O meu pai jamais deixou de reconhecer os pequenos e eventuais sucessos do aluno medíocre que eu sempre fui. Nessas pouquíssimas oportunidades, afagava-me a cabeça e saía-se com uma frase que repetiu praticamente durante toda a sua vida: “- É o segundo Castro Pinto! ”
Hoje, não ouço mais a voz do meu pai, o bordão que soava altissonante, repercutindo nos quatro cantos da casa da Rua Desembargador José Peregrino, 321, cujo teto o abrigou durante exatos quarenta e oito anos.
Se vivo fosse, seria a pessoa mais indicada para fazer a apresentação do fascículo sobre Castro Pinto, não obstante tivesse tudo para exceder-se pelo tom encomiástico, laudatório, com o qual certamente iria reverenciar o tio-avô ilustre. Verdade seja dita: o meu pai sempre se mostrou um perdulário em elogios àqueles que formavam o seu diminuto círculo familiar. Tanto que, mesmo diante das opiniões mais prosaicas do filho, dos netos ou de um parente remoto, não raro vislumbrava o borbulhar do gênio castropintiano. E lá se vinha com o indefectível bordão.
Samuel Vital Duarte é o autor do fascículo sobre João Pereira de Castro Pinto. E quando escreve sobre o ex-Presidente da Paraíba, algumas vezes o faz como quem estivesse passando a limpo a sua autobiografia. Tanto que, não fosse a sua faculdade inata de conviver com os opostos, sobre ele cairia feito uma luva a seguinte “boutade” do poeta Mario Quintana: “(...) cada um só gosta de quem se parece consigo”. Acontece, porém, que as afinidades entre alguns biógrafos e biografados decorrem, quase sempre, de felizes coincidências. Coincidências que unem e nivelam os raríssimos homens de bem de todos os tempos e lugares.