Há muito tempo que eu adiava o horror que seria ir à casa onde morei e da qual carrego ainda comigo coloridas embora indesejáveis lembranças. Mas era necessário ir pois havia uma quantidade enorme de essencialidades que eu precisava ter em mãos ou na mente, quando necessário. E digo a vocês: quantas vezes eu deixei para depois aquilo de que precisava ontem!
Mas fui, não sei como fui, nem como entrei. Lembro apenas de caminhar de cabeça baixa, para não perceber os detalhes de uma vida promissora que havia cessado e me tornado outra pessoa que, no futuro, ocuparia o meu antigo lugar em mim, hoje tão abarrotado de sublimações, possivelmente buscando a conversão a longo prazo que me permitisse viver, esquecendo tantas emoções confusas de um passado que insistia em se mostrar vivo e pulsante.
Na saída, levantei a cabeça, olhei em torno, juntando minhas forças, e pensei se haveria no mundo algo para se ver que fosse melhor do que aquilo.