No ambiente de uma biblioteca uma figura-chave é a do bibliotecário. Por esta razão, e considerando os objetivos deste trabalho, faz-se mister apresentar algumas reflexões sobre o papel do biblioterapeuta.
A propósito, vale mencionar a observação de Erica M. Horne (A look at bibliotherapy, 1975), para quem o livro é, ele mesmo, um terapeuta. Os livros podem ser ferramentas valiosas e poderosas para a comunicação quando prescritos cuidadosamente para indivíduos que estão perturbados.
A propósito, vale mencionar a observação de Erica M. Horne (A look at bibliotherapy, 1975), para quem o livro é, ele mesmo, um terapeuta. Os livros podem ser ferramentas valiosas e poderosas para a comunicação quando prescritos cuidadosamente para indivíduos que estão perturbados.
A leitura reflete as experiências humanas de todas as épocas e lugares e, portanto, dá acesso a registros de vida, atitudes e sentimentos. Por outro lado, vários mecanismos são postos em funcionamento quando existe uma interação entre um leitor e um livro.
Constata-se que a leitura tem uma vantagem sobre a comunicação humana direta porque não é tão intensiva como a palavra falada. Um livro é muito menos ameaçador, muito menos exigente, e ainda assim pode oferecer muito no sentido de comunicar situações humanas e permitir ao leitor aplicá-las à sua própria realidade.
Entretanto, faz-se mister afirmar que o bibliotecário não é um anjo, servindo aos desafortunados doentes e nem uma figura autoritária e ameaçadora. Ele é ou deveria ser, um trabalhador profissional amadurecido, responsável, realizando competentemente uma tarefa importante.
Alston, dividiu as responsabilidades do médico e do bibliotecário na Biblioterapia da seguinte maneira: o médico deveria saber o que esperava alcançar com a leitura prescrita, sumarizar os mecanismos psicológicos básicos do paciente e indicar que tipo de leitura seria de benefício e qual outro seria indicado para o paciente. Aos bibliotecários caberia a elaboração de uma lista do material comumente usado na biblioterapia, conhecimentos de enredos e problemas tratados na literatura e disposição de observar inteligentemente e avaliar as reações do paciente e/ou as mudanças de comportamento.
Outra estratégia a destacar está condicionada à pergunta: os bibliotecários estão equipados para fazer Biblioterapia, tanto implícita como explícita? Alguns deles podem ser bons terapeutas implícitos. Alguns aprenderam a dar sua contribuição como biblioterapeutas, mas esta é uma área um tanto negligenciada pelas Escolas de Biblioteconomia.
No futuro a educação continuada dos bibliotecários deverá dar oportunidade aos estudantes de considerar e discutir livros em situações interpessoais nas quais relacionamentos de ajuda sejam possíveis. Onde estão os cursos substanciais disponíveis devotados à orientação de leitura de adultos, sem falar em um curso substancial de Biblioterapia? A educação de alguns bibliotecários deveria incluir também cursos avançados em Psicologia e Literatura.
Torna-se oportuno ainda enfatizar que em 1955, na Conferência de Verão, dos Estados Unidos Mc. Daniel apud Tews (1962, p. 97-105), disse algumas palavras de conselhos e encorajamento aos bibliotecários, as quais até hoje perduram:
Se o fator e o espírito de trabalho de equipe estão presentes, o bibliotecário pode tornar-se um membro realmente influente na equipe. Basicamente um educador, o bibliotecário não pode esquecer que a própria educação e a dos outros é um processo contínuo e lento. É fácil, quando imbuídos no nosso trabalho, construirmos um mundo ao redor dele. Entusiasmo é uma das mais caras e produtivas características humanas. Mas a perspectiva também é um dos grandes valores humanos. A história nos ensina. O coração também é frequentemente um instrutor generoso e sábio. O uso de tudo isso favorece o alcance da perspectiva, que, é claro, está vendo o relacionamento das partes entre si e com o todo.

Texto extraído de artigo publicado no livro 'Educação (re) Construída – Teoria Fundamento A Praxis, organizado pelo pedagogo Fernando Abath
Disponível em: Sebo Cultural Amazon
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Marília Mesquita Guedes Pereira é bibliotecária, mestre em biblioteconomia e biblioterapeuta