Um prédio histórico, no Centro de João Pessoa, a Capital paraibana, remete o visitante a um dos episódios mais tocantes de toda a longa história da cidade.
Inaugurado em 30 de março de 1919, com o paraibano Epitácio Pessoa no comando do País, o prédio foi feito para abrigar a Escola Normal então reclamada por mães e pais desejosos da graduação das filhas no curso que a estas garantiria o emprego de professoras tão logo concluído.
Muito se passaria até a atração da garotada de ambos os sexos pelas Escolas Técnicas de hoje com seus computadores, laboratórios assépticos como salas cirúrgicas e cursos que vão da Engenharia às Ciências do Meio Ambiente.
A erguida em João Pessoa seria palco de uma tragédia ocorrida em 22 de setembro de 1923: o assassinato de Sady Castor, aluno do Liceu Paraibano, pelo Guarda de número 33 então empenhado em cumprir a proibição da diretoria ao namoro das alunas. Sady ali fora ao encontro de Ágaba.
Revista 'Era Nova', nºs 51 e 52 / 1923 UFPB
Os disparos que o abateram atingiriam, também, dada a revolta da cidade, o prestígio do governador Solon de Lucena. Este determinou a suspensão das aulas por 15 dias, tanto na Escola Normal quanto no Liceu. Mas a comoção popular estava, ainda, incompleta. Pouco tempo depois, Ágaba se mata.
O fato me vem à mente com o reencontro do álbum “De Escola a Palácio” que eu, o também jornalista Gonzaga Rodrigues e o fotógrafo Antonio David produzimos quando da restauração, em 1998, do prédio já há muito ocupado pelo Tribunal de Justiça. A obra encomendada pelo desembargador Raphael Carneiro Arnaud, então presidente da Casa, teve programação visual do saudoso Milton Nóbrega e editoração eletrônica de Martinho Sampaio, dois craques em suas áreas.