Um colega se refugiou num sítio. Deixou o asfalto para viver em contato mais próximo com a natureza. Ou seja, ser fiel à vocação ecológica. Ali, penso, convivendo com aves e bichos mansos, sacudindo ao ar milho e deitando rações para eles, se afilia à ala do franciscanismo. Sem hábito, sem regras, sem votos. O ar puro deverá exercer sobre o amigo e ex-colega de bancos colegiais um fascínio e bem-estar jamais encontradiço nos páramos assaltados pelos cruéis trânsitos de autos e parentes de motor, malabarismo de motos, ar poluído, envenenado pelo metanol e companhia ilimitada.
Nascido num largo, o cruzeiro à frente, o belo templo de São Francisco, a calma da época, tudo deverá haver influenciado sua busca de qualidade de vida. Sabe lá o que é um sítio, onde viceja o verde, os frutos pendurados e preguiçosos, amadurecendo, uns caindo de tão maduros? Coisa de cinema.
Hoje, o barulho mastiga nosso viver e conviver, o ruído crescente, a correria, o estresse. De todas essas mazelas ele se livra, quando pousa e repousa num sítio. Não sei, nem quero saber onde se localiza. Que a paz reine no refúgio espontaneamente escolhido pelo amigo.
Ignoro se alguém (esposa ou filhos) ficam com o desertor da cidade intranquila: afaste os móveis e dance com ela aquele bolero ou vá curtir as pencas de banana, o pomar, as galinhas tontas, se possível descalço. É hora do basta de tanta vida arrepiada! No dia em que o encontrar, irei inquiri-lo mais de perto. Verei se se tornou mais jovem. Franciscanamente. Amém.