Augusto dos Anjos, o poeta mais original da literatura brasileira, foi embora da Paraíba porque não lhe deram emprego de professor. Quase cem anos depois, não fosse o intelectual Waldemar Duarte, o busto do poeta não estaria no Parque Solon de Lucena e teria virado ferro velho, por falta de pagamento do governador caloteiro e mais não sei quem responsável pela encomenda na época.
A história da Paraíba é cheia desses contratempos envolvendo seus filhos ilustres, para ficar apenas nesses, por serem mais emblemáticos. A prática vem de longe e consagra aquela sabença popular de que santo de casa não faz milagres.
No dia em que o nome da escritora paraibana Marília Carneiro Arnaud foi anunciado como a vencedora do prêmio Kindle de literatura, com o seu romance “Pássaro Secreto”, em cerimônia pública, com transmissão via Youtube, percebi, afora algumas manifestações da presidente da Academia Paraibana de Letras, Ângela Bezerra de Castro, do governador João Azevedo que a parabenizou em sua conta nas redes sociais, do cronista Germano Romero, do professor e contista Wellinton Pereira, do jornalista Walter Santos, e três ou quatro linhas no blog do meu amigo e conterrâneo, jornalista e escritor Tião Lucena. E mais nada.
Visitei diversos blogs e portais da terrinha e percebi essa falta de compromisso de alguns formadores de opinião da terra de Martinho Moreira Franco (morto hoje, dia 6 de fevereiro, morremos um pouco junto com ele) que não dispensaram uma linha sequer para registrar esse feito memorável da escritora paraibana. Em compensação, tomei conhecimento a respeito de uma moça chamada Carol com K, e soube que ela está brigando com não sei quem, soube também que Xuxa está xateada com Xaxa, e que Bolsonaro recusou o convite de não sei quem para tomar a vacina contra o coronavírus e foi agraciado com uma lata de leite Moça doada por um blogueiro bolsonarista.