A Ponte do "Tê” é uma construção inacabada de via férrea situada na cidade de Alagoa Grande, interior do Estado da Paraíba.
Sem o término de sua construção, - com o tempo - serviu de lugar de encontros para outras excepcionais “viagens de emergência”. Seguindo o mesmo estigma, os seus frequentadores também faziam uma ponte, poderíamos dizer, uma ponte que jamais foi destruída. É que muitos casais reminiscentes daquelas portas abertas, fechadas somente em algumas vezes, nas noites sem luar, pelo negrume da noite, aderiram ao viver permanente. Talvez porque naquele tempo nem existia essa história de “FICAR” ou coisas que a modernidade inventou pra se “ferrar” depois. Quem ficava, antigamente, ficava para sempre. Geralmente, era teste seguro e com notas suficientes para aprovação no exame de admissão.
Lá os casais de namorados se confinavam e faziam as suas juras de eterno amor. Muitos, hoje, estão casados e contando a história e suas aventuras, certamente, dos atos contíguos a céu aberto e de lua a pino, com afinidades múltiplas, recíprocas, românticas e outras peripécias inusitadas, cheias de ribaltas e malabares que fizeram parte de suas alianças.
A ponte já tinha jeito de "motelzinho": dava lugar, gratuitamente, a casais de todas as camadas sociais. A "media luz" cobria os parceiros com o cobertor longínquo de estrelas, mas que brilhantemente piscavam nos céus aconchegantes de recônditas fantasias presenciais. Não havia on-line, e não era remota a forma de aproximarem-se, usarem os seus dígitos e ficarem nos trilhos.
– Como é bom ter você!…
Naqueles sussurros, àquelas alturas, podia-se dizer “ter” ou “Tê”... daria no mesmo. Era uma ponte de silêncios, e os suspiros só misturavam-se com o coaxar das "pererecas" em baixo da ponte, vindo com o som de algumas corujas sonâmbulas, cujo cantar quase assustador surgia pelo aroma do doce abismo dos ouvidos sensíveis dos amantes daquela estação, porém, sem "nenhum grilo" que desaparelhasse aqueles instantes de fugas e levitações. Eram amores à primeira linha! Eram namorados, noivos e conjugados, livres, fiéis e abertos ao interior.
Na hora do entroncamento, "não abriam nem para um trem!" Aliás, abriam, sim, mais que isso, para dar sentido à espera do êxtase daquela estação fenomenal. Mas, lá o trem de verdade nunca fez passagem, e, naquela ponte mal terminada, os seus vagões eram conduzidos sempre superlotados de deslumbramentos, encantos inusitados, puxados pela máquina locomotiva dos desejos e dos momentos que se faziam pontes infinitas. Bendito aqueles que souberam construir as suas pontes e puderam - até hoje - viver felizes... E na linha!!!