Com aqueles olhos de forte claridade, Otávio Sitônio Pinto já havia chegado ao meu terraço com esta conversa: quem deu nome ao Brasil foi o pau da Paraíba. O nome brasil saiu daqui.
- Onde você viu isto, homem?
Ele não lembrou ou não quis dizer, mas aquilo ficou fermentando minha cerveja.Otávio, além de minerador de leituras é bom de intuição.
Eu estava de cabeça baixa em qualquer leitura, numa manhã antiga de A União, quando Otávio entra espavorido, vestes de motoqueiro e olhar de quem chega encandeado. O texto vinha à mão pronto para ser aplicado numa peça de chamamento turístico: “Paraíba, onde o sol chega primeiro”. O avanço continental do Cabo Branco a apanhar o sol primeiro que qualquer outro extremo do continente.
Na prática, no terra a terra, talvez não pudesse render muita coisa, mas onde está a alma da propaganda? Nesse ilusionismo mercantilista.
Acordando diariamente a esfregar a miopia na aurora do Cabo Branco, José Américo não tinha se advertido disto. Chega Otávio, ares de Vespúcio, e me larga a descoberta no birô. Eu não era da publicidade, mas torcia por uma encaçapada dessas.
Dessa nova vez a boutade é no meu terraço. Isto há trinta anos: “ Quem deu nome ao Brasil foi o pau de tinta da Paraíba”.