Parte I
Procedentes de Paris chegamos à Cidade Eterna onde hospedamo-nos no apartamento de Salomé Espínola. Sassá, como carinhosamente a chamamos, é a nossa sobrinha-filha e afilhada.
Ela mora num apartamento da Via Sebino. Região prazerosa no nordeste de Roma, dispõe de construções antigas e imponentes, e lugares aprazíveis, como a Villa Copedé, um conjunto de palácios residências do século XIX, com a esquisita Fonte das Rãs.
Em Roma, Sassá nos levou para lugares pouco conhecidos pelos turistas, como uma cervejaria fundada em 1846, a Antica Birreria Peroni, onde bebemos deliciosas cervejas e devoramos um prato muito saboroso: tripa alla Romana! É uma espécie de dobradinha muito gostosa, com vísceras de boi. É um pouco apimentada, porém muito saborosa.
Ela mora num apartamento da Via Sebino. Região prazerosa no nordeste de Roma, dispõe de construções antigas e imponentes, e lugares aprazíveis, como a Villa Copedé, um conjunto de palácios residências do século XIX, com a esquisita Fonte das Rãs.
Em Roma, Sassá nos levou para lugares pouco conhecidos pelos turistas, como uma cervejaria fundada em 1846, a Antica Birreria Peroni, onde bebemos deliciosas cervejas e devoramos um prato muito saboroso: tripa alla Romana! É uma espécie de dobradinha muito gostosa, com vísceras de boi. É um pouco apimentada, porém muito saborosa.
Esta praça dá origem à Via Del Tritone. Percorremos essa rua a pés, até chegarmos à Via Del Corso, que nos levou à Piazza Del Popollo, onde muitas pessoas brincavam com uma bola gigante, jogando de uns para os outros.
Voltando, Sassá nos levou até uma igreja, a Basílica de San Silvestro in Capite. Esta fica por trás da Via Del Corso.
A igreja de São Silvestre tem uma história muito curiosa, para não dizer tragicômica ou mesmo macabra, que merece um parêntese. Ou alguns parágrafos. Ela dá guarida a uma relíquia que é nada mais, nada menos que a cabeça de um santo! Pois é, lá encontramos dentro de uma caixa de vidro uma cabeça horrorosa, carcomida, arroxeada, que é atribuída a São João Batista.
Diversas lendas afirmam que o santo sacramenteiro, quando foi decapitado a pedido de Salomé (não a minha!) teve o seu corpo enterrado num vilarejo da Cisjordânia, e a cabeça foi enterrada num monte de esterco, por ordem de Herodes. Depois foi resgatada por Santa Joana, e percorreu longo caminho até chegar a Roma. Ou à Catedral de Amiens, na França. Ou a Residenz, na Alemanha. Também à mesquita de Omíadas, em Damasco. Ou até mesmo a Prodromos, na Romênia. Todas sugerem o fenômeno da multiplicação das cabeças, a partir do século IV, quando ela (sic) foi reencontrada.
Não só cabeças, mas outras partes do santo estão exibidas em diversas igrejas pelo mundo afora: a mão direita que batizou Jesus, o pé direito, dedos, joelhos, cotovelos, tornozelos... Por aí.
Eu acho mesmo é que o pessoal que partiu para a Terra Santa, os cruzados, voltaram de lá com sacos e mais sacos de ossos e cruzes de Cristo, para tirar o prejuízo vendendo como relíquias aos incautos. Devem ter ganhado muito dinheiro, porque essas relíquias macabras exercem fascínio sobre os fiéis, que não poupam donativos. Estes então se sentiram mais atraído por aquelas igrejas que têm relíquia, desdenhando as demais.
Essas igrejas que têm cabeças de São João só são concordantes numa coisa: todas são uníssonas em afirmar que a sua cabeça é a verdadeira e única!
... Após quatro dias passeando por Roma, ciceroneados por Salomé, alugamos um carro ao lado da Estação Termini e partimos para o nosso destino: a Toscana. Para chegar lá peguei carona na Vespa de Salomé, circulando por Roma numa lambreta, como nos filmes da minha juventude...
A caminho da Toscana passamos pela Úmbria. A Úmbria é tão bela e fascinante como a Toscana, apresentando relevo muito parecido com o desta última. Porém não tem o charme dela, sendo bem menos divulgada. Enquanto a Toscana é renascentista, a Úmbria é predominantemente medieval. A região já foi objeto de crônica anterior.
Estacionamos na extremidade oeste, e seguimos pela via central. Nela encontramos a igreja (chiesa) de Santa Clara (Santa Chiara), com alguns pedaços, digo: relíquias desta santa. Ao final da via encontramos a Basílica de São Francisco. A basílica é rica, contrastando com a filosofia do santo, como ele nunca imaginou que fariam com ele, pois tinha aversão às coisas da terra.
Dedicamos um bom tempo explorando a basílica. As suas paredes são ricas em afrescos, alguns de Giotto, e que sofreram danos devido a um terremoto acontecido alguns anos antes. No subsolo estão enterrados São Francisco e seus primeiros discípulos.
Um evento curioso. Os sanitários ficam, também, no subsolo da basílica, porém em outra ala. De lá é possível descortinar a planície abaixo, em torno da cidade histórica. Eu estava lá quando percebi corvos grasnando, esvoaçando agitados. Subitamente o tempo escureceu, e irrompeu uma ventania muito forte, seguida de um temporal, que havia sido previsto pelas aves.
Anos antes havíamos assistido a A Vida é Bela, um filme italiano rodado na cidade de Arezzo. Isso despertou a curiosidade, e fomos conhecer esta bela cidade, um pouco menos medieval que as outras. Arezzo fica ao sul da Toscana, perto de Siena.
Estacionamos na estação de trens e subimos a via central chamada Il Corso Itália, até a Igreja de Santa Maria, com sua bela fachada de granito verde. Atrás dela está a Piazza Grande, uma praça esquisita, inclinada, que foi locação de cenas importantes do filme A Vida é Bela. Vale a pena ser visitada.
Já no final da tarde deixamos Arezzo para trás, nos dirigindo à cidadezinha de Poggibonsi, que escolhemos como ponto central para explorarmos a Toscana. Mas isso fica para depois.