Assisti, por esses dias, a um documentário sobre essa famosa peça de ir à praia: o biquíni. Não foi a primeira vez que vi a história desses dois pedaços de pano que as mulheres vestem nas areias.
Sempre ouvi relatos das minhas avós e bisavós indo de trem para Praia Formosa, onde caminhavam e mergulhavam no mar, vestindo camisolões. Se pensarmos no tempo, não faz tanto assim — anos 30?! Menos de um século atrás!
Sempre ouvi relatos das minhas avós e bisavós indo de trem para Praia Formosa, onde caminhavam e mergulhavam no mar, vestindo camisolões. Se pensarmos no tempo, não faz tanto assim — anos 30?! Menos de um século atrás!
Foi quando o namorado me trouxe uma "tanga" de presente do Rio de Janeiro. Uma tanga que não era de Tarzan nem de Jane. Papai entrou em polvorosa! Como a sua filha mais velha vai dar esse exemplo? Com uma peça preta, cavadíssima, que deixava as pernas longas e torneadas, a barriga zero... vai se mostrar assim? E as outras irmãs iriam querer uma também, tout de suite! Mas, como interferir, já que o próprio namorado havia trazido do Rio, onde a moda era ditada e adotada? Meu pai ficou a olhar estupefato com o meu exibicionismo. Logo ele, que nunca interveio numa roupa de filha. Usávamos mini saia, decotes e transparência. Éramos um poder de quatro. E ele, silencioso e ensimesmado, sentia sua minoria e acatava nossos des-bundes. Conversava, ouvia e finalmente acatava. Ou não…
Então surgiu Rose de Primo, a musa de Ipanema. O namorado era apaixonado pela moça do biquíni e até acho que, inconscientemente, quis caçar com gato, já que a moça estava longe dos seus desejos mais profundos. Logo eu, magrela, longilínea e de pouco peito, como competir com aquela visão na capa de discos e revistas?
Chegou o momento de tocar no assunto topless, que estranhamente não pegou no Brasil. Falso moralismo, uma vez que as mulheres o faziam/fazem nos desfiles do carnaval. Já na praia, o conservadorismo não deixava/deixa nossa nudez ser castigada... Ainda bem que tive a chance de fazê-lo em Baía Formosa, nos anos 80, e na Grécia, em 87! Na primeira experiência, com a praia deserta e a liberdade de tomar banho nas águas calientes da enseada potiguar; na segunda, em Mikonos e Santorini, ao lado de outras pessoas, de várias idades e corpos distintos, para vivenciar toda essa liberdade de tirar a parte de cima do sutiã, sem alarde ou voyeurismo.
Enquanto assistia ao documentário (passado no Rio de Janeiro), pensei em toda a trajetória do pequeno item. Arrepiei-me quando incluíram os cantores desse hit da época: "Ana Maria entrou na cabine / e foi vestir um biquíni legal / Mas era tão pequenino o biquíni / que Ana Maria sentiu-se mal". Ai ai ai.... Era um biquíni de bolinha amarelinha! Há quanto tempo não ouvia essa música. E as bolinhas saltaram na minha nostalgia pelos meus biquínis. Mas não só. Nostalgia pelos veraneios de Praia Formosa e Praia do Poço. A saudade do jogo de frescobol e das areias do Cabo Branco, onde desfilava com meus biquínis pequeninos, tão caseiros e simplórios, mas que davam a liberdade de romper alguns padrões de comportamento da época.
Graças a Leila Diniz, eu também ousei exibir minhas barrigas grávidas, usando biquínis minúsculos. Sempre achei mulher grávida linda. Fiz questão de ir à praia semi-nua, até quase ir para a maternidade. Sentia-me poderosa nessa ostentação barriguda.
Hoje, mais velha e com o corpo já modificado pelo tempo, tenho dificuldades de comprar um maiô tradicional, mesmo de bolinhas, que adoro. Os que existem no mercado são todos cheios de adereços que, para mim, não combinam com praia. E os biquínis? Continuo a usar, numa referência e reverência a todos os tempos de liberdade das mulheres. Inclusive a minha!