Perceptível pequeno mundo gigante onde muitas vezes ignoramos sua existência. Passamos ao seu lado, por cima dele, inacreditavelmente nem reparamos sua grandeza e beleza. E perdemos a oportunidades de conhecer mais o nosso próprio habitat, de encontrarmos um pouco de poesia, de descobrirmos que somos grandíssimas miniaturas. Ali, tão perto, atingível, tocável, penetrável...
Pequenas ervas como a plantinha que se fecha ao mínimo toque, a minosa pudica, ou dormideira, cujas folhinhas abraçam a si mesmas quando em contato com algo.
E os bichinhos. Das pequenas borboletas de asas brancas e laranjas com tons amarronzados, aos exércitos de soldadinhos em formato singular com duas listras brancas no topo das asinhas, parecendo que todos já foram promovidos a cabo da tropa, num aquartelamento harmonioso.
Pelo chão, marcham outros batalhões. Formigas a moverem-se num esforço concentrado para estocar folhas em seus formigueiros e qualquer coisinha útil. Mundos inteiros subterrâneos. Vermelhas, presas afiadas, irrefreáveis, correm em bando contra o relógio imaginário da vida, pois antecipam os tempos chuvosos, sem se importarem com a cantoria das cigarras, destinada a estourar ao executar a última nota.
Fantástico como as libélulas e suas primas donzelinhas. Para mim, um nome próximo: zigue-zigue. Pequenos insetos voadores, parentes dos helicópteros. Possuem as cabeças como se fossem cravejadas de pedras preciosas esverdeadas e azuladas brilhantes, em deslocamentos e paradas rápidas e precisas, enquanto caçam suas presas, outros insetos de porte ainda menor.
E por falar em joias, nada como as joaninhas com suas carapaças redondas em tom vermelho, pintadas perfeitamente com bolotinhas negras. Pingos de seres que parecem não se importar com a camuflagem.



Sim, não há como esquecer da esperança. Verdinhas como folhas que se confundem em meio às plantas, promessa de tempos bons quando encontradas dentro das casas. O que faz? Suavemente pegá-la com a mão e levá-la para fora, para que retorne ao seu lar, à natureza.
Seres encantados e encantadores. Para enxergá-los em sua mais profunda essência se faz necessário o curioso olhar do menino, misto de explorador/pesquisador dos jovens, dos matos, do ar livre. Se ainda os enxerga após adulto, é que reencontra sempre a si mesmo como criança.