Choveu pela manhã... Uma água leve, pequenas gotas que se derramavam no asfalto, nem chegavam a ser suficientes para banhar a cidade. Era início do verão natalino, cheio de sóis, calores e luzes noturnas artificiais multicoloridas em prédios, plantas, varandas e variantes humanas que se multiplicavam na tentativa de sinalizar caminhos feito como o entrelaçamento de Saturno e Júpiter, tão próximos, tão distantes. Eram faróis em plena terra firme, já balançada pelos répteis humanos caçadores de jacarés e outros fantasmas.
Que a Era de Aquarius (Aquário) sucede Piscis (Peixes) e derrame vida ao século XXI, como numa cena pressagiada por Milos Forman em "Hair", que permita que os cabelos e ideias voem livres, assim como as mãos caminhem soltas pela terra dos sonhos.
Choveu pela manhã, mas não o suficiente para remover o rubro jambo caído na rua. Mesmo machucado, o fruto ainda saboroso nas partes intactas, alimento para o desejo de sentir o cheiro com a boca. Em outras paragens, era amarelo manga doce solta no terreiro, embaixo da árvore de enfeites verdes dependurados feitos as lâmpadas natalinas. Conexões imagináveis.
Que sejamos natalinos, ressuscitemos coisas boas e enfeitemos a caminhada de flores, pássaros, gentes e cores iguais as telas festivas do xará Clóvis Júnior, que animam olhos e aquecem corações. Pinceladas de festas da nossa terra em traços de felicidades nordestinas. Quadros que extraem sorrisos do interior, aquecem o coração com azuis, vermelhos, amarelos, verdes, marrons.
Choveu pela manhã... E senti de novo o arejado frescor do dia que se estende em pequenas construções. Ao fim, abriguemo-nos todos no presépio, para ganharmos a proteção daquele menino. E que ele renasça dentro de cada um.