. Negros que Lima Barreto descreve sem nenhum voluntarismo, garroteados e embarcados para dar nome e glória aos vence dores brancos de uma guerra extremamente desigual.
Numa hora em que dobram a esquina final os amigos do afeto, vem a estante com essas lições de vida.