A covardia no ser humano se manifesta de várias maneiras. Há os covardes explícitos, aqueles que não escondem o comportamento pusilânime, e os covardes medrosos, passivos, apáticos. Ambos são perigosos e nocivos à sociedade. Uns se revelam agressivos, principalmente quando atacam indefesos. Outros se fingem de bonzinhos, mas na prática causam danos a outros sem qualquer constrangimento.
Identificamos no nosso convívio, indivíduos que se destacam pela ausência de coragem em agir por conta própria quando se faz necessário. Esses têm receio de contrariar o senso comum. Preferem estar sempre ao lado dos vitoriosos. E, por isso mesmo, fingem concordar com o que os poderosos dizem e fazem. Agem condicionados pelo conformismo. São alcançados por um estado de paralisia, causado pelo medo e a insegurança.
Fazem do silêncio sua arma predileta. São omissos, alienados, resignados. Vivem conforme os seus interesses pessoais. Adotam a política do olhar para o próprio umbigo. O covarde contribui para que uma coletividade chegue a pagar o preço da submissão. Quanto maior for o número de covardes, mais ficamos reféns dos opressores. É o que, em 1548, Étienne de La Boétie classificou de “servidão voluntária”. Praticam a obediência subserviente. Interessante que forjam mentiras em que passam a acreditar, para não saírem da zona de conforto em que se instalaram, ignorando, portanto, motivos que os induzam à luta que se evidencia necessária.
A fraqueza humana, então, se curva perante a força, porque passa a tolerar a própria ignorância e se nega a compreender a capacidade mental de reagir e buscar novos caminhos. É a ocasião em que nasce a estupidez conscienciosa. O silêncio guardado diante do opróbrio revela-se um ato de mediocridade, aleivosia e cumplicidade.